Arquivo

Archive for the ‘Ação’ Category

Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados – * de *****

Mencionei ontem no Twitter do Cine-Phylum que não estava nem um pouco afim de ir aos cinemas conferir a pré-estréia deste “Transformers – A Vingança dos Derrotados”. Não, essa minha falta de vontade em assistir ao filme não estava diretamente ligada à qualidade (ou a falta de) do mesmo, mas sim ao fato de a cópia que estava sendo exibida nos cinemas de minha cidade ser dublada. Sinceramente, não creio que seja nem um pouco ética esta minha atitude de criticar um filme dublado. Por quê? Porque não julgo um filme dublado uma obra cinematográfica original. Assistir a uma produção com o som original é extremamente importante para que possamos avaliar a atuação do elenco, já que o tom de voz que os atores emprega para compor os seus respectivos personagens é mais do que importante para o resultado final da obra. Destarte, peço para que o leitor leve em conta que, quando eu mencionar “atuações” na crítica a seguir, estarei me referindo à expressividade e ao carisma dos atores, descartando então o tom de voz dos mesmos.

Ficha Técnica:

Título Original: Transformers: Revenge of the Fallen.

Gênero: Ação.
Tempo de Duração:
147 minutos.

Ano de Lançamento: 2009.

Site Oficial: www.transformersmovie.com

País de Origem: Estados Unidos da América.

Direção: Michael Bay.

Roteiro: Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman.

Elenco: Shia LaBeouf (Sam Witwicky), Megan Fox (Mikaela Banes), Hugo Weaving (Megatron – voz), Josh Duhamel (Capitão Lennox), John Turturro (Agente Simmons / Jetfire – voz), Isabel Lucas (Alice), Tyrese Gibson (Sargento Epps), Matthew Marsden (Graham), Samantha Smith (Sarah Lennox), Glenn Morshower (General Morshower), Ramon Rodriguez (Leo Spitz), Kevin Dunn (Ron Witwicky), Julie White (Judy Witwicky), Michael Papajohn (Cal), John Benjamin Hickey (Theodore Galloway), Rainn Wilson (Professor), Frank Welker (Soundwave – voz), Peter Cullen (Optimus Prime – voz), Mark Ryan (Bumblebee – voz), Darius McCrary (Jazz – voz), Reno Wilson (Frenzy – voz), Robert Foxworth (Ratchet – voz), Jess Harnell (Ironhide / Barricade – voz) e Mike Patton (Mixmaster – voz).

Sinopse: Dois anos após a batalha entre os Autobots e os Decepticons, Sam Witwicky (Shia LaBeouf) enfrenta a ansiedade de entrar na faculdade. Isto significa que ele terá que morar separado de seus pais, Judy (Julie White) e Ron (Kevin Dunn), deixar a namorada Mikaela Banes (Megan Fox) e ainda explicar a situação ao seu amigo e protetor Bumblebee, já que pretende levar uma vida normal de agora em diante. Paralelamente o governo desativa o Setor 7, resultando na demissão do agente Simmons (John Turturro). Em seu lugar é criada a NEST, uma agência comandada pelo capitão Lennox (Josh Duhamel) e o sargento Epps (Tyrese Gibson), que trabalha em conjunto com os Autobots. Porém a NEST enfrenta a resistência de Theodore Galloway (John Benjamin Hickey), o consultor da segurança nacional, que a considera supérflua.

Fonte Sinopse: Adoro Cinema.

Transformers: Revenge of the Fallen – Trailer:

Crítica:

Começarei esta crítica praticamente da mesma forma que comecei a de “Anjos & Demônios”. Nunca assisti ao primeiro filme da franquia “Transformers”, nunca assisti ao desenho que passava na televisão (havia realmente um desenho animado que era exibido na TV? Juro que não me lembro) e nunca brinquei com os bonecos (cuja alcunha atribuída pela criançada na época era: “hóminhos”) dos personagens principais da série. E querem saber o que é pior? Nunca havia nem ao menos ouvido falar nestes tais “Transformers” antes do primeiro episódio da série ter sido lançado nos cinemas do mundo todo no ano de 2.007, e olha que sou da geração de 1.980 (nasci aos 17 de dezembro de 1.983), justamente quando os tais robôs alienígenas estavam no auge.

Mas o que seria eu então? Uma criança anormal? De forma alguma. Acontece que durante a minha infância me preocupava muito mais em assistir a desenhos como “Tom & Jerry”, “Faísca & Fumaça”, “Papa-Léguas”, “Tartarugas Ninja” e “Caverna do Dragão” a assistir os “Transformers” da vida. Logo, nem ao menos tomei ciência da existência do desenho animado durante os meus dias de garoto. Talvez seja justamente por este motivo que fui ao cinema local com toda a frieza que me é inerente. Não estava tão entusiasmado como alguns fãs que ali se encontravam estavam (inclusive, havia muitos “quarentões” na sessão, e sem a companhia dos filhos. Será que tratavam-se de nerds fãs incondicionais da série quando tinham vinte anos de idade? Pode apostar que sim), mas também não estava nem um pouco influenciado pelas críticas negativas que havia lido sobre o primeiro filme.

A sessão começa. Vejo-me sentado novamente na poltrona do meio da sala. Uns robôs, sem mais nem menos, aparecem na pré-história e saem matando seres humanos a torta e a direita, sem quaisquer propósitos pré-estabelecidos. E reside justamente aí a minha maior repugnância para com os filmes que envolvem extra-terrestres. Oras, por que um grupo de alienígenas iria almejar arriscar a própria espécie a fim de dominar um planeta como este (que os próprios robôs, durante muitos momentos do filme, afirmam ser um lixo de planeta)? E por que os “grandalhões” malvados não exterminaram a raça humana e não dominaram o mundo, quando era mais fácil para eles o fazer durante a pré-história? Seria pelo fato de os Autobots (os “mocinhos” da vez) terem impedido? Mas por que cargas d’água um grupo de robôs alienígenas se preocuparia em salvar a nossa espécie?

Francamente, não sei dizer se as questões por mim levantadas acima são furos de roteiro ou fruto de minha ignorância no que diz respeito à franquia “Transformers”, mas caso seja a segunda opção (o que, creio eu, é bem provável), não tenho culpa se o filme não explicou isso durante a sua projeção. Ops… pára tudo, pára tudo (lembram-se do imbecil do João Kleber?)… Acabei de confirmar com o meu pai (e vejam bem, o meu pai sabe muito mais da série do que eu) que os Decepticons (os vilões da vez) na verdade fugiram do planeta natal deles e vieram se esconder na Terra e os Autobots vieram os perseguir. Foi isso mesmo o que aconteceu (pergunto a alguém que tenha assistido ao primeiro filme ou aos episódios da série televisiva, uma vez que o meu pai confessou não ter muita certeza do que estava falando)? Enfim, caso esteja completamente errado e vocês estejam rindo de minha cara (e da de meu progenitor também), novamente insisto que não é culpa minha que um filme com duas horas e vinte minutos de projeção pare um segundo sequer para explicar e/ou relembrar isso.

E falando em projeção, que longa extenso este, não? Sejamos honestos, duas horas e vinte minutos de duração para isso! Para uma estórinha mal contada destas, que não tem nem ao menos a dignidade de se valer por si só (sim, pois como havia dito, o fato de não ter assistido ao episódio anterior faz com que eu nada saiba sobre os reias intentos dos Decepticons aqui na Terra) e depende completamente do episódio anterior para funcionar! Eu me pergunto: o que passava pela cabeça de Michael Bay enquanto filmava tantas cenas altamente dispensáveis para o resultado final da obra? Por que não dar pequenas dicas a espectadores desavisados (como era o meu caso) sobre o real motivo do embate entre Autobots e Decepticons? Afinal de contas, “Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados”, apesar de ser uma continuação, é (ao menos era para ser) um episódio extremamente independente do filme que lhe deu origem, ao contrário de “Kill Bill – Volume II”, por exemplo, onde deveríamos assistir ao primeiro longa metragem para entender a sua continuação, já que ambos formam um único filme.

Entretanto, mesmo que recomeçasse esta crítica agora, neste exato momento. Mesmo que soubesse todas as respostas para as perguntas que fiz. Mesmo que fosse o maior entusiasta e conhecedor de “Transformers” da face da Terra, teria achado o filme ruim.

Sim, “Transformers 2…” é ruim por si só, e sabem quem é o maior responsável por isso? Um doce para quem acertar. Claro, Michael Bay, o alvo favorito (ao lado do tão horrendo quanto Uwe Boll) dos críticos de Cinema do mundo todo. O Ed Wood de nossa geração dá sinais de sua incompetência logo no início do filme quando, ao realizar um rápido travelling ou um singelo afastamento de câmera, treme a mesma como se estivesse segurando uma britadeira ligada com a mão oposta. E o que dizer então das exageradas rotações de câmera de cento e oitenta graus quando filma um momento romântico do casal de protagonistas (ele bem que poderia ter aprendido a fazer decentes rotações com Christopher Nolan em “Batman – O Caveleiro das Trevas”)?

E quanto às demais características que sempre marcam, do modo mais negativo o possível, o trabalho do cineasta (gargalhadas pela palavra “cineasta”)? Da mesma forma que constatamos em muitos outros de seus filmes, em “Transformers 2…” Bay aplica inúmeras tomadas em slow motion enquanto mostra os protagonistas fugindo de uma recente explosão, gira a sua câmera “desenhando” uma esfera completa a fim de filmar porta-aviões estadunidenses e, é claro, faz questão de realizar closes de inúmeros soldados caminhando lentamente com aquele ar blasé, típico dos fracassados militares oriundos da Terra do Tio Sam.

Ah, e é claro que não podemos nos esquecer de mencionar o oportunismo (também característico do diretor) adotado com a finalidade de explorar todos os atributos das atrizes símbolos sexuais que trabalham com ele. Para se ter uma idéia, Megan Fox entra em cena montada em uma moto, inclinada para frente, com um short jeans excessivamente minúsculo e a bunda levantada bem ao alto (Está bem, confesso, meu lado pessoal adorou essa cena). E já que mencionei o (suculento) traseiro da atriz, o leitor tem alguma dúvida de que o diretor explora ao máximo esta parte do corpo dela? Basta dizer que, quando a mesma não é exibida com uma blusa deveras decotada e que mostra boa parte de seus seios, Bay faz questão de colocá-la em cena de um modo que a sua câmera consiga filmar os quadris da moça sendo fortemente apertados por uma calça branca extremamente justa (aliás, ela, assim como todos os outros personagens, passa o filme todo com a mesma roupa. Que figurino mais pobre esse, viu!).

E sei que já me estendi demais nesta crítica, principalmente para falar mal de Michael Bay, mas o leitor teria a bondade de me conceder mais uns minutinhos de seu tempo para criticar ainda mais o diretor (fazer o quê? O cara é um desastre em forma de cineasta)? Não bastassem todas as falhas cometidas pelo diretor, ele ainda tem a pachorra de empregar uma trilha-sonora visivelmente maniqueísta para conferir ao longa a sensibilidade que não tem competência para o fazer.

Mas vamos parar por aqui, a crítica já foi muito além do que deveria ter ido.

Em suma, “Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados” é o típico filme de ação comercial proveniente dos grandes estúdios de Hollywood: divertido, cheio de adrenalina e repleto de efeitos especiais (visuais e sonoros) dignos de fazer cair o queixo, mas que jamais conseguem maquiar as terríveis falhas que são exibidas durante os seus desnecessariamente longos duzentos e vinte minutos de duração, variando desde a trama apenas razoável, passando pelas atuações nada convincentes por parte de todo o elenco, pelos alívios cômicos frustrantes, e pela falta de carisma dos personagens principais, encerrando-se no pavoroso trabalho de direção. Enfim, segue o estereótipo das obras cuja direção é assinada por um dos maiores engodos do Cinema nos últimos anos: Michael Bay.

Obs.: É impressão minha ou o personagem Leo (que nem ao menos diz a que veio no filme), próximo ao desfecho do longa, é adormecido com um choque em uma cena e, logo na outra, aparece acordado e agindo normalmente como se nada houvesse acontecido? É Sr. Bay, parece que o senhor cometeu um dos erros de continuidade mais ridículos da história do Cinema, o que permite com que possamos lhe atribuir o título de Ed Wood dos anos 1.990 e 2.000.

Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.

Anúncios

Velozes & Furiosos 4 – ** de *****

Sei que havia prometido, através do Twitter, que a próxima crítica que iria escrever seria a de “O Equilibrista”, mas acontece que acabei de sair da sessão deste “Velozes & Furiosos 4 e o filme está bem nítido em minha mente, logo, prefiro comentá-lo agora mesmo (isso sem contar que, não sejamos hipócritas, um filme como este atrai muito mais leitores ao blog do que um documentário como O Equilibrista). Já disse mil, quinhentas e noventa e sete vezes (1.598 agora, neste exato momento) que procuro evitar estabelecer conceitos prévios (leia-se pura e simplesmente, preconceitos, caso prefira) acerca de um filme antes mesmo de assistí-lo. Entretanto, em muitos casos é impossível não fazê-lo. Como não me encher de ânimo antes de assistir a um filme de Martin Scorsese ou de Woody Allen (apenas para citar dois exemplos)? Seguindo a contra-mão, como não nutrir forte receio ao saber que terei como missão acompanhar a mais um episódio da série “Velozes & Furiosos” (que é uma das coisas que mais execro (se não a que mais execro) quando o assunto em pauta é Cinema)? Mas desta vez confesso que me surpreendi. Juro que esperava muito mais nugacidades por parte do roteiro. Enfim, vamos ao texto, onde deixarei mais clara a minha opinião.


Ficha Técnica:

Título Original: Fast & Furious.
Gênero: Ação.
Tempo de Duração: 107 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: www.velozesefuriosos4ofilme.com.br
País de Origem: Estados Unidos da América.

Direção: Justin Lin.

Roteiro: Chris Morgan, baseado nos personagens criados por Gary Scott Thompson.

Elenco: Vin Diesel (Dominic Toretto), Paul Walker (Brian Spindler), Michelle Rodriguez (Letty), Jordana Brewster (Mia Toretto), Rick Yune (Johnny Tran), Beau Holden (Ted Gessner), Thom Barry (Sargento Bilkins), Reggie Lee (Lance Nguyen), Ted Levine (Sargento Tanner), Chad Lindberg (Jesse), Vyto Ruginis (Harry), Ja Rule (Edwin), Matt Schulze (Vince) e Johnny Strong (Leon).

Sinopse: Domenic Toretto (Vin Diesel) é o líder de uma gangue de corridas de ruas em Los Angeles que está sendo investigado pela polícia por roubo de equipamentos eletrônicos. Para investigá-lo é enviado Brian Spindler (Paul Walker), que se infiltra na gangue na intenção de descobrir se Toretto é realmente o autor dos crimes e se há alguém mais por trás deles.

Fonte Sinopse: http://www.adorocinema.com/filmes/velozes-e-furiosos-4/velozes-e-furiosos-4.asp

Fast & Furious – Trailer:

Crítica:

É a primeira vez que vou aos cinemas conferir a um filme da saga “Velozes & Furiosos”. Quando os outros três episódios da série encontravam-se em cartaz, não tinha coragem de torrar dinheiro tão levianamente. Contudo, agora tenho carteirinha de crítico, escrevo para um periódico de uma cidade vizinha (cujo nome não estou autorizado a revelar pela internet) e posso entrar gratuitamente nos cinemas. Pensei: ___ Afinal de contas, por quê não Velozes & Furiosos 4?. Independentemente se a crítica for positiva ou negativa, ela atrairá uma quantidade satisfatória de leitores, não? Decidi então ir ao cinema local assistir ao filme.

Já havia assistido a todos os outros três episódios que formam a série (e juro que não estou dizendo isso para me gabar, afinal de contas, por que me gabaria de algo tão esdrúxulo?), mas o fiz em DVD. Lembro-me de que, ao assistir ao primeiro filme, concluí que o mesmo tratava-se de uma descarada releitura (e olhe que estou sendo deveras eufemista aqui, pois a palavra “plágio” se encaixaria muito melhor que “releitura” nesta situação) de “Caçadores de Emoção”, com Keanu Reeves e Patrick Swayze. Em outras palavras, tratava-se de uma porcaria copiando outra porcaria, o que viria resultar em uma porcaria ainda maior.

O filme nada mais era do que o maior oceano de futilidades que a sétima Arte já havia presenciado até o presente momento (pouco tempo mais tarde, “Jackass – O Filme” viria a concorrer ao posto). Mulheres gostosonas e burras que se interessam por caras gostosões e burros que vivem em torno de um mundo ainda mais burro, onde pessoas com um visível complexo de inferioridade literalmente se matam a fim de ver quem chega em primeiro lugar em uma corrida, como se tal façanha fosse mudar o mundo para pior, ou para melhor. O que víamos então era um paraíso machista, banhado de mulheres gostosas com shortinhos excessivamente curtos (não que eu me incomode com isso, muito pelo contrário, mas enfim…), carrões “tunados” que são utilizados para medir o grau de superioridade entre os seus respectivos proprietários, cerveja, hip-hop, gírias ridículas, e tudo o que o decadente mundo capitalista pode nos oferecer de pior.

Não bastasse toda a podridão supracitada, ainda nos damos de cara com arcos dramáticos abomináveis. Personagens ridículos dão às caras (e o roteiro faz das tripas, coração, para fazer com que nos cativemos com eles), situações ainda mais ridículas começam a brotar e, não bastasse tudo isso, o filme ainda plagia (agora sim tive de utilizar esta palavra, não teve escapatória) a química estabelecida entre Reeves e Swayze, tentando formar uma dinâmica entre Paul Walker e Vin Diesel. É claro que não funciona. Mas o primeiro filme, apesar de ser um dos grandes responsáveis por essa juventude burra que assombra o mundo nos dias atuais (eles sabem montar e desmontar um carro inteiro, mas não sabem nem ao menos a diferença entre políticos de direita e políticos de esquerda), contava com os seus momentos de adrenalina e nos proporcionava um ou outro momento de tensão. O segundo episódio, por sua vez, nem isso faz, e o terceiro consegue cair ainda mais neste quesito.

Eis que surge o episódio 4 e a série que já se iniciou sem quaisquer resquícios de criatividade e/ou originalidade, aparenta chegar ao ápice de sua incapacidade inventiva. A começar pelo título. Se o episódio 2 (que é o pior de todos, ou seria o episódio 3? Dúvida cruel, hein? Creio que fique com o terceiro mesmo) teve, ao menos, a ousadia (gargalhadas) de alterar o seu título, e o sucessor mostrou-se digno de, no mínimo, criar um subtítulo (ainda que este seja ridículo), o quarto capítulo desta ignóbil quadrilogia (isso se não inventarem ainda mais filmes por aí) nem isso fez. Optou por chamar-se simplesmente “Velozes & Furiosos 4 e ponto final.

Aí começa o filme. O personagem interpretado pelo atual canastrão mor, Vin Diesel, volta do Panamá para investigar a morte de sua ex-namorada (era a namorada dele mesmo? Juro que nem me lembro (e nem faço questão de me lembrar) de qual era o grau de relacionamento deste para com a finada). O destino faz com que ele cruze o caminho de um velho conhecido, Brian Splinter (Paul Walker) – protagonista do longa original – e inferimos então que a produção é, de fato, uma continuação direta do primeiro filme (o que torna os outros dois episódios intermediários ainda mais desnecessários do que já o são).

Novamente a péssima química estabelecida entre Paul Walker e Vin Diesel (é difícil saber quem é o pior ator entre eles, não?) vem à tona, mas desta vez os realizadores tiveram o bom senso de observar que não há necessidade de se investir muito em arcos dramáticos frívolos. Os produtores, o roteirista (mas essa porcaria tem roteiro?) e o diretor provavelmente pensaram: “___ Porra (com o tardio perdão pela palavra), esse é um filme feito para pessoas burras. Pessoas que nem ao menos sabem que o mundo está passando por uma crise econômica. Para quê vamos nos preocupar com a estória, ou, principalmente, com a química entre os protagonistas? Eles querem só ação, então vamos dar ação a eles.”.

É a partir deste momento que “Velozes & Furiosos 4 (com o perdão pela redundância altamente desnecessária que virá a seguir) se revela unicamente um filme veloz e furioso. Muita ação, pouca estória, pouca inteligência e (quem diria?) pouca nugacidade. Ou melhor, pouca futilidade se o compararmos com os antecessores. Neste quarto episódio tem carrões? Tem sim, senhor. Tem a câmera do diretor realizando um travelling enquanto foca a bunda de uma hispano-americana saindo do carro utilizando um short curtíssimo? Tem sim, senhor. Tem Vin Diesel pagando de machão? Tem sim, senhor. Tem lesbianismo barato e promíscuo? Tem sim, senhor. Tem hip-hop? Tem sim, senhor. Mas acreditem, ou não, tem tudo isso em doses homeopáticas.

Por mais incrível que possa parecer, o filme revela-se unicamente uma aventura policial carregada de clichês, mas que conta com um ritmo interessante, do tipo “desligue o cérebro e coma pipoca, mas muita pipoca mesmo”. Finalmente, aquele excesso de corridas despropositais dá uma sossegada aqui neste quarto episódio, e quando elas acontecem, são realizadas de um modo que realmente acabe nos criando uma ou outra tensão, além de ter um escopo (pequeno, mas tem) no contexto geral do roteiro (e, particularmente, adorei o primeiro “pega”, bem como a importância que o diretor conferiu à utilização de GPS’s durante o desenrolar da mesma).

É provável que “Velozes & Furiosos 4 seja o episódio da série que menos contenha futilidades embutidas em seu roteiro (se é que isto aqui possui um roteiro), o que, sejamos francos, não quer dizer lá muita coisa. De qualquer forma, salva-se como uma fita de ação despretensiosa e descerebrada, igual a essas que são exibidas uma única vez na Tela Quente e, logo de cara, se veem relegadas a um Domingo Maior (isso, é claro, se não forem encaminhadas diretamente ao SBT ou a Record, o que é mais provável).

Obs.: O final do filme foi tão ridículo que, assim que começaram a ser exibidos os créditos, abandonei a sala. No entanto, fui o único que tomou tal atitude, sendo que os demais infelizes… digo… os demais espectadores, permaneceram em suas poltronas, o que indica que o filme provavelmente conta com uma cena extra inserida em seus créditos. Agora, sejamos francos, se o final já se revelou um dos piores da história do Cinema (um ônibus que conta com prisioneiros da mais alta periculosidade e nem ao menos é escoltado pela polícia? Truco, papudo! É impressionante como Hollywood zomba da inteligência de seus espectadores. Apesar de que é de se esperar que os espectadores de Velozes & Furiosos não contem com um pingo de inteligência sequer, não é mesmo?), o que se pode esperar então de uma cena extra inserida entre os créditos?

Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.

X-Men Origens: Wolverine – **** de *****

Sugeri a mim mesmo (e aos leitores também) na crítica publicada anteriormente que talvez estivesse sendo bonzinho demais em minhas últimas avaliações. Sim, “Presságio” é um filme que vem sendo negativamente avaliado pelo resto da crítica, e o mesmo pode-se dizer de “Ele Não Está Tão a Fim de Você”, e não hesitei em conferir boas notas a ambos. Agora vem este “X-Men Origens: Wolverine” e, adivinhem só, assisto-o e passo a considera-lo um ótimo filme. Estaria eu mudando, imperceptivelmente, os meus métodos de avaliação? Ou será que são os filmes que realmente me agradaram? Ou quem sabe ambas as coisas? Ou talvez nenhuma delas? Enfim, somente o tempo irá me responder, até lá, fiquem com a crítica de “X-Men Origens: Wolverine”, e podem me criticar a vontade pelo simples fato de ter amado um filme que muitos, na certa, odiarão.

Ficha Técnica:
Título Original: X-Men Origins: Wolverine.
Gênero: Ação.
Tempo de Duração: 107 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.xmenorigenswolverine.com.br/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Gavin Hood
Roteiro: David Benioff, baseado em personagens criados por Len Wein.
Elenco: Hugh Jackman (Logan / Wolverine), Liev Schreiber (Victor Creed / Dentes-de-sabre), Ryan Reynolds (Wade Wilson / Deadpool), Dominic Monaghan (Bradley), Lynn Collins (Raposa Prateada), Danny Huston (William Stryker), Daniel Henney (David North / Agente Zero), Taylor Kitsch (Remy LeBeau / Gambit), Kevin Durand (Frederick “Fred” J. Dunes / Blob), Stephen Leeder (General Munson), Alice Parkinson (Elizabeth Howlett), Tim Pocock (Scott Summers), Myles Pollard (Lumberjack), Tahyna Tozzi (Emma Frost), Will i Am (John Wraith), Troye Sivan (Logan – jovem), Michael-James Olsen (Victor Creed – jovem) e Patrick Stewart (Prof. Charles Xavier).

Sinopse: A Equipe X é formada apenas por mutantes, tendo fins militares. Entre seus integrantes estão Logan (Hugh Jackman), o selvagem Victor Creed (Liev Schreiber), o especialista em esgrima Wade Wilson (Ryan Reynolds), o teleportador John Wraith (Will i Am), o atirador David North (Daniel Henney), o extremamente forte Fred J. Dunes (Kevin Durand) e ainda Bradley (Dominic Monaghan), que manipula eletricidade. No comando está William Stryker (Danny Huston), que envolve alguns componentes do grupo no projeto Arma X, um experimento ultra-secreto. Entre eles está Logan, que precisa ainda lidar com o desfecho de seu romance com Raposa Prateada (Lynn Collins).

Fonte sinopse e ficha técnica: http://www.adorocinema.com.br/

X-Men Origins: Wolverine – Trailer:

Crítica:

Detesto criticar obras cinematográficas baseadas em histórias em quadrinhos. Por quê? Simples, porque, conforme já mencionei inúmeras vezes, não sou nem um pouco fã de quadrinhos. E para ser mais franco ainda, nada sei sobre os mesmos. O que me lembro com relação a X-Men diz respeito somente à série de desenho animado que passava na hora do almoço e eu acompanhava apenas pelo fato de ter o péssimo hábito de almoçar defronte à televisão. O quê? Ah sim, é claro que já assisti aos outros três episódios da saga cinematográfica, mas se formos analisar a origem do personagem Wolverine, realmente nada sei sobre a mesma.

Desta forma, seria extremamente incoerente e, acima de tudo, injusto, com o leitor caso não analisá-se o filme individualmente, mencionando que o mesmo foge bastante da obra original ou que o protagonista aqui não faz jus ao das histórias em quadrinhos. Analisarei “X-Men Origens: Wolverine” como um filme qualquer, da mesma forma que um espectador comum o faria, sem mencionar obras adjacentes a esta (exceto os três outros filmes da trilogia, que são ótimos) ou quaisquer outras características que estejam ligadas indiretamente ao filme objeto de análise.

É interessante constatarmos que a estória do protagonista tem o seu início em 1.845. Apesar de surreal (a menos que você julgue possível uma pessoa conseguir viver tanto tempo pelo simples fato de ser um mutante), nos dá a entender que ele já passou por inúmeras experiências. E se levarmos em conta a sua anormalidade física, concluímos que Wolverine vivenciou não apenas inúmeras experiências, como também diferentes ocorrências ao longo de sua vida inteira. Vide a sequência dos créditos iniciais, por exemplo, onde podemos acompanhar o protagonista, junto de seu amigo de infância Victor Creed, participando de importantíssimas guerras pelas quais o mundo já passou (uma cena em especial, quando Victor atira insanamente do helicóptero, nos remete ao ótimo “Nascido Para Matar” de Stanley Kubrick).

O filme se desenvolve, as guerras terminam, e Wolverine e Victor entram para um esquadrão especial formado pelo governo, onde apenas mutantes com super-poderes, como eles, passam a fazer parte da equipe. O protagonista passa a discordar da ideologia de tal esquadrão e decide abandonar o mesmo de uma vez por todas. Dentes-de-Sabre, por sua vez, já é um sujeito com características mais animalescas e continua integrando a equipe e cometendo atrocidades contra a humanidade.

E talvez seja justamente nesta polaridade entre os personagens Wolverine e Dentes-de-Sabre que resida o maior defeito do filme. Um é politicamente correto ao extremo, sendo que, quando foge dos eixos, basta gritarem: “___ Logan, você não é um animal!”, e pronto, ele fica calminho, calminho. Já Dentes-de-Sabre é malvado ao extremo. Quando não está quebrando espinhas ou arrancando cabeças por aí, está rindo de forma a provocar os seus adversários. Não há um equilíbrio entre os personagens, conforme havia entre o Batman (justiceiro reacionário) e o Coringa (niilista incompreendido) do excelente “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Logo, o espectador certamente notará uma certa artificialidade na formação da personalidade de ambos os personagens.

Por outro lado, “X-Men Origens: Wolverine” conta com muitos acertos. Vide o roteiro, por exemplo, que parece ter adotado uma tática “pega-crítico-de-Cinema”. Isso mesmo, “pega-crítico-de-Cinema”. Durante muitos momentos senti-me incomodado com os motivos que impulsionavam o personagem-sub-título a clamar por vingança, bem como considerei patética a sub-trama romântica inserida em seu primeiro ato. Já estava formulando em minha cabeça: “___ Quando for escrever a crítica do filme, deverei citar tais defeitos.”. Eis que a trama se desenrola e somos surpreendidos. Aquilo que parecia ser apenas um clichêzinho como outro qualquer torna-se um detalhe inerente para o resultado final da obra.

As sequências de ação do longa também são ótimas e, francamente, dentre todos os filmes que carregam consigo a marca “X-Men”, creio que este seja o que melhor se sai no quesito adrenalina. Não, não temos nenhuma cena que lembre a batalha final entre os mutantes de Xavier e os mutantes de Magneto, tampouco uma cena em que mostre a Golden Gate sendo destruída, assim como também não temos nenhuma sequência de luta tão bem coreografada conforme tínhamos no desfecho do episódio 2, mas o “plus” deste novo capítulo da saga dos mutantes não reside necessariamente em uma única cena, e sim no modo como a ação do mesmo é distribuída durante a projeção inteira, a ponto de jamais fazer com que nos sintamos entediados na poltrona do cinema (e novamente peguei a poltrona central, na fileira central da sala, mesmo a sessão estando lotada ao extremo). Particularmente, penso que este episódio tem mais ritmo que os demais.

O final do filme, no entanto, causa um certo desapontamento, e só não digo que é um tremendo fracasso pois as partes que envolvem ação (sempre elas) são fantásticas, sobretudo a luta envolvendo Wolverine, Dentes-de-Sabre e Deadpool e os efeitos especiais fantásticos que regam a mesma (uma pena ela ser relativamente curta). No mais, a aparição do Professor Charles Xavier é ridícula e totalmente fora de foco (e quando digo fora de foco, refiro-me àquele exato momento), e o modo como o roteiro justifica uma amnésia do protagonista, utilizando para tal as balas de adamantium, soa um tanto o quanto artificial.

X-Men Origens: Wolverine” é um filme de ação despretensioso. Seu roteiro não conta com uma trama tão complexa como a de “X-Men 2”, tampouco realiza uma ampla e reflexiva abordagem sobre o preconceito a tudo o que é tido como fora do comum (de acordo com os padrões sociais, é claro), conforme os demais filmes da trilogia anterior o faziam, mas fornece ao espectador uma estória repleta de reviravoltas e surpresas interessantes, além de se revelar uma distração bem acima da média, recheada de cenas de ação bastante atraentes, temperadas com ótimos efeitos visuais.

Em suma, vá ao cinema, e divirta-se.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

X-Men Origens: Wolverine – **** de *****

Sugeri a mim mesmo (e aos leitores também) na crítica publicada anteriormente que talvez estivesse sendo bonzinho demais em minhas últimas avaliações. Sim, “Presságio” é um filme que vem sendo negativamente avaliado pelo resto da crítica, e o mesmo pode-se dizer de “Ele Não Está Tão a Fim de Você”, e não hesitei em conferir boas notas a ambos. Agora vem este “X-Men Origens: Wolverine” e, adivinhem só, assisto-o e passo a considera-lo um ótimo filme. Estaria eu mudando, imperceptivelmente, os meus métodos de avaliação? Ou será que são os filmes que realmente me agradaram? Ou quem sabe ambas as coisas? Ou talvez nenhuma delas? Enfim, somente o tempo irá me responder, até lá, fiquem com a crítica de “X-Men Origens: Wolverine”, e podem me criticar a vontade pelo simples fato de ter amado um filme que muitos, na certa, odiarão.

Ficha Técnica:
Título Original: X-Men Origins: Wolverine.
Gênero: Ação.
Tempo de Duração: 107 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.xmenorigenswolverine.com.br/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Gavin Hood
Roteiro: David Benioff, baseado em personagens criados por Len Wein.
Elenco: Hugh Jackman (Logan / Wolverine), Liev Schreiber (Victor Creed / Dentes-de-sabre), Ryan Reynolds (Wade Wilson / Deadpool), Dominic Monaghan (Bradley), Lynn Collins (Raposa Prateada), Danny Huston (William Stryker), Daniel Henney (David North / Agente Zero), Taylor Kitsch (Remy LeBeau / Gambit), Kevin Durand (Frederick “Fred” J. Dunes / Blob), Stephen Leeder (General Munson), Alice Parkinson (Elizabeth Howlett), Tim Pocock (Scott Summers), Myles Pollard (Lumberjack), Tahyna Tozzi (Emma Frost), Will i Am (John Wraith), Troye Sivan (Logan – jovem), Michael-James Olsen (Victor Creed – jovem) e Patrick Stewart (Prof. Charles Xavier).

Sinopse: A Equipe X é formada apenas por mutantes, tendo fins militares. Entre seus integrantes estão Logan (Hugh Jackman), o selvagem Victor Creed (Liev Schreiber), o especialista em esgrima Wade Wilson (Ryan Reynolds), o teleportador John Wraith (Will i Am), o atirador David North (Daniel Henney), o extremamente forte Fred J. Dunes (Kevin Durand) e ainda Bradley (Dominic Monaghan), que manipula eletricidade. No comando está William Stryker (Danny Huston), que envolve alguns componentes do grupo no projeto Arma X, um experimento ultra-secreto. Entre eles está Logan, que precisa ainda lidar com o desfecho de seu romance com Raposa Prateada (Lynn Collins).

Fonte sinopse e ficha técnica: http://www.adorocinema.com.br/

X-Men Origins: Wolverine – Trailer:

Crítica:

Detesto criticar obras cinematográficas baseadas em histórias em quadrinhos. Por quê? Simples, porque, conforme já mencionei inúmeras vezes, não sou nem um pouco fã de quadrinhos. E para ser mais franco ainda, nada sei sobre os mesmos. O que me lembro com relação a X-Men diz respeito somente à série de desenho animado que passava na hora do almoço e eu acompanhava apenas pelo fato de ter o péssimo hábito de almoçar defronte à televisão. O quê? Ah sim, é claro que já assisti aos outros três episódios da saga cinematográfica, mas se formos analisar a origem do personagem Wolverine, realmente nada sei sobre a mesma.

Desta forma, seria extremamente incoerente e, acima de tudo, injusto, com o leitor caso não analisá-se o filme individualmente, mencionando que o mesmo foge bastante da obra original ou que o protagonista aqui não faz jus ao das histórias em quadrinhos. Analisarei “X-Men Origens: Wolverine” como um filme qualquer, da mesma forma que um espectador comum o faria, sem mencionar obras adjacentes a esta (exceto os três outros filmes da trilogia, que são ótimos) ou quaisquer outras características que estejam ligadas indiretamente ao filme objeto de análise.

É interessante constatarmos que a estória do protagonista tem o seu início em 1.845. Apesar de surreal (a menos que você julgue possível uma pessoa conseguir viver tanto tempo pelo simples fato de ser um mutante), nos dá a entender que ele já passou por inúmeras experiências. E se levarmos em conta a sua anormalidade física, concluímos que Wolverine vivenciou não apenas inúmeras experiências, como também diferentes ocorrências ao longo de sua vida inteira. Vide a sequência dos créditos iniciais, por exemplo, onde podemos acompanhar o protagonista, junto de seu amigo de infância Victor Creed, participando de importantíssimas guerras pelas quais o mundo já passou (uma cena em especial, quando Victor atira insanamente do helicóptero, nos remete ao ótimo “Nascido Para Matar” de Stanley Kubrick).

O filme se desenvolve, as guerras terminam, e Wolverine e Victor entram para um esquadrão especial formado pelo governo, onde apenas mutantes com super-poderes, como eles, passam a fazer parte da equipe. O protagonista passa a discordar da ideologia de tal esquadrão e decide abandonar o mesmo de uma vez por todas. Dentes-de-Sabre, por sua vez, já é um sujeito com características mais animalescas e continua integrando a equipe e cometendo atrocidades contra a humanidade.

E talvez seja justamente nesta polaridade entre os personagens Wolverine e Dentes-de-Sabre que resida o maior defeito do filme. Um é politicamente correto ao extremo, sendo que, quando foge dos eixos, basta gritarem: “___ Logan, você não é um animal!”, e pronto, ele fica calminho, calminho. Já Dentes-de-Sabre é malvado ao extremo. Quando não está quebrando espinhas ou arrancando cabeças por aí, está rindo de forma a provocar os seus adversários. Não há um equilíbrio entre os personagens, conforme havia entre o Batman (justiceiro reacionário) e o Coringa (niilista incompreendido) do excelente “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Logo, o espectador certamente notará uma certa artificialidade na formação da personalidade de ambos os personagens.

Por outro lado, “X-Men Origens: Wolverine” conta com muitos acertos. Vide o roteiro, por exemplo, que parece ter adotado uma tática “pega-crítico-de-Cinema”. Isso mesmo, “pega-crítico-de-Cinema”. Durante muitos momentos senti-me incomodado com os motivos que impulsionavam o personagem-sub-título a clamar por vingança, bem como considerei patética a sub-trama romântica inserida em seu primeiro ato. Já estava formulando em minha cabeça: “___ Quando for escrever a crítica do filme, deverei citar tais defeitos.”. Eis que a trama se desenrola e somos surpreendidos. Aquilo que parecia ser apenas um clichêzinho como outro qualquer torna-se um detalhe inerente para o resultado final da obra.

As sequências de ação do longa também são ótimas e, francamente, dentre todos os filmes que carregam consigo a marca “X-Men”, creio que este seja o que melhor se sai no quesito adrenalina. Não, não temos nenhuma cena que lembre a batalha final entre os mutantes de Xavier e os mutantes de Magneto, tampouco uma cena em que mostre a Golden Gate sendo destruída, assim como também não temos nenhuma sequência de luta tão bem coreografada conforme tínhamos no desfecho do episódio 2, mas o “plus” deste novo capítulo da saga dos mutantes não reside necessariamente em uma única cena, e sim no modo como a ação do mesmo é distribuída durante a projeção inteira, a ponto de jamais fazer com que nos sintamos entediados na poltrona do cinema (e novamente peguei a poltrona central, na fileira central da sala, mesmo a sessão estando lotada ao extremo). Particularmente, penso que este episódio tem mais ritmo que os demais.

O final do filme, no entanto, causa um certo desapontamento, e só não digo que é um tremendo fracasso pois as partes que envolvem ação (sempre elas) são fantásticas, sobretudo a luta envolvendo Wolverine, Dentes-de-Sabre e Deadpool e os efeitos especiais fantásticos que regam a mesma (uma pena ela ser relativamente curta). No mais, a aparição do Professor Charles Xavier é ridícula e totalmente fora de foco (e quando digo fora de foco, refiro-me àquele exato momento), e o modo como o roteiro justifica uma amnésia do protagonista, utilizando para tal as balas de adamantium, soa um tanto o quanto artificial.

X-Men Origens: Wolverine” é um filme de ação despretensioso. Seu roteiro não conta com uma trama tão complexa como a de “X-Men 2”, tampouco realiza uma ampla e reflexiva abordagem sobre o preconceito a tudo o que é tido como fora do comum (de acordo com os padrões sociais, é claro), conforme os demais filmes da trilogia anterior o faziam, mas fornece ao espectador uma estória repleta de reviravoltas e surpresas interessantes, além de se revelar uma distração bem acima da média, recheada de cenas de ação bastante atraentes, temperadas com ótimos efeitos visuais.

Em suma, vá ao cinema, e divirta-se.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

A Múmia: Tumba do Imperador Dragão – ° de *****

dezembro 16, 2008 Deixe um comentário
Novamente nos deparamos com mais um filme de seqüência e como em todo o filme de seqüência que se preze, temos abordada a clássica polêmica: estariam os roteiristas e produtores da indústria cinematográfica sofrendo um fortíssimo lapso de criatividade? Ou estariam eles aproveitando o sucesso obtido com o(s) episódio(s) anterior(es) da franquia e almejando realizar um novo blockbuster sem necessitar realizar um enorme esforço intelectual por parte dos envolvidos com a obra, já que a franquia do filme por si só já se revela forte o bastante para atrair milhares de pessoas aos cinemas? Ou seria a junção das duas hipóteses supracitadas? Pois eu aposto nesta última, dando muito mais ênfase à segunda, é claro. E é isto que esse “A Múmia – A Tumba do Imperador Dragão” se revela, uma seqüência preguiçosa, oportunista e desnecessária, cujo único propósito é arrecadar milhões de dólares com a bilheteria, sem ter de se esforçar muito para tal, uma vez que o longa todo não possui uma única ponta de originalidade, parecendo ter plagiado cada aspecto dos demais filmes do gênero.

Ficha Técnica:
Título Original: The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor.
Gênero: Aventura.
Tempo de Duração: 112 minutos.
Ano de Lançamento (EUA / Canadá / Alemanha): 2008.
Estúdio: Universal Pictures / The Sommers Company / Nowita Pictures / Relativity Media / Alphaville Films / Giant Studios / Sean Daniel Company.
Distribuição: Universal Pictures / UIP.
Direção: Rob Cohen.
Roteiro: Alfred Gough e Miles Millar.
Produção: Sean Daniel, Bob Ducsay, James Jacks e Stephen Sommers.
Música: Randy Edelman.
Fotografia: Simon Duggan.
Desenho de Produção: Nigel Phelps.
Direção de Arte: David Gaucher, Isabelle Guay, Nicolas Lepage e Jean-Pierre Paquet.
Figurino: Sanja Milkovic Hays.
Edição: Kelly Matsumoto e Joel Negron.
Efeitos Especiais: Digital Domain / Giant Studios / Special Effects Atlantic / Gentle Giant Studios / Rainmaker / Rhythm and Hues.
Elenco: Brendan Fraser (Rick O’Connell), Maria Bello (Evelyn O’Connell), Jet Li (Imperador Dragão), John Hannah (Jonathan Carnahan), Michelle Yeoh (Zi Juan), Luke Ford (Alex O’Connell), Isabella Leong (Lin), Anthony Wong Chau-Sang (General Yang), Russell Wong (Ming Guo), Liam Cunningham (Mad Dog Maguire), David Calder (Roger Wilson), Jessey Meng (Choi) e Tian Liang (Li Zhou).

Sinopse: O impiedoso imperador dragão (Jet Li) é amaldiçoado pela feiticeira Zi Juan (Michelle Yeoh), o que faz com que ele e seu exército de 10 mil homens seja petrificado. Mais de dois milênios depois o túmulo do imperador dragão é descoberto por Alex O’Connor (Luke Ford), filho dos aventureiros Rick (Brendan Fraser) e Evelyn (Maria Bello), que deixou os estudos para se dedicar à escavação. Seus pais não sabem do trabalho de Alex, que conta com a ajuda do tio, Jonathan Carnahan (John Hannah), dono de uma boate em Xangai. Atualmente Rick e Evelyn levam uma pacata vida em Londres, mas sentem falta da aventura. Um dia eles recebem a proposta de levar um precioso artefato a Xangai e, usando a desculpa de visitar Jonathan, aceitam a missão. Só que ao chegar eles são abordados pelo general Yang (Anthony Wong Chau-Sang), que deseja trazer o imperador dragão de volta à vida.

The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor – Trailer:

Crítica:

Procedido por dois outros filmes pipoca que já não eram lá dos melhores (apesar de serem ligeiramente divertidos), este terceiro episódio da série “A Múmia” parece ter vindo a fim de afundar a franquia de vez. Tudo aqui beira o ridículo, o supérfluo, o frívolo e à falta de originalidade. Falta de originalidade esta que já pode ser observada a partir do subtítulo desta bomba (e olhe que o fato de eu estar utilizando até mesmo o subtítulo deste verdadeiro lixo cinematográfico como artifício para avacalhá-lo é sinal de que o mesmo realmente conseguiu a façanha de me deixar ainda mais mal-humorado do que eu já acordei hoje): “A Tumba do Imperador Dragão”. Mas, afinal da contas, por que Dragão? Além de patético, nada original, marqueteiro e pedante, o subtítulo tenta conferir ao longa um tom de importância altamente desnecessário, tornando o filme ainda mais ridículo do que ele já é por si só.

Provavelmente o maior defeito deste “A Tumba do Imperador Dragão” (gargalhadas, muitas gargalhadas) ocorra justamente em cima do oportunismo financeiro visado pelos produtores do longa que almejaram arrecadar mais alguns milhões de dólares em cima da alta bilheteria já gerada pela franquia nos filmes anteriores. O problema é que os dois episódios antecessores pareciam já ter espremido o máximo que conseguiriam espremer de um roteiro que já nasceu falho (apesar de ligeiramente eficiente) e agora o que restou do mesmo foi um bagaço artístico de péssima qualidade, onde raramente algum cineasta, seja ele quem for, conseguiria a capacidade de extrair algo interessante disto.

Dando início à sua narrativa realizando uma prévia explicação histórica sobre os fatos que viriam a ser abordados mais tarde pelo roteiro (qual?), o longa já se afunda em todos os possíveis clichês do gênero, adotando uma mais que batida estória de maldição. O pior de tudo é constatarmos que a película vai se desenrolando e nenhum aspecto, seja técnico, seja artístico, acompanha o desenrolar da mesma. O roteiro, que já conta com uma trama nauseante, torna a situação ainda pior quando opta por inserir elementos completamente dispensáveis e fora de contexto à estória, obrigando o espectador a ter de tolerar baboseiras como crises familiares (abordadas da maneira mais batida o possível), a formação de um par romântico extremamente previsível e irritante e, acreditem, a inserção dos abomináveis homens das neves como colaboradores dos heróis do filme.

Sim, a falta de idéias para compor este lixo da Sétima Arte (se é que uma baboseira desta proporção pode ser alcunhada de Arte) é tão visível, que a dupla de roteiristas parvos, incompetentes, ridículos, palermas e idiotas, Alfred Gough e Miles Millar (após um trabalho asqueroso destes, creio que ambos deveriam ser exonerados da face da Terra sem o menor resquício de humanismo e/ou dignidade), se viu obrigada a apelar até mesmo a um recurso altamente artificial, tal como a inserção dos lendários Yetis (que, para piorar a situação, foram muito mal trabalhados pela equipe responsável pelos efeitos visuais do filme) na trama a fim de conferir algum chamariz a mesma (e ironicamente, acabaram tornando a mesma ainda mais patética do que ela já seria, e é, por si só).

Quanto à caracterização dos personagens então, nem se fala, esta dispensa comentários haja vista a sua mediocridade. Temos aqui um personagem mais estereotipado que o outro, em especial o tal Imperador Dragão (gargalhadas) que é abordado pelo roteiro tomando por base e alicerce todos (sim, eu disse: todos) os clichês possíveis a fim de se construir um vilão. Além de anunciar a sua maldade matando pessoas oprimidas e indefesas e fazendo as caretas mais carrancudas e artificiais o possível, o filme nos faz o “favor” de tornar a voz deste extremamente grave (chegando a lembrar até mesmo a ridícula voz de Xerxes no ótimo “300”), fato que colabora para que a experiência soe ainda mais irritante do que ela já é por si só. E não bastassem as imperdoáveis e inúmeras (ou seria melhor eu ter mencionado “infinitas” ao invés de “inúmeras”?) derrapadas que o roteiro dá na composição do vilão do longa, a atuação gritantemente inexpressiva e sem carisma do péssimo Jet Li (este que não faria falta alguma ao Cinema caso um dia levasse um tiro no meio da testa) consegue a façanha de transformar o Imperador Dragão em um dos mais ridículos vilões do Século XXI.

“___Mas e como entretenimento, o filme funciona?” ___ Pergunta-me o leitor. “___ Não!” ___ Respondo eu de maneira fria e objetiva. Para que um filme desta natureza possa obter êxito como uma mera obra de diversão, é necessário, no mínimo, que este contenha seqüências de aventura/ação satisfatórias, e isto não é o que ocorre aqui. Ou melhor, ocorrer até ocorre, mas o ridículo diretor Rob Cohen (que jamais imaginei ser capaz de dirigir algo mais pavoroso que “Velozes e Furiosos” e “Triplo X”, até assistir a esta bomba em questão) não demonstra a menor competência para conduzir tais seqüências e as estraga parcialmente (isso para não dizer: “quase inteiramente”). Sinceramente, creio que até mesmo o genial Edwin S. Potter, com toda a falta de tecnologia propícia na época (primeira década do Século XX), se mostrou capaz de realizar uma movimentação com a câmera de maneira mais satisfatória no fantástico curta “O Grande Assalto a Trem” de 1.903 (e confesso não estar mencionando isto hiperbolicamente).

Enfim, eu bem que poderia continuar a minha análise apresentando as demais falhas do filme (porque, acredite, esta bomba consegue conter ainda mais falhas do que as que já foram supracitadas), mas sinceramente não sei se vou me conter e manter a razão que procurei manter até então, sendo assim, a fim de privar-me de cometer injúrias e/ou difamações contra os envolvidos com este “projeto artístico de entretenimento” (atenção às aspas), encerro aqui este texto, redigindo algo que raramente escrevo em minhas análises (até mesmo por considerar isto uma total falta de ética), mas neste caso, não posso dar outro conselho ao leitor(a) que não seja: “evite, a todo custo, assistir a este filme”.

O quê? Ah sim, estava me esquecendo, devo manter a praxe em minhas críticas e reservar o último parágrafo para realizar um resumo da mesma. Pois vamos lá, “A Múmia – A Tumba do Imperador Dragão” se revela um filme previsivelmente (sim, pois era fácil prevermos que, pela maneira com que o segundo episódio se encerrou, as chances de extrairmos algo produtivo aqui seriam mínimas) ridículo e dispensável e, além de contar com quase todos os clichês e estereótipos do gênero, obriga o espectador a passar 92 minutos de seu precioso tempo (e digo precioso pois apesar de curto, o filme custa a passar, haja visto que a sua fraquíssima estória poderia facilmente ser desenvolvida em menos de 50 minutos) tendo que suportar uma estória nada original, carregada de alívios cômicos que não funcionam em hipótese alguma, atuações sofríveis e cenas de aventura/ação bem montadas mas terrivelmente dirigidas pelo péssimo Rob Cohen. Um dos piores filmes que tive o dúbio privilégio de assistir neste início de século.

Avaliação Final: 0,5 na escala de 10,0.

As Duas Faces da Lei – ** de *****

dezembro 15, 2008 Deixe um comentário
Para todos aqueles que se dizem fãs de Robert De Niro e Al Pacino, não há nada mais compensador do que vê-los atuando juntamente, dividindo a mesmíssima cena. Destarte, todo filme que traga as duas maiores lendas vivas de Hollywood (no que diz respeito à profissão de ator, é claro) reunidas merece ser conferido, nem que as únicas qualidades deste residam na atuação de ambos. Se ainda levarmos em conta que é cada vez mais raro este tipo de reunião ocorrer (uma vez que, segundo alguns tablóides, De Niro e Pacino não se simpatizam muito), uma obra que traga como principal ingrediente esta magistral dupla de atores ganha muitíssimo crédito e torna-se obrigatória a qualquer um que se diga amante das Artes Cênicas. Em 1.995 os fãs do (bom) Cinema puderam conferir o desempenho de ambos os atores no ótimo “Fogo Contra Fogo” que, além de nos brindar com uma magnífica dinâmica desenvolvida pela dupla, possuía um roteiro muito bom e uma interessante direção de Michael Mann. Infelizmente este “As Duas Faces da Lei” não obteve o mesmo êxito que o longa da década passada e ficou bem aquém do que podia se esperar de uma obra protagonizada pela dupla de atores vivos mais fantástica de Hollywood.

Ficha Técnica:
Título Original: Righteous Kill.
Gênero: Policial.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.righteouskill-themovie.com/
Nacionalidade: Estados Unidos.
Tempo de Duração: 93 minutos.
Diretor: Jon Avnet.
Roteirista: Russell Gerwitz.
Elenco: Al Pacino (David Fisk), Robert De Niro (Thomas Cowan), John Leguizamo (Detetive Perez), Donnie Wahlberg (Detetive Riley), Carla Gugino (Karen Kleisner), 50 Cent (Spider), Brian Dennehy (Tenente Hingus), Frank Jhn Hughes (Randall), Shirley Brener (Natalya), Adrian Martinez (Glenn), Trilby Glover (Jessica) e Antonino Paone (Matthew Natrella).

Sinopse: Ao investigar o assassinato de um popular cafetão, a dupla de detetives Thomas Cowan (Robert De Niro) e David Fisk (Al Pacino) se vê diante de um crime parecido com um outro que fora investigado por eles mesmos anos atrás. Da mesma forma que ocorreu no assassinato anterior o homicida desta vez também deixou um poema justificando o crime. Mais assassinatos desta natureza passam a acontecer e os policiais logo se dão conta de que estão diante de um serial killer e que, possivelmente, prenderam as pessoas erradas na investigação anterior.

Righteous Kill – Trailer:

Crítica:

Frustrante. Esta palavra define bem a sensação que se tem ao terminar de assistir a este “As Duas Faces da Lei” no cinema. Toda a expectativa gerada em volta do retorno da dupla Pacino e De Niro (eles atuaram juntos pela primeira vez no thriller “Fogo Contra Fogo”, há 13 anos, desde então, jamais voltaram a repetir a dose) fora por água abaixo, gerando um filme constituído por uma sinopse bastante interessante, mas trabalhada de maneira extremamente artificial pelo roteiro (que conta com o final mais forçado dos últimos tempos), que acaba se salvando ligeiramente graças às atuações de seus protagonistas e à direção de Jon Avnet que, embora se revele extremamente irregular durante o desenrolar da trama, confere bastante ritmo ao longa durante o seu primeiro ato.

Certamente, o maior problema com “As Duas Faces da Lei” reside na auto-confiança adquirida pelo mesmo, uma vez que este chega à errônea conclusão de que basta ter as duas maiores lendas vivas de Hollywood (e quando digo “maiores lendas vivas” refiro-me unicamente à profissão de ator) como ingrediente principal para se realizar uma obra brilhante e magnífica. O problema é que os responsáveis pelo filme se esquecem de que o principal ingrediente de uma obra-cinematográfica é o roteiro da mesma. Não que a estória do longa seja das piores, longe disso (apesar da mesma conter inúmeras falhas), mas o bem da verdade é que o mínimo que se pode esperar de um roteiro decente é que o mesmo aborde seus personagens principais de modo que faça o público se cativar com eles.

Em “As Duas Faces da Lei” a dupla de tiras interpretada por De Niro e Pacino é simplesmente jogada na tela e o filme sugere que o espectador, logo de cara, sinta-se envolvido pelos mesmos. Mas como podemos nos envolver com dois personagens que mal nos foram apresentados? Pois é, como havia mencionado anteriormente, é justamente aí que reside o maior defeito do filme: o de deduzir que somente o fato de contar com dois atores carismáticos e lendários em cena bastaria para que nos cativássemos instantaneamente com os seus respectivos personagens. Ledo engano.

Vide o personagem de Pacino, por exemplo. Não fosse a magistral atuação do eterno Michael Corleone, o detetive David Fisk não possuiria a menor razão de existir, uma vez que o mesmo nem ao menos diz a que veio na trama. Ou melhor, além de dar espaço para que o brilhante ator mostre todo o seu potencial, o personagem de Pacino tem sim um outro propósito no filme, afinal de contas, não fosse por ele, o desfecho de “As Duas Faces da Lei” seria completamente diferente. E é aí que caímos em um outro dilema: será que não valeria a pena o encerramento desta película ser completamente diferente, uma vez que o mesmo soa deveras artificial?

E o que podemos dizer então da postura de “cara durão” dos personagens de Robert De Niro e Al Pacino? Se há algo que me atraiu imensamente no ótimo “Rocky Balboa” foi a perspicácia que o roteiro, e o próprio Stallone, tiveram em reconhecer e admitir que um dos maiores astros dos anos 1970 estava velho demais para bancar o rapagão durão, conforme o fizera anos atrás. Os responsáveis por este “As Duas Faces da Lei” teriam que ter tido a mesma perspicácia e, ao invés de exibirem ambos os atores esmurrando bandidos, fazendo carrancas e mantendo conjunções carnais com jovens mulheres, deveriam nos apresentar aos protagonistas do longa de um modo mais realista, convincente e bem menos exagerado.

Outra falha crassa contida no longa é a dificuldade que o roteiro encontra ao tentar definir um gênero a si mesmo. Não sabemos ao certo se estamos diante de um drama policial, ou simplesmente de um filme policial, ou de um drama convencional, ou ainda de um filme de suspense ou um thriller. É claro que, caso o roteirista Russell Gerwitz houvesse, ao menos, explorado de maneira decente cada um destes gêneros, teríamos um longa bastante rico e cativante, mas não é isso o que acontece. Como drama, o filme falha, pois explora os seus protagonistas de maneira pouco satisfatória; como policial o maior defeito reside na estória, que é inicialmente interessante, mas durante o desenrolar da trama se revela muito artificial e, por fim, como suspense ou thriller, o longa decepciona, pois jamais consegue passar tensão ao espectador da maneira que deveria (muito pelo contrário, o filme é bem chato, diga-se).

Sendo assim, podemos concluir que as únicas qualidades da obra dizem respeito às brilhantes atuações de sua dupla de protagonistas e à direção dinâmica de Avnet que, apesar de se revelar simples demais durante o desenrolar da trama, se mostra bastante competente durante o início do longa, conferindo bastante ritmo a este. No mais, somos obrigados a encarar um filme totalmente falho e decepcionante, do tipo que De Niro e Pacino deveriam passar longe a fim de preservarem as próprias carreiras que, em um passado muito, muito distante, arrancaram diversos dos momentos mais marcantes, inspirados e clássicos da história do Cinema.

Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.

Busca Implacável – *** de *****

dezembro 8, 2008 Deixe um comentário

Eu sei que este será o típico comentário de um indivíduo que acabara de falhar na tentativa de ter uma ereção com uma mulher entre quatro paredes, mas é justamente o que estou sentindo no exato momento, estou com aquela incômoda sensação de que “isto nunca me aconteceu antes”. “___Isto o quê?”. Pergunta-me o leitor. A falta de inspiração em escrever um texto a respeito do filme que acabei de assistir. Posso ter inúmeras falhas como crítico de Cinema, mas creio que do mal da falta de inspiração não sofro. Independentemente do que penso sobre uma determinada obra cinematográfica, no que diz respeito à qualidade da mesma, sempre encontro o mínimo de inspiração necessária a fim de escrever sobre esta, fato que não ocorreu comigo logo após o término deste “Busca Implacável”. O que falar de um filme que, a meu ver, não fede e não cheira (na verdade cheira um pouco mais do que fede)? Pois é, encontro-me neste dilema no exato momento, mas enfim, farei o possível para ilustrar ao leitor a minha opinião sobre o mesmo.


Ficha Técnica:
Título Original: Taken.
Gênero: Ação.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.takenmovie.com/
Nacionalidade: França.
Tempo de Duração: 93 minutos.
Diretor: Pierre Morel.
Roteirista: Luc Besson, e Robert Mark Kamen.
Elenco: Liam Neeson (Bryan), Xander Berkeley (Stuart), Maggie Grace (Kim), Olivier Rabourdin (Jean Claude), Famke Janssen (Lenore), Katie Cassidy (Amanda), Nicolas Giraud (Peter), Leland Orser (Sam), Jon Gries (Casey), David Warshofsky (Bernie), Holly Valance (Diva), Gérard Watkins (Saint Clair), Arben Bajraktaraj (Marko), Radivoje Bukvic (Anton), Camille Japy (Isabelle), Valentin Kalaj (Vinz) e Marc Amyot (Farmacêutico).

Sinopse: Após ouvir, através de uma ligação telefônica, sua filha única sendo seqüestrada em Paris, Bryan (Liam Neeson), um agente secreto aposentado, parte de Los Angeles à capital da França com o intento de resgatar a garota. O que Bryan não sabe é que a gangue que seqüestrou a jovem é de alta periculosidade e isto dificultará muito a sua missão.

Taken – Trailer:

Crítica:

Não, não confie na sinopse supracitada. Sim, eu sei, ela foi escrita por mim, assim como a grande maioria das sinopses dos vários filmes encontrados neste site, mas ainda assim peço ao leitor que não confie plenamente na mesma, mormente no final desta onde aparece escrito: “gangue… de alta periculosidade”. O motivo? Por mais perigosos e numerosos (e realmente são numerosos) que os bandidos aparentem ser, o protagonista Bryan se mostra capaz de derrotá-los facilmente, em fração de segundos. Em suma, a gangue não aparenta ser de tão alta periculosidade conforme aponta a sinopse, uma vez que o protagonista os derrota com uma facilidade demasiadamente artificial.

“___ Seria Bryan o estereotipo do mocinho dos filmes de ação produzidos nos anos 80 e protagonizados por Arnold Schwarzenegger e Silvester Stallone?” ___ Me pergunta o leitor. Eu respondo: “___ Sim e (ao mesmo tempo) não!”. O personagem de Liam Neeson segue sim o estereotipo do protagonista durão que enfrenta e desmantela uma quadrilha inteira de marginais com a maior facilidade do mundo, mas há algumas peculiaridades que o diferencia de ícones como John Rambo e Coronel John Matrix, dentre as quais cito: a sua consistência física (Bryan foge do estereotipo do ex-militar musculoso), sua dependência por aparelhos tecnológicos e a perspicácia em saber utilizá-los (lembrando muito James Bond), suas atitudes politicamente incorretas (fugindo do mocinho bonzinho convencional que filmes deste tipo nos apresenta. Repare na maneira fria como Bryan, a fim de obter informações, atira em uma pessoa inocente e eletrocuta um criminoso) e o modo como este é bem encarnado mediante a boa atuação do ator norte-irlandês (uma vez que Stallone e Schwarzenegger interpretavam muito mal seus respectivos personagens, ao contrário de Neeson nesta produção).

Mas se Bryan não é necessariamente o estereótipo de John Rambo e conta com uma atuação bastante interessante do sempre excelente Liam Neeson, o roteiro do filme, infelizmente, não se esforça nem um pouco para criar diálogos inteligentes a fim de compor o protagonista de um modo mais dramático e natural. Sendo assim, somos obrigados a ouvir o mesmo proferindo baboseiras do tipo: “___ Vocês seqüestraram minha filha, pois saibam que conto com um conjunto particular de habilidades adquiridas ao longo de minha carreira como agente secreto e estou disposto a utilizar todas elas contra vocês.”. Mais pedante, megalomaníaco e artificial, impossível, não é mesmo?

E o que dizer então do argumento, que nada mais é do que uma cópia descarada da sinopse de “Comando Para Matar”? A única diferença aqui é que as situações pelas quais o protagonista passa são um pouco desiguais e a estória ocorre em Paris. E já que mencionamos a histórica cidade luz, não há como não reparar na falha tentativa que o longa realiza ao almejar ser uma espécie de cartão-postal da Capital da França. Repare, por exemplo, no modo como o diretor Pierre Morel se esforça para, sempre que possível, criar uma tomada aérea com o intento de exibir os pontos turísticos da cidade, em especial a Torre Eifel. O problema é que tais atitudes se revelam gritantemente artificiais e indelicadas e, sejamos francos, o tipo de público que vai aos cinemas assistir a este “Busca Implacável” (e que titulizinho mais ridículo este, não? Tanto o original quanto, principalmente (só para “variar”), o nacional) não têm o intento de conhecer Paris mediante tomadas aéreas, e sim de conferir cenas de ação eletrizantes.

“___ E tais cenas de ação são realmente eletrizantes?” ___ Me pergunta o leitor. “___ Otimamente eletrizantes!” ___ Respondo eu. Aqueles que lêem os meus textos com certa freqüência sabem perfeitamente que, ao avaliar um determinado filme, em primeiro lugar, analiso o conteúdo artístico do mesmo e, caso este ouse inovar de uma maneira que realmente obtenha um resultado satisfatório, confiro-lhe, automaticamente, uma nota acima da média (que, no caso, é 6,0). Este “Busca Implacável” não se atreveu a inovar nem um pouco (muito pelo contrário, conta com um clichê atrás do outro), mas ao menos consegue cumprir o seu objetivo principal, que é entreter o público alvo, de maneira ligeiramente convincente. É o típico filme que pode ser resumido em uma única frase: “Apresenta mais do mesmo, mas consegue nos divertir com êxito”.

O quê? Ah sim, comecei o parágrafo acima mencionando que as cenas de ação são ótimas e esqueci-me de concluir tal asserção. Pois bem, corrijo-me então fazendo-o aqui. Se falta originalidade, naturalidade e dramaticidade ao filme, ao menos ele conta com seqüências de ação muito bem distribuídas ao longo de sua projeção e que cumprem com maestria a função de entreter o público. Que tais cenas abusam do absurdo, isto não se tenha dúvidas, mas não há como negar que estas nos mantém bastante entretidos. Vide a perseguição automobilística ocorrida no meio do filme (para se ter uma idéia do que estou afirmando) é a típica cena absurda onde uma única pessoa consegue despistar cerca de sete ou oito veículos. Contudo, não há como negar que tal cena consegue prender o espectador e conferir alguma tensão a este, mesmo com a câmera excessivamente tremida de Pierre Morel (seria ele o Michael Bay francês? Faço votos para que não).

“Busca Implacável” é o típico filme que certamente não irá acrescentar nada de especial em sua vida, e você provavelmente irá se esquecer deste minutos após o término da sessão, mas não há como negar que o mesmo se revela um bom passatempo e, em muitos casos, só isso já basta.

Avaliação Final: 6,0 na escala de 10,0.