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Archive for the ‘Crítica’ Category

O Falcão Maltês – ***** de *****

Assisti a “O Falcão Maltês” pela primeira vez no ano de 2.000, quando tinha apenas 16 anos, e mesmo não sendo um grande fã de filmes antigos naquela época, havia adorado o filme de John Huston. Não sei se fora necessariamente a trama complexa e bem bolada que me chamou atenção ou o personagem de Humphrey Bogart, com um charme e um carisma de fazer inveja a qualquer James Bond. Passados nove anos decidi assistir a “Acossado” de Jean-Luc Godard e logo nos primeiros minutos de projeção virei fã incondicional do filme francês, onde um dos destaques principais fica com o protagonista Michel, claramente influenciado pelo Sam Spade de Bogart. Fiquei tanto com o filme de Godard quanto com o filme de Huston no cabeça e, nesta semana, pude matar tal ansiedade quando, surpreendentemente, encontrei o DVD de “O Falcão Maltês”. Não pensei duas vezes, loquei o filme e trouxe para casa, onde poderia assisti-lo o quanto antes. O resultado é que continuo adorando a obra-prima mais influente do Cinema Noir.


Ficha Técnica:
Título Original: The Maltese Falcon
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento (EUA):
1941
Direção: John Huston
Roteiro: John Huston, baseado em livro de Dashiell Hammett
Elenco: Humphrey Bogart (Sam Spade), Mary Astor (Brigid O’Shaughnessy), Gladys George (Iva Archer), Peter Lorre (Joel Cairo), Barton MacLane (Detetive Dundy), Lee Patrick (Effie Perine), Sydney Greenstreet (Kasper Gutman), Ward Bond (Detetive Tom Polhaus), Jerome Cowan (Miles Archer) e Elisha Cook Jr. (Wilmer Cook).


Sinopse: Um detetive particular (Humphrey Bogart) é procurado por uma mulher misteriosa (Mary Astor), que alega estar sendo ameaçada. Mas tanto o seu perseguidor quanto o homem encarregado de protegê-la aparecem mortos e tudo gira em torno de uma estátua de falcão de valor incalculável.


The Maltese Falcon – Trailer:


Crítica:

Quando falamos sobre “O Falcão Maltês” (conhecido também como “Relíquia Macabra”, que nada mais é do que um título marqueteiro e inconveniente) logo temos certeza de dois pontos extraordinários: o primeiro é que o filme trata-se de um dos dois mais importantes exemplares da era noir do Cinema (concorre ao posto de “mais importante” diretamente com o perfeito “Crepúsculo dos Deuses” de Billy Wilder) e o segundo é que a obra em questão trata-se de um dos mais admiráveis filmes da história da sétima Arte, falando em um contexto geral.

Tido pela grande maioria dos críticos e cinéfilos do mundo todo como a obra-prima máxima do consagrado cineasta John Huston (alguns ainda afirmam ser “O Tesouro de Sierra Madre”, “Uma Aventura na África”. “Moulin Rouge (1952)” ou “O Homem Que Queria Ser Rei”, mas, ao menos desta vez, concordo com a opinião da maioria), o longa tem como maior atrativo a atuação de Humphrey Bogart, que transforma o seu Sam Spade em um dos personagens mais marcantes e inesquecíveis da história da Sétima Arte, seja pelo tom de voz inigualável empregado pelo ator (que também o fazia excelentemente bem no sensacional “Casablanca”), seja pelos inolvidáveis maneirismos utilizados pelo astro hollywoodiano.

Spade entra em cena através de uma clássica sequência onde, sentado atrás de uma mesa de escritório e vestindo um chapéu que quase lhe cobre os olhos por inteiro, enrola um cigarro e o fuma enquanto atende uma mulher formalmente trajada. A composição de Bogart é praticamente perfeita, seu personagem lhe cai tão bem quanto uma luva, e o ator consegue, com maestria, transformar o protagonista em um sujeito ainda mais cafajeste do que ele já é por si só. Longe de aparentar ser o típico herói de filmes deste gênero, Spade revela-se um sujeito moralmente incorreto e dotado de atitudes imprevisíveis (“___ Você é o homem mais imprevisível que já conheci.” ___ Menciona Brigid O’Shaughnessy em um determinado momento do filme), que não se vê capaz de esconder a sua ganância pelo dinheiro (nisso, o seu Spade lembra um pouco o seu Dobbs, só que em doses de ambição muito mais homeopáticas) e, não bastasse isso, tem um caso de amor com a esposa de seu sócio que, além de desprezar completamente, não demonstra a menor compaixão quando fica sabendo da morte deste.

As demais figuras que compõem o rol de personagens também seguem a linha do protagonista e, assim como na grande maioria das obras que constituem o subgênero film noir, são todos indivíduos de caráter duvidoso, variando desde a mocinha que se passa por garota meiga, mas na verdade é demasiadamente perigosa, ao vilão que se mostra capaz de sacrificar um grande amigo (que é tido como um filho para ele) a fim de conseguir um objeto extremamente ambicionado por si.

A trama também faz jus aos personagens que a integram e, mesmo aparentando ser um tanto o quanto previsível em alguns poucos momentos, é extremamente bem amarrada e suficientemente interessante e complexa para nos prender a atenção do início ao fim do longa, sem jamais se revelar fadigosa e/ou aborrecedora. Os diálogos, por sua vez, são ágeis, secos, ácidos, ríspidos e dinâmicos, e enriquecem ainda mais o roteiro que já se mostra excepcional se o analisarmos individualmente.

Longe de ser apenas um donairoso e excelente exemplar do gênero cinematográfico suspense-policial, “O Falcão Maltês” merece destaque mormente por ser um dos filmes que mais serviram de inspiração para formar, não somente a Hollywood, mas também o Cinema mundial o qual conhecemos hoje. Entre as películas e cineastas os quais podemos citar que foram direta ou indiretamente influenciados pela obra-prima máxima de John Huston (e leve em conta que este foi o primeiro filme por ele dirigido) estão: “Acossado” de Jean-Luc Godard, “Um Corpo Que Cai” de Alfred Hitchcock, “O Terceiro Homem” de Orson Welles e “Pacto de Sangue” de Billy Wilder. Em outras palavras: se é de seu interesse adquirir um estimável conhecimento em Cinema e, acima de tudo, em Cinema Noir, “O Falcão Maltês” torna-se um filme mais do que mister para tal.

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

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Um Corpo Que Cai – ***** de *****

Não gosto de dar nota 9,5 a qualquer filme que seja. Muitas vezes já dei notas exageradamente quebradas a muitas obras do Cinema, mas 9,5, sabe-se lá o porquê, nunca gostei de conferir a filme algum. Em “Um Corpo Que Cai” vi-me impossibilitado de manter esta tradição, pois sabia claramente que estava diante de um filme perfeito demais para receber uma nota 9,0 (avaliação que atribuo a produções excelentes). Entretanto, mesmo sendo uma obra praticamente completa e esmerada, “Um Corpo Que Cai” se revelou um longa metragem levemente falho quanto à ligeira previsibilidade contida em seu roteiro, uma vez que, com o passar do tempo, começamos a ter uma noção de como o filme irá se encerrar. De qualquer forma, o suspense é atormentador do início ao fim e nos deixa com um sentimento de curiosidade para lá de insuportável, conforme poderemos perceber mais abaixo, no texto do filme.

Ficha Técnica:
Título Original: Vertigo.
Gênero: Suspense.
Tempo de Duração: 128 minutos.
Ano de Lançamento: 1958.
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Alfred Hitchcock.
Roteiro: Samuel A. Taylor e Alec Coppel, baseado em livro de Pierre Boileau e Thomas Narcejac.
Elenco: James Stewart (John “Scottie” Ferguson), Kim Novak (Madeleine Elster), Barbara Bel Geddes (Marjorie “Midge” Wood), Tom Helmore (Gavin Elster), Raymond Bailey (Médico de John), Konstantin Shayne (Pop Leibel), Ellen Corby, Lee Patrick, Henry Jones e Alfred Hitchcock.

Sinopse: Em São Francisco, um detetive aposentado (James Stewart) que sofre de um terrível medo de alturas é encarregado de vigiar uma mulher (Kim Novak) com possíveis tendências suicidas, até que algo estranho acontece nesta missão.

Fonte Sinopse: Adoro Cinema.

Vertigo – Trailer:

Crítica:

Ao lado de “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e “Apocalypse Now”, “Um Corpo Que Cai” figura facilmente no topo da lista dos filmes mais aterrorizantemente perturbadores a que já assisti. E quando menciono “perturbadores” não me refiro à capacidade deste filme fazer com que nos sintamos mal após o término de sua sessão, como é o que acontece no perfeito “Clube da Luta”, no excelente “Dogville” e no ótimo “Violência Gratuita”, mas sim à perfeição com a qual o mesmo nos passa uma incômoda e desesperadora sensação de que, até o desfecho do longa, iremos morrer (a sensação que o filme de Kubrick nos passa) ou ficarmos completamente alucinados (a sensação que o filme de Coppola nos passa).

A princípio, o longa soa simples e convencional. Não reparamos em nada demais no mesmo. O protagonista é um velho detetive que se encontra afastado da polícia devido a um trauma que contraiu em uma missão onde ficou pendurado no telhado de um prédio a uma altura considerável do chão. Seu nome é John Ferguson, vulgo Scottie. Ferguson recebe uma proposta de um antigo colega de faculdade, Gavin Elster, que pede para que ele vigie a sua esposa, Madeleine Elster, que vem agindo com demasiada estranheza ultimamente, praticamente “vivendo” a vida de uma mulher que cometera suicídio no passado.

Conforme a trama vai se desenrolando e alguns pontos vão sendo claramente explicados, nos vemos diante de uma estória que mostra três possíveis caminhos a serem percorridos, e por mais que muitos deles se mostrem significantemente inverossímeis, eles jamais podem ser alcunhados de desconexos ou implausíveis de serem absorvidos dentro do contexto da obra em questão. Hitchcock cria aqui um emaranhado de possibilidades que podem muito bem ser estendidas tanto a um suspense, quanto a um terror paranormal, fazendo com que a curiosidade que passa a crescer dentro de nós, espectadores, se torne forte o bastante para não conseguirmos aprisioná-la racionalmente no interior de nossos próprios corpos, chegando a ponto de quase perdermos a razão e sairmos gritando pelas ruas.

O filme trata de um caso paranormal? De um encosto espiritual que muda completamente a personalidade de uma pessoa? De uma personagem com uma mera inclinação suicida? De um homicídio armado? De um caso de loucura elevada à máxima potência? Difícil respondermos até a metade da projeção. E por mais que a trama soe levemente previsível durante alguns poucos momentos, não há como deixarmos de levantar todas estas questões e traçarmos mentalmente as várias hipóteses as quais o longa pode real e definitivamente nos levar.

Enquanto não chegamos a uma exata conclusão do caso, passamos a nos perturbar imensamente. O filme incomoda, atormenta, ganha vida, nos abraça e não nos larga jamais. Chegamos a ter medo de ficar o acompanhando diante da tela e, quando o desfecho enfim acontece e os créditos finais aparecem, o suspense ainda se mostra capaz de nos deixar enleados com o que acabamos de presenciar em seus atormentadores últimos segundos de projeção.

E não só o suspense em si se revela intenso o bastante para nos fazer fixar e grudar os olhos na tela. Conforme fora mencionado na quarta linha do parágrafo anterior, o mistério tem uma luz quando o filme praticamente chega a sua metade. Mas então qual seria a graça de continuarmos acompanhando a trama por mais uma hora, já que sabemos parcialmente o que havia ocorrido? Respondendo sucintamente: a graça está em notarmos o modo como a vida de Ferguson fica alterada após o ocorrido. Os roteiristas Samuel A. Taylor e Alec Coppel acertam em cheio ao fazer com que os espectadores tenham um ligeiro conhecimento do ocorrido durante a metade do filme, pois é a partir daí que podemos sentir na pele o drama do protagonista, que sabe muito menos do que nós mesmos sabemos.

Passamos a nos incomodar com o rumo que a vida de Ferguson vai tomando e nutrimos uma vontade moral de penetrar na tela e dizer ao detetive o que realmente aconteceu. Obviamente nos vemos impossibilitados de realizar tal façanha, o que acaba nos atormentando ainda mais. Acompanhamos então a rotina de um homem que passa a viver a beira da loucura, até que um determinado incidente muda tudo. E é justamente quando pensamos que Scottie deixará de atormentar tanto a si mesmo que passamos a testemunhar uma subtrama ainda mais transtornadora. Trata-se do doentio romance que o protagonista passa a ter com uma personagem que surge próxima do desfecho do filme, algo que se revela tão cativante quanto o mistério que havíamos presenciado há pouco tempo atrás e se firma competente o bastante para segurar a trama com o mesmo ritmo com o qual esta se iniciou.

Entretanto, por mais destaque que a excelente trama mereça, não posso deixar de citar também a direção de Alfred Hitchcock. Por mais que o meu desejo ultimamente seja o de, cada vez mais, reduzir os meus textos, torna-se impossível não alongar esta crítica um pouco mais para falar do grande gênio do suspense cinematográfico e, considerado por muitos (o que está longe de ser o meu caso, mas enfim…), do Cinema como um todo, superando até mesmo mestres do naipe de Stanley Kubrick, Orson Welles, Jean-Luc Godard e Jean Renoir.

Hitchcock sempre levou fama de ser extremamente inventivo e ousado e “Um Corpo Que Cai” talvez seja a maior prova disso. Foi através deste filme que, a fim de fazer com que o espectador senti-se na pele a acrofobia característica do protagonista, o diretor criou a técnica chamada de “zoom out”, que viria a ser empregada por Stanley Kubrick em clássicos absolutos como “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e, principalmente, “Laranja Mecânica”.

Um simples diretor teria filmado o excelente James Stewart olhando para baixo e fingindo estar com um terrível atordoamento, mas Hitchcock o fez de um modo muito superior. Fez com que nós, espectadores, também partilhássemos da sensação vivenciada pelo protagonista. É como se “ganhássemos” o mesmo par de olhos utilizado por Scottie e começássemos a sentir a mesma vertigem que ele, o que só vem a fazer com que a trama toda soe ainda mais verossímil do que ela soaria nas mãos de um outro cineasta qualquer.

Não sei se “Um Corpo Que Cai” pode ser tida como a grande obra-prima da magistral carreira de Alfred Hitchcock. Talvez outras obras como “Janela Indiscreta”, “Psicose” e até mesmo “Rebecca – A Mulher Inesquecível” mereçam mais este título. Ou talvez não. Mas isso não importa. O importante é que “Um Corpo Que Cai” é um filme que deve obrigatoriamente fazer parte da lista de filmes assistidos por qualquer pessoa que se diga cinéfila.

Mais do que meramente recomendado, “Um Corpo Que Cai” é um filme obrigatório.

Avaliação Final: 9,5 na escala de 10,0.

Star Trek – **** de *****

Não sou fã incondicional da franquia “Star Trek” (exceto no que se refere ao filme “Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan”, que é o único que considero como sendo uma verdadeira obra-prima do Cinema) e isso diz respeito tanto aos episódios feitos para a televisão, ao longo da década de 1.960, quanto aos episódios feitos para o Cinema, produzidos, em sua maioria, ao longo da década de 1.980. Contudo, o meu pai é simplesmente fanático pela série (a Velha Geração somente, apesar de ele gostar um pouco da Nova Geração) e coleciona quase tudo o que vê pela frente e refere-se à mesma. Logo, por mais que o meu fanatismo por “Star Trek” esteja longe de, sequer, engraxar as botas da paixão que nutro por “Star Wars”, respeito, e muito, a franquia, e ouso dizer que, principalmente por influencia de meu progenitor, tenho um conhecimento até que razoável sobre a mesma. Não sei, no entanto, se esse conhecimento é razoável o bastante para fazer uma análise dos filmes antigos com este mais novo episódio que acaba de chegar aos cinemas do mundo todo, mas enfim, vamos arriscar e vê no que dá.
Ficha Técnica:
Título Original: Star Trek
Gênero: Ficção Científica
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Site Oficial: http://www.startrekmovie.com
Países de Origem: Estados Unidos da América e Alemanha
Direção: J.J. Abrams
Roteiro: Alex Kurtzman e Roberto Orci, baseado em série de TV criada por Gene Roddenberry
Elenco: Chris Pine (James Tiberious Kirk), Zachary Quinto (Spock), Leonard Nimoy (Spock Prime), Eric Bana (Nero), Bruce Greenwood (Capitão Christopher Pike), Karl Urban (Dr. Leonard “Bones” McCoy), Zoe Saldana (Nyota Uhura), Simon Pegg (Scotty), John Cho (Hikaru Sulu), Anton Yelchin (Pavel Chekov), Ben Cross (Sarek), Winona Ryder (Amanda Grayson), Chris Hernsworth (George Kirk), Jennifer Morrison (Winona Kirk), Rachel Nichols (Gaila), Faran Tahir (Capitão Robau), Clifton Collins Jr. (Ayel), Antonio Elias (Oficial Pitts), Freda Foh Shen (Kelvin Helmsman), Jimmy Bennet (James T. Kirk – jovem), Jacob Kogan (Spock – jovem), Tyler Perry (Almirante Richard Barnett), Ben Biswagner (Almirante James Komack) e Akiva Goldsman (Integrante do Conselho Vulcano).

Sinopse: James Tiberious Kirk (Chris Pine) é um jovem rebelde inconformado com a morte de seu pai. Certo dia, recebe convite para fazer parte da formação de novos cadetes para a Frota Estelar. Uma vez lá conhece Spock (Zachary Quinto), um vulcano que optou por deixar seu planeta porque é metade humano e discordava do preconceito. Durante o treinamento, e também na primeira missão, os dois vivenciam novas experiências provocadas por seus estilos diametralmente opostos. Assim, Spock, o cerebral, e Kirk, o passional, viverão uma grande aventura ao lado de outros tradicionais integrantes da tripulação da U.S.S. Enterprise, a mais avançada nave espacial da época. (Roberto Cunha).

Fonte Sinopse: Adoro Cinema

Star Trek – Trailer:

Crítica:

Há muito tempo (muito tempo mesmo) citei que J. J. Abrams era uma das poucas falhas contidas no ótimo “Missão: Impossível 3”. Ao contrário de boa parte da crítica especializada, a “handcam” empregada pelo diretor não me agradara nem um pouco, haja visto o ritmo atordoantemente frenético que a mesma havia conferido ao filme que, sob mãos mais seguras e menos histéricas, nos seria capaz de proporcionar sequências de ação mais aproveitavelmente divertidas.

Em “Star Trek” digo justamente o contrário. O mérito da produção em questão é, acima de tudo, de J. J. Abrams. Desta vez o cineasta (que é também o responsável pela série televisava “Lost”, que eu nunca assisti e, sabe-se lá o porquê, nem pretendo faze-lo) adota uma direção mais segura e se mostra responsável por um trabalho de câmeras muito mais consistente do que o que havia realizado no longa estrelado pelo superestimado Tom Cruise.

E não apenas o modo como filma as cenas de ação ou as técnicas que adota para movimentar a sua câmera fazem deste seu mais novo trabalho algo digno dos mais sinceros elogios. Abrams destaca-se também ao utilizar algumas perspicácias que conferem à sua direção a aparência de ter sido realizada por um cineasta bem mais experiente. É o caso de uma cena onde um personagem menciona: “___ Aprendi isso com um amigo meu” e, logo em seguida, o diretor retira a câmera do foco que havia feito em cima do interlocutor e realiza um curto e rápido, embora suave, “travelling” no personagem o qual ele se referia. Sem necessitar dizer uma única palavra, já percebemos que o tal personagem era a pessoa a qual o interlocutor se referia. É como sempre dizem: uma imagem vale mais do que mil palavras e, no caso do Cinema, uma imagem competentemente filmada passa a valer muito mais.

Todavia, devo ressaltar que a grande maioria do público que vai aos cinemas contemplar “Star Trek” está, na verdade, ansiando buscar uma sessão nostalgia ao lado de personagens marcantes como o Capitão Kirk, o Sr. Sulu, o Dr. McCoy e, é claro, o Sr. Spok, e não testemunhar o trabalho de Abrams como diretor. A pergunta que fica no ar então é a seguinte: “o filme faz jus à clássica saga cinematográfica iniciada em 1.979 e, principalmente, à ainda mais clássica série televisiva que levava os seus respectivos apreciadores à loucura durante os anos 1.960?”. A resposta para esta questão é, como não poderia deixar de ser: depende.

Quando o filme em questão se inicia, logo sentimos falta da marcante música-tema que, ao contrário dos episódios anteriores, não abre este longa, o que nos resulta em uma certa frustração. Tentamos esquecer esta pequena grande falha e, conforme a projeção avança, percebemos que estamos diante de uma trama bastante complexa e intrincada, mas não há como deixarmos de reparar em dois pontos em especial. O primeiro é que “Star Trek” conta com cenas de ação em excesso e muitas vezes se esquece de parar para explorar os seus personagens ou a sua própria estória. O segundo apontamento é que a trama, apesar de abstrusa, não atinge o mesmo grau de complexidade que muitos episódios da série televisava, ou até mesmo da série cinematográfica (como “Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan” (só uma curiosidade: é estranho notar que “Jornada nas Estrelas” é uma das poucas franquias cinematográficas onde o episódio original não apenas não é o melhor, como também é um dos piores), apenas para citar um exemplo) conseguiam atingir.

Mas em momento algum, no entanto, temos a sensação de que estamos assistindo a um filme “hollywoodiano” qualquer. Tampouco posso afirmar que “Star Trek” não resgata a magia do seriado que lhe deu origem. A música-tema original faz falta? E como. O excesso de cenas de ação soa estranho para um filme que carrega consigo a “marca” “Jornada nas Estrelas”? Certamente soa. A trama conta com mais ação do que ficção científica propriamente dita? Não resta uma dúvida sequer quanto a isso. Mas ainda assim o filme encontra-se em um patamar muito superior a das produções atualmente padronizadas por Hollywood.

Se a indústria cinematográfica vem, cada vez mais, insultando a nossa inteligência com baboseiras do naipe de “Velozes & Furiosos 4”, “Star Trek” aparece como um colírio para os nossos olhos e, ao invés de zombar do atilamento de seu público alvo, realiza uma trama que, apesar de não ser tão complexa quanto o esperado, é muitíssimo bem vinculada, muitíssimo bem arquitetada e aborda de forma satisfatória questões físicas, astrofísicas e científicas.

“Star Trek” provavelmente não é a obra-prima que os fãs tanto esperavam, mas ainda assim revela-se uma agradabilíssima sessão nostálgica e faz jus aos mais clássicos momentos de toda a saga televisiva e cinematográfica que marcou uma geração inteira de adolescentes (que agora são nossos pais). A trama é suficientemente interessante, apesar de não ser tão complexa quanto o esperado; o elenco cumpre muito bem as suas funções; as cenas de ação, apesar de excessivas, são eletrizantes e extremamente bem dirigidas por J. J. Abrams, que realiza aqui o seu melhor trabalho direcionado à sétima Arte.

E se encerro no clichê, é porque não vejo outro modo de fazê-lo, mas enfim: “vida longa e próspera à nova investida cinematográfica da franquia “Star Trek”.”.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

Amarcord – ***** de *****

maio 23, 2009 2 comentários

Há muito tempo não assistia a Fellini e concluí: devo fazê-lo o quanto antes. Oras, o italiano é, talvez, o meu terceiro cineasta predileto (perdendo apenas para Kubrick, Godard e empatando, talvez, com Bergman), por que então não assisti-lo? Fiquei praticamente um ano e meio sem conferir o trabalho de um dos maiores mestre do Cinema italiano e a situação estava soando insustentável. Não poderia ficar sequer mais um único dia de minha vida tão afastado do lirismo “felliniano”. Não resisti, fui à locadora, encontrei o DVD na prateleira dos filmes de Arte, peguei-o com as duas mãos (mesmo sabendo que ninguém mais iria passar na minha frente para levar o filme para casa, afinal de contas, quem vai a uma locadora com o intento de assistir a Fellini?) e trouxe-o para casa. O resultado desta experiência? Leiam à crítica abaixo e comprovem por si mesmos.

Ficha Técnica:

Título Original: Amarcord.

Gênero: Comédia.

Tempo de Duração: 127 minutos.

Ano de Lançamento (Itália / França): 1973.

Países de Origem: Itália e França.

Direção: Federico Fellini.

Roteiro: Federico Fellini e Tonino Guerra.

Elenco: Armando Brancia (Aurelio Biondi), Pupella Maggio (Miranda Biondi), Bruno Zanin (Titta Biondi), Magali Noël (Gradisca), Ciccio Ingrassia (Teo), Nando Orfei (Pataca), Luigi Rossi (Advogado), Gianfilippo Carcano (Don Baravelli) e Josiane Tanzilli (Volpina).

Sinopse: Através dos olhos de Titta (Bruno Zanin), um garoto impressionável, o diretor dá uma olhada na vida familiar, religião, educação e política dos anos 30, quando o fascismo era a ordem dominante. Entre os personagens estão o pai e a mãe de Titta, que estão constantemente batalhando para viver, além de um padre que escuta confissões só para dar asas à sua imaginação anti-convencional.

Fonte Sinopse: Adoro Cinema

Amarcord – Trailer:

Crítica:

Como fã incondicional de Fellini e Bergman, não consigo me decidir entre um dos dois. Quem é melhor, o italiano ou o sueco? O bem humorado ou o depressivo? Cada qual tem o seu estilo próprio de abordar as questões existenciais vivenciadas por nós, meros mortais, mas quem realiza melhor o seu trabalho? Difícil dizer. Ambos convencem, e muito, em suas respectivas intenções.

Se Bergman nos faz refletir sobre as nossas existências em “Gritos e Sussurros”, Fellini o faz tão magistralmente quanto (ou talvez, de maneira até melhor) em “8 e ½”. Se Bergman critica a hipocrisia social em “Persona – Quando Duas Mulheres Pecam”, Fellini o faz tão magistralmente quanto (ou talvez, com um pouco menos de intensidade) em “A Doce Vida”.

Mas enfim, por que estou batendo tanto em cima de ambos os diretores? Simples, porque ambos nos remetem aos mesmos questionamentos, só que os dois encontram-se em polaridades estupidamente diferentes.

Se Bergman se mostra em crise existencial constante e nunca/raramente oferece solução/soluções para tal, Fellini já tem um pensamento mais positivo, e boa parte de suas obras são depreendidas com um final feliz (e em momento algum isso pode ser encarado negativamente, já que Fellini sabia, como poucos, criar finais felizes pouco/nada artificiais). Quiçá “Amarcord” seja o filme que melhor diferencie um dos maiores gênios (senão o maior) do Cinema italiano do maior gênio do Cinema sueco, e prove, de fato, que ambos realmente abordam assuntos muito parecidos, mas em polaridades amplamente diferentes.

Revelando-se, talvez, como o trabalho mais positivista dentre os demais exemplares “fellinianos”, ouso mencionar que “Amarcord” muito provavelmente seja uma ode que o cineasta almejou realizar sobre a concreta possibilidade de se encontrar a felicidade plena e absoluta nas coisas mais simples da vida. Não seria inverossímil de minha parte, portanto, mencionar também que, possivelmente, este seja o motivo pelo qual o filme não tenha uma grande trama por trás de si. Afinal de contas, o roteiro trata de pessoas simples, com cotidianos ainda mais simples. Veja o nosso próprio caso. Somos, na grande maioria das vezes, indivíduos que apenas passamos pela vida, sem vivenciar momentos excepcionais e marcantes a ponto de tornaram-se um filme. E isto é necessariamente ruim? Depende, tudo varia de acordo com a forma com a qual encaramos nossas vidas. Para quem sabe admirar a beleza na simplicidade, o cotidiano de uma reles cidadezinha no litoral da Itália pode ser um paraíso.

Mas “Amarcord” é também uma crítica à completa alienação. Uma condenação à hipocrisia social, tomando como base para tal um grupo de pessoas que viviam em meio a um sistema fascista e totalitarista, e que parecia aceitar o mesmo sem problemas. Ao mesmo tempo em que presenciamos um povo simples, humilde e satisfeito com a própria vida, tomamos ciência também de que estamos diante de um aglomerado de seres humanos alienados, conformistas e (por que não dizer?) ufanistas, que sentem orgulho de fazer parte de um sistema econômico e de um regime militar que os usa como meras ferramentas para o triunfo de uma pequena, mas dominante, minoria.

Amarcord” nos propõe então o debate acerca de uma polêmica questão: o que é melhor? Viver humildemente e levar uma vida feliz, mesmo sendo gritantemente manipulado por uma minoria, ou abandonar todos os ideais conformistas que podemos ter e corrermos o risco de sermos repreendidos por esta mesma minoria (assim como um personagem que é torturado pelos fascistas logo após ser tachado de comunista)?

A produção, no entanto, não é somente um debate político-social-existencial. Fellini, por mais que negue com veemência, parece ter utilizado a sua câmera aqui com o intuito de realizar uma espécie de autobiografia (assim como o fez, e assumiu que o fez, em “8 e ½” – o meu ‘Fellini’ predileto e um de meus dez filmes preferidos) e o próprio título desta magnífica obra do Cinema italiano revela-se o grande alcaguete do cineasta, uma vez que “Amarcord” trata-se de uma gíria deveras utilizada na região onde Federico nasceu e significa justamente: “Me recordo”.

E é justamente quando emprega em sua narrativa um fantástico clima de recordação que o longa opta, com sapiência, por focar-se em uma cidadezinha no litoral da Itália, onde podemos nos deparar com os personagens mais peculiares e extravagantes o possível. Começamos com uma ninfomaníaca e vamos até uma mulher absurdamente voluptuosa cujo maior sonho é casar-se com um militar fascista, passando por uma enfermeira anã, um ambulante exageradamente excêntrico, um grupo de pessoas que trabalham durante a vida toda simplesmente para tentar sobreviver, e uma pequena confraria de jovens altamente frívolos que não pensam em outra coisa, se não sexo.

Falando nos jovens, talvez seja neles que Fellini tenha depositado a maior parte da carga autobiográfica do filme, espelhando-se em Titta para nos relatar as suas experiências com a família, a religião, a amizade, a política, o regime militar fascista, e, é claro, o sexo, bem como a aflição pela qual passamos antes, durante e depois da realização do mesmo. Afinal de contas, por mais fútil que possa ser, como podemos negar que o sexo marca, de fato, as nossas vidas?

Mas e quanto ao diretor Fellini? O gênio Fellini? Como ele se sai? Por trás das câmeras, o italiano dá o tom minuciosamente correto à obra. Ele a orquestra como se fosse, de fato, um maestro. Sabe-se-lá como o cineasta consegue tornar possivelmente real um filme com um número considerável de figuras excêntricas. Tanto que, mesmo em meio à excessiva carga fantasiosa da trama (afinal de contas, trata-se de um filme de lembranças, e quem não conta com uma carga fortemente fantásticata com uma carga fortemente fanttaa (afinal de contas, trata-se de um filme de lembranças, e quem nm que is conformistas o embutida em suas recordações?), nos sentimos inexplicavelmente familiarizados com a mesma, tornando-se impossível não nos identificarmos com a maior parte do filme.

O cineasta destaca-se também no que se refere à concepção de cenas clássicas. E digo clássicas, pois são atemporais, sendo que poderiam adquirir tal rótulo a partir do momento em que foram exibidas nos cinemas do mundo todo. Como não reconhecer de imediato que sequências como a dos jovens se masturbando no carro, a dos adolescentes dançando em meio a uma neblina, a da nevasca cobrindo a cidade no final do filme transformando-a em uma das mais belas paisagens já vistas na história do Cinema, o casamento que conclui a obra e, principalmente, o passeio de barcos tradicional que se encerra com a passagem do Transatlântico Rex, entre muitas outras, irão marcar o Cinema durante muitos e muito anos?

Realizando uma autobiografia não assumida de sua infância, Fellini faz de “Amarcord” um estupendo debate existencial explicitando dois pontos exacerbadamente diferentes: a possibilidade de se encontrar a felicidade nas coisas mais simples da vida e, ao mesmo tempo, a impossibilidade de se viver tranquilamente perante a um ideal extremamente conformista, que acaba permitindo com que sistemas totalitários, bem como o fascismo, se apoderem de nós, sem nem ao menos nos importarmos com isso. O clima de recordação embutido no roteiro nos soa extremamente familiar e nos cativamos imensamente com os jovens pervertidos sexuais que, deixando a hipocrisia de lado, podem ser espelhados em qualquer um de nós.


O longa talvez falhe apenas no senso de humor excessiva e desnecessariamente pastelão inserido em seu início (e juro que pensei estar assistindo a um “Porky’s” politizado durante alguns momentos), mas nada que comprometa este longa que, assim como “O Poderoso Chefão” (alguma vez já disse que este é meu filme predileto?), revela-se muito mais do que um excelente filme; “Amarcord” mostra-se, na verdade, uma junção de várias cenas clássicas que são projetadas na tela ao longo de, aproximadamente, 120 minutos, e o que é melhor, sob a magistral trilha-sonora composta por Nino Rota (assim como acontecera também em “O Poderoso Chefão”), que parece ter vida própria (e não se surpreenda caso você passe um mês inteiro assoviando-a incansavelmente) e casa-se magistralmente com as maravilhosas imagens que perambulam pela tela.

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

Anjos & Demônios – *** de *****

Serei honesto e sucinto aqui: nunca li livro algum escrito por Dan Brown e nem ao menos assisti a “O Código da Vinci” (e posso dizer com certeza que não perdi nada com isso, muito pelo contrário. Perderia algo se deixasse, por exemplo, de ler um livro escrito por Schopenhauer ou de assistir a um filme dirigido por Bresson) e nem me interessa faze-los durante algum dos longos dias que ainda me restam de vida. O motivo? Simples, várias das pessoas mais estúpidas, alienadas e descartáveis que conheci em toda a minha existência são fãs inveteradas de Dan Brown e, consequentemente, do filme que teve a sua origem baseada no livro que lhe concebeu toda essa fama superestimada (e é óbvio que não menciono isso generalizando ninguém, até mesmo porque, conheço também muitas pessoas inteligentes e notáveis que também são fãs incondicionais de Dan Brown). Levando tudo isso em conta, por que eu iria perder o meu precioso tempo com tamanha bobagem, se posso dedicá-lo à filosofia alemã, ou seja, à filosofia responsável pelo surgimento dos dois sistemas econômicos mais fortes já criados: o comunismo e o nazismo (que, sejamos francos, só não derrotaram o capitalismo pois foram poucos os países que tiveram a audácia de adota-los)? Mas no fim das contas eu até que considerei “Anjos & Demônios” um filme interessante, apesar de ser unicamente bom e nada mais.


Ficha Técnica:
Título Original: Angels & Demons.
Gênero: Suspense.
Tempo de Duração: 138 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.anjosedemoniosofilme.com.br/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Ron Howard.
Roteiro: David Koepp e Akiva Goldsman, baseado em livro de Dan Brown.
Elenco: Tom Hanks (Robert Langdon), Ewan McGregor (Camerlengo Patrick McKenna), Ayelet Zurer (Vittoria Vetra), Nikolaj Lie Kaas (Assassino), Stellan Skarsgard (Comandante Richter), Pierfrancesco Favino (Inspetor Olivetti), Armin Mueller-Stahl (Cardeal Strauss), Thure Lindhardt (Chartrand), David Pasquesi (Claudio Vincenzi), Cosimo Fusco (Padre Simeon), Victor Alfieri (Tenente Valenti), Franklin Amobi (Cardeal Lamasse), Curt Lowens (Cardeal Ebner), Bob Yerkes (Cardeal Guidera), Marc Fiorini (Cardeal Baggia), Howard Mungo (Cardeal Yoruba), Rance Howard (Cardeal Beck), Steve Franken (Cardeal Colbert), Gino Conforti (Cardeal Pugini), Elya Baskin (Cardeal Petrov), Carmen Argenziano (Silvano Bentivoglio) e Thomas Morris (Urs Weber).

Sinopse: O professor de simbologia Robert Langdon (Tom Hanks), depois de decifrar o código DaVinci, é chamado pelo Vaticano para investigar o misterioso desaparecimento de quatro cardeais. Agora, além de enfrentar a resistência da própria igreja em ajudá-lo nos detalhes de sua investigação, Langdon precisa decifrar charadas numa verdadeira corrida contra o tempo porque a sociedade secreta por trás do crime em andamento tem planos de explodir o Vaticano. (Roberto Cunha).

Fonte Sinopse: Adoro Cinema

Angels & Demons – Trailer:

Crítica:

Dan Brown é considerado um terrível engodo de acordo com a opinião de inúmeros críticos literários espalhados pelo mundo todo. Seus livros, segundo tais jornalistas, são dotados de muita criatividade e conseguem cumprir o objetivo de entreter o seu público alvo, mas suas estórias geralmente acabam dando origem a situações que beiram o absurdo. Isso sem contar, é claro, que as obras de sua autoria são escritas com uma incompetência estilística fora do comum, além de contarem com uma pobreza literária terrível. Pois conforme mencionei na pré-crítica deste filme, não li, e nem pretendo ler, qualquer um de seus livros que seja, mas se tomar por base este “Anjos & Demônios”, posso dizer que a descrição tecida pelos meus colegas de profissão da outra vertente artística encaixa-se perfeitamente nesta obra cinematográfica.

Criatividade é algo que não falta no filme “Anjos & Demônios”, muito pelo contrário, eu diria que até sobra. Sim, sobra, pois o roteiro, com o prévio perdão pela gíria que virá a ser empregada, “viaja na maionese”. Não, em momento algum “viajar na maionese” precisa ser necessariamente encarado como um defeito do longa, ao menos não desse longa em questão. A trama é, de fato, muito original, embora muitas vezes extrapole as margens do que tomamos por verossímil. A produção se mostra gritantemente artificial em alguns pontos, mas não há como não nos cativarmos com a mesma, nem que seja apenas para ver até quando o roteiro conseguirá sustentar-se com uma trama tão “viajada” (estou empregando gírias demais nesse texto, não?) quanto esta daqui.

Mas se por um lado a trama é “viajada” demais (leia-se (exclusivamente neste caso), criativa em excesso), por outro lado o diretor Ron Howard se perde visivelmente durante a condução da mesma. Além do cineasta raramente movimentar a sua câmera no decurso do filme, quando ele finalmente decide o fazer realiza um trabalho digno de lamentações, uma vez que perde completamente o foco daquilo que está tentando filmar (algo que deve ser execrado ao máximo neste caso, pois estamos diante de uma obra de suspense e o jogo de movimentação de câmeras pode, ou não (como acontece aqui), ser fundamental para conferir à trama a intensidade a qual a mesma precisa para funcionar corretamente).

E não só a mão pesada de Howard atrapalha no desenvolvimento do filme, como também a insegurança do diretor. Aliás, sua direção se revela tão insegura aqui que, na certeza que o próprio cineasta parece ter de que não está conseguindo criar um clima de suspense imprescindível à obra, acaba empregando uma trilha sonora para lá de maniqueísta para tal. A propósito, há muito tempo não assistia a uma tergiversação tão grande para que se fosse adotado tão evidentemente o emprego de cantos gregorianos a todo o instante. A trilha sonora de “Anjos & Demônios” acaba, infelizmente, revelando-se incomoda, artificial e inconveniente, e, francamente, se o “troféu” Framboesa de Ouro abrangesse tal quesito, o mais novo filme de Ron Howard deveria, obrigatoriamente, ser indicado à premiação.

As atuações também são patéticas. Tom Hanks encarna o seu personagem conferindo ao mesmo uma boa (e apenas boa) dose de carisma, mas faltou muita empolgação ao ator, que também encontra-se extremamente fora de forma (não tanto quanto este que vos escreve, mas encontra-se) para encarnar um personagem tão ativo quanto o Professor Langdon. Ayelet Zurer, por sua vez, revela-se como a grande fragilidade do elenco. A atriz encarna a sua personagem com uma inexpressividade que há muito tempo eu não via no Cinema. Além de insossa, Zurer aparenta ser extremamente antipática e não convence em momento algum (bem como a sua personagem). Ewan McGregor é o grande destaque dentre os atores. Utilizando um tom de voz altamente terno, o ator transfere ao seu personagem a sutileza que lhe é cogente e faz com que o

seu camerlengo realmente se mostre um típico padre católico. E não é culpa do ator se o roteiro opta por (e se você ainda não assistiu a esse filme, aconselho que pule para o próximo parágrafo e pare de ler este aqui imediatamente) transformar Patrick McKenna em um moço bom demais, fazendo com que todo o espectador que tenha algum conhecimento em literatura policial/suspense desconfie logo de cara que ele é o grande vilão da estória (a culpa é sempre dos que aparentam ser bonzinhos, um grande clichê do gênero), fazendo com que a mesma revele-se muito previsível.

E já que critiquei o modo como o roteiro desenvolve o personagem de Ewan McGregor no final do parágrafo acima, farei a mesma coisa com os demais personagens neste parágrafo. Não restam dúvidas de que a grande falha do filme reside no desenvolvimento de seus personagens. O Professor Langdon aparece aqui mais como uma releitura do excepcional e inesquecível Sherlock Holmes do que qualquer outra coisa. Seja pelo excesso de racionalidade que o personagem de Tom Hanks demonstra, seja pelo fato dele formar conclusões corretas rápido demais, a criação de Brown aparece aqui mais como uma cópia moderna da criação de Sir Arthur Conan Doyle. Fraco também é o desenvolvimento da Dra. Vetra. A princípio, ela aparece como uma importantíssima física e, repentinamente, desponta como uma grande conhecedora de história católica, sem mais, nem menos. Mas pior mesmo é o assassino do filme (cujo nome nem me lembro, e também não faço muita questão de me lembrar). Encarando as pessoas sempre com um olhar ameaçador e dando sorrisinhos a fim de provocar os seus oponentes, o personagem se revela extremamente inverossímil, principalmente em uma cena em que tem totais condições de matar o protagonista e, sabe-se lá o porquê, não o faz. E é claro que, para obter êxito em suas missões, o assassino mata todos que vê pela frente, salvo os protagonistas que sempre são poupados por ele.

Mas não pense que “Anjos & Demônios” é um filme ruim. De forma alguma, está muito longe disso. Além da trama ser deveras criativa (conforme já fora mencionado) e contar com uma abundância em detalhes (o filme dá um show de história católica e Dan Brown realmente mostra que sabe do que está tratando, seja quando o assunto se foca no Vaticano, seja quando se foca em seitas como a Illuminati), ela se revela suficientemente inteligente (apesar de excessivamente absurda em diversos momentos) e interessante para nos prender até o seu último segundo, sem nem ao menos nos preocuparmos com os 140 minutos de projeção. E não bastasse a estória contar com tantas qualidades como as mencionadas há pouco, ela ainda se revela bastante inteligente quando enfoca o eterno conflito entre ciência/religião, utilizando para tal dois grandes representantes da mesma: o recente LHC e o Vaticano.


Longe de poder ser rotulada como um amontoado de argumentos anti-católicos, assim como fora considerada a obra literária que lhe serviu de inspiração, “Anjos & Demônios” chega aos cinemas contando com uma trama inteligente, bem arquitetada e divertida, apesar de absurda, megalomaníaca e inverossímil em diversos pontos. Em outras palavras, o filme parece fazer questão de ratificar tudo aquilo que os críticos de literatura vem falando há anos sobre o trabalho do superestimado Dan Brown.

Avaliação Final: 6,0 na escala de 10,0.

O Equilibrista – **** de *****

Pela primeira vez em minha vida… não, esperem um momento… pela segunda vez em minha vida critico um documentário. A primeira vez foi um pequeno texto (lembram-se daquele formato de 25 linhas o qual utilizava para escrever as minhas opiniões antigamente?) que fiz sobre o ótimo “Some Kind of Monster”, que narra a crise pela qual os quatro músicos que formam o Metallica passou antes da gravação do CD “St. Anger” (que, ao contrário da grande maioria dos headbangers, considero-o ótimo). Escrevi o texto, mas não cheguei a publicá-lo (ou será que o publiquei na época em que escrevia para o Papo Cinema? Provavelmente não), destarte, esta é a primeira vez que disponibilizo uma crítica de minha autoria direcionada a um filme do gênero documentário (sim, acabei de comprar uma caixa de rojões e estou disparando-os contra o céu e correndo pelas ruas cantando e chorando de felicidade). Vamos ao texto.

Ficha Técnica:
Título Original:
Man on Wire.
Gênero: Documentário.
Tempo de Duração: 90 minutos.
Ano de Lançamento:
2008.
Site Oficial: http://manonwire.com
Países de Origem:
Estados Unidos da América e Inglaterra.
Direção: James Marsh.
Elenco:
Philippe Petit, Jim Moore, Annie Allix, Jean-Louis Blondeau, David Forman, Barry Greenhouse, Jean François Heckel e Alan Welner, Paul McGill (Philippe Petit), Ardis Campbell (Annie), David Demato (Jean Louis), David Roland Frank (Alan).

Man on Wire – Trailer:

Crítica:

Documentário geralmente é sinônimo de filme frio e banhado de entrevistas e/ou depoimentos que visam relatar um fato comum (“Some Kind of Monster”), ou um fato político (“Um Táxi Para a Escuridão”), ou então defender uma tese (“Supersize-me – A Dieta do Palhaço”), ou até mesmo adotar um caráter amplamente investigativo, trabalhando como uma forma de fonte de informação alternativa que nos traz à tona fatos que são ocultados do público em geral (“S.O.S. Saúde”). O quê? Ah, sim, claro, existem muitos outros formatos de documentário, mas por ora, fiquemos apenas com estes, tudo bem?

Vez ou outra, no entanto, surgem algumas obras deste gênero que acabam sendo difíceis de se encaixar em qualquer uma dessas subcategorias (se é que posso alcunhá-las de subcategorias). “O Equilibrista”, por exemplo, não trata de um acontecimento político qualquer, nem defende tese alguma, muito menos traz à tona fatos que são escondidos do público e nem se assume como relato do cotidiano de uma pessoa (ou de um grupo delas, como é o caso do recente “Flight 666, que, infelizmente, ainda não assisti, o que é lamentável vindo de um fã incondicional de Iron Maiden, como é o caso deste que vos escreve). Do que o filme trata então? E o mais importante, o que faz com que ele seja digno de toda a fama que acumulou durante a corrida pelo Oscar® (tanto que faturou o prêmio de Melhor Documentário deste ano)?

A primeira questão proposta no parágrafo acima é facílima de ser respondida. O filme trata da aventura de um indivíduo cujo propósito existencial resumia-se a cruzar dois pontos distintos equilibrando-se apenas em um cabo de aço que é ligado entre ambos os locais. O problema é que ele decidia realizar tais feitos em lugares altíssimos, cujo risco de morte era mais elevado do que a minha pressão arterial (piadinha sem graça essa, não? Mas o que seria de um crítico de Cinema sem as suas piadinhas sem graça?) e, no ápice de sua carreira (e por que não dizer, loucura?), o protagonista Philippe Petit decide cruzar as torres gêmeas que formavam o recém extinto World Trade Center. E é justamente isso o que o filme aborda: os bastidores de tal travessia insana.

E quanto à segunda questão? Ah, essa já se mostra material o suficiente para se redigir uma crítica inteira. O que faz de “O Equilibrista” um documentário digno de toda a fama que vem recebendo? Primeiramente, creio que seja o fato de a “trama” focar-se justamente no World Trade Center, edifício este que pode ser considerado o símbolo máximo do atentado que se revelou o divisor de águas entre as Eras Pré e Pós 11 de Setembro. É interessante ratificarmos, através desta obra, a ingenuidade estadunidense quanto à sua segurança interna que, no final das contas, não era tão invulnerável quanto muitos julgavam ser (note o modo como Philippe se infiltra no prédio e chega ao último andar do mesmo).

Mas acima de tudo, creio que o sucesso desta fita, bem como o grande destaque da mesma, resida, de fato, no modo cativante como ela desenvolve os seus personagens, bem como o quão empenhados e persistentes estes se mostram a fim de tornarem o seu sonho uma visível realidade. Indo na contramão da grande maioria dos documentários, “O Equilibrista” opta, felizmente, por não adotar a frieza característica do gênero (e isto é, certamente, o que a obra nos oferece de melhor) e tenta desenvolver os seus personagens da maneira mais encantadora o possível, através de entrevistas e depoimentos honestos. Como não se identificar com o protagonista na cena em que testemunhamos os “esforços” por ele empregados a fim de destacar uma página de uma revista em um consultório dentário? Como não sentirmos na pele a aflição pela qual ele passa quando corre sério risco de ser apanhado pelos guardas do World Trade Center, quando se esconde debaixo de uma lona no último andar do edifício? E é claro, como não nos perturbarmos quando presenciamos Philippe andando sobre um cabo de aço em uma altura de 321 metros?

Todos esses são pontos que transformam “O Equilibrista” em um documentário bem diferente do que o que estamos acostumados a testemunhar e, se o fato de poder assistir a um homem andando sobre um cabo de aço a 321 metros de altura do chão não acrescenta absolutamente nada em nossas vidas, a fé e a perseverança por ele empregadas (e por sua equipe também) acrescentam, e muito.

Destaque para as “atuações” (se é que posso as chamar assim) de Philippe Petit e dos demais “atores” (se é que posso os chamar assim, também) que conferem um tom de naturalidade incrível a obra (e como não se identificar com o protagonista visto a expressividade, o carisma e o entusiasmo dele?). Ponto positivo também para a direção simplesmente fantástica de James Marsh que, além de conferir à obra a sensibilidade necessária para que ela funcione corretamente, ainda emprega muitas técnicas do tipo “takes aéreos”, “travellings” e “deep focus”.

Ponto negativo para a fotografia que, desnecessariamente, abusa do preto e branco em cenas onde não há necessidade para o uso de tal.

Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.

O Equilibrista – **** de *****

Pela primeira vez em minha vida… não, esperem um momento… pela segunda vez em minha vida critico um documentário. A primeira vez foi um pequeno texto (lembram-se daquele formato de 25 linhas o qual utilizava para escrever as minhas opiniões antigamente?) que fiz sobre o ótimo “Some Kind of Monster”, que narra a crise pela qual os quatro músicos que formam o Metallica passou antes da gravação do CD “St. Anger” (que, ao contrário da grande maioria dos headbangers, considero-o ótimo). Escrevi o texto, mas não cheguei a publicá-lo (ou será que o publiquei na época em que escrevia para o Papo Cinema? Provavelmente não), destarte, esta é a primeira vez que disponibilizo uma crítica de minha autoria direcionada a um filme do gênero documentário (sim, acabei de comprar uma caixa de rojões e estou disparando-os contra o céu e correndo pelas ruas cantando e chorando de felicidade). Vamos ao texto.

Ficha Técnica:
Título Original:
Man on Wire.
Gênero: Documentário.
Tempo de Duração: 90 minutos.
Ano de Lançamento:
2008.
Site Oficial: http://manonwire.com
Países de Origem:
Estados Unidos da América e Inglaterra.
Direção: James Marsh.
Elenco:
Philippe Petit, Jim Moore, Annie Allix, Jean-Louis Blondeau, David Forman, Barry Greenhouse, Jean François Heckel e Alan Welner, Paul McGill (Philippe Petit), Ardis Campbell (Annie), David Demato (Jean Louis), David Roland Frank (Alan).

Man on Wire – Trailer:

Crítica:

Documentário geralmente é sinônimo de filme frio e banhado de entrevistas e/ou depoimentos que visam relatar um fato comum (“Some Kind of Monster”), ou um fato político (“Um Táxi Para a Escuridão”), ou então defender uma tese (“Supersize-me – A Dieta do Palhaço”), ou até mesmo adotar um caráter amplamente investigativo, trabalhando como uma forma de fonte de informação alternativa que nos traz à tona fatos que são ocultados do público em geral (“S.O.S. Saúde”). O quê? Ah, sim, claro, existem muitos outros formatos de documentário, mas por ora, fiquemos apenas com estes, tudo bem?

Vez ou outra, no entanto, surgem algumas obras deste gênero que acabam sendo difíceis de se encaixar em qualquer uma dessas subcategorias (se é que posso alcunhá-las de subcategorias). “O Equilibrista”, por exemplo, não trata de um acontecimento político qualquer, nem defende tese alguma, muito menos traz à tona fatos que são escondidos do público e nem se assume como relato do cotidiano de uma pessoa (ou de um grupo delas, como é o caso do recente “Flight 666, que, infelizmente, ainda não assisti, o que é lamentável vindo de um fã incondicional de Iron Maiden, como é o caso deste que vos escreve). Do que o filme trata então? E o mais importante, o que faz com que ele seja digno de toda a fama que acumulou durante a corrida pelo Oscar® (tanto que faturou o prêmio de Melhor Documentário deste ano)?

A primeira questão proposta no parágrafo acima é facílima de ser respondida. O filme trata da aventura de um indivíduo cujo propósito existencial resumia-se a cruzar dois pontos distintos equilibrando-se apenas em um cabo de aço que é ligado entre ambos os locais. O problema é que ele decidia realizar tais feitos em lugares altíssimos, cujo risco de morte era mais elevado do que a minha pressão arterial (piadinha sem graça essa, não? Mas o que seria de um crítico de Cinema sem as suas piadinhas sem graça?) e, no ápice de sua carreira (e por que não dizer, loucura?), o protagonista Philippe Petit decide cruzar as torres gêmeas que formavam o recém extinto World Trade Center. E é justamente isso o que o filme aborda: os bastidores de tal travessia insana.

E quanto à segunda questão? Ah, essa já se mostra material o suficiente para se redigir uma crítica inteira. O que faz de “O Equilibrista” um documentário digno de toda a fama que vem recebendo? Primeiramente, creio que seja o fato de a “trama” focar-se justamente no World Trade Center, edifício este que pode ser considerado o símbolo máximo do atentado que se revelou o divisor de águas entre as Eras Pré e Pós 11 de Setembro. É interessante ratificarmos, através desta obra, a ingenuidade estadunidense quanto à sua segurança interna que, no final das contas, não era tão invulnerável quanto muitos julgavam ser (note o modo como Philippe se infiltra no prédio e chega ao último andar do mesmo).

Mas acima de tudo, creio que o sucesso desta fita, bem como o grande destaque da mesma, resida, de fato, no modo cativante como ela desenvolve os seus personagens, bem como o quão empenhados e persistentes estes se mostram a fim de tornarem o seu sonho uma visível realidade. Indo na contramão da grande maioria dos documentários, “O Equilibrista” opta, felizmente, por não adotar a frieza característica do gênero (e isto é, certamente, o que a obra nos oferece de melhor) e tenta desenvolver os seus personagens da maneira mais encantadora o possível, através de entrevistas e depoimentos honestos. Como não se identificar com o protagonista na cena em que testemunhamos os “esforços” por ele empregados a fim de destacar uma página de uma revista em um consultório dentário? Como não sentirmos na pele a aflição pela qual ele passa quando corre sério risco de ser apanhado pelos guardas do World Trade Center, quando se esconde debaixo de uma lona no último andar do edifício? E é claro, como não nos perturbarmos quando presenciamos Philippe andando sobre um cabo de aço em uma altura de 321 metros?

Todos esses são pontos que transformam “O Equilibrista” em um documentário bem diferente do que o que estamos acostumados a testemunhar e, se o fato de poder assistir a um homem andando sobre um cabo de aço a 321 metros de altura do chão não acrescenta absolutamente nada em nossas vidas, a fé e a perseverança por ele empregadas (e por sua equipe também) acrescentam, e muito.

Destaque para as “atuações” (se é que posso as chamar assim) de Philippe Petit e dos demais “atores” (se é que posso os chamar assim, também) que conferem um tom de naturalidade incrível a obra (e como não se identificar com o protagonista visto a expressividade, o carisma e o entusiasmo dele?). Ponto positivo também para a direção simplesmente fantástica de James Marsh que, além de conferir à obra a sensibilidade necessária para que ela funcione corretamente, ainda emprega muitas técnicas do tipo “takes aéreos”, “travellings” e “deep focus”.

Ponto negativo para a fotografia que, desnecessariamente, abusa do preto e branco em cenas onde não há necessidade para o uso de tal.

Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.