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Glória Feita de Sangue – ***** de *****

Já fazia muito tempo, muito tempo mesmo, que eu não escrevia sobre um filme do mestre Stanley Kubrick (o maior ícone da história do Cinema, a meu ver) aqui no Cine-Phylum (a última vez foi quando comentei sobre o excelentíssimo “Barry Lyndon”), logo, decidi que era hora de voltar a faze-lo. Iria optar por escrever sobre “2001 – Uma Odisséia no Espaço” ou “Laranja Mecânica”, mas a verdade é que o meu fanatismo por ambos os filmes é tão gigantesco que conclui ser impossível exprimir a minha opinião em menos de 3.000 palavras de texto. Decidi então que o correto seria escrever sobre uma das poucas obras do diretor a que ainda não havia assistido. Meu dedo apontou para este “Glória Feita de Sangue” que, já de cara, revelou-se o meu terceiro ‘Kubrick’ predileto, conforme poderemos ver na crítica logo mais abaixo.

Ficha Técnica:

Título Original: Paths of Glory.

Gênero: Guerra.
Tempo de Duração: 87 minutos.

Ano de Lançamento: 1957.

País de Origem: Estados Unidos da América.

Direção: Stanley Kubrick.

Roteiro: Stanley Kubrick, Jim Thompson e Calder Willingham, baseado em livro de Humphrey Cobb.

Elenco: Kirk Douglas (Coronel Dax), Ralph Meeker (Phillip Paris), Adolphe Menjou (General George Broulard), George Macready (General Paul Mireau), Bert Freed (Sargento Boulanger), Kem Dibbs (Recruta Lejeune), Timothy Carey (Recruta Maurice Ferol), Wayne Morris (Tenente Roget), Richard Anderson (Major Saint-Auban), Joe Turkel (Recruta Pierre Arnaud), Peter Capell (Juiz da Corte Marcial) e Emile Meyer (Padre Dupree).

Sinopse: Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, Mireau (George Meeker), um general francês, ordena um ataque suicida e como nem todos os seus soldados puderam se lançar ao ataque ele exige que sua artilharia ataque as próprias trincheiras. Mas não é obedecido neste pedido absurdo, então resolve pedir o julgamento e a execução de todo o regimento por se comportar covardemente no campo de batalha e assim justificar o fracasso de sua estratégia militar. Depois concorda que sejam cem soldados e finalmente é decido que três soldados serão escolhidos para servirem de exemplo, mas o coronel Dax (Kirk Douglas) não concorda e decide interceder de todas as formas para tentar suspender esta insana decisão.


Fonte Sinopse: Adoro Cinema.


Paths of Glory – Trailer:


Crítica:


Qual é o real valor da glória? Pode ser tido como palatável o sacrifício de inúmeros homens em nome da glória de um só? Quantas vidas justificam a aquisição de uma estrela condecorativa? Até onde a vaidade de um único homem pode ir para conseguir marcar o seu nome na história de uma nação? É pertinente que, para tal, o mesmo se veja no direito de incumbir um grupo de militares a realizar uma missão que, na melhor das hipóteses, irá resultar na perda de mais da metade do batalhão?


Indagações como as supracitadas cruzam as nossas mentes a todo o instante enquanto assistimos à primeira parte de “Glória Feita de Sangue”, o sexto filme de Stanley Kubrick e o terceiro de sua carreira a ter o respaldo e o prestígio da crítica internacional. Até onde a ganância de um homem pode ir? Quantos patriarcas devem deixar as suas famílias desamparadas a fim de sustentar a vaidade de uma minoria? Qual é o limite da glória (se é que existe algum limite para a mesma)?


Todavia, o mais curioso desta etapa inicial de “Glória Feita de Sangue” reside na maleabilidade do roteiro em tornar compatível a trama diegética com os nossos respectivos cotidianos. Assim como estamos acostumados a presenciar em nossas vidas profissionais, percebemos que em um batalhão militar há também as costumeiras injustiças cometidas por pessoas que não conseguem distinguir o lado pessoal do lado profissional. Da mesma forma que nos empregos convencionais temos de lidar com bajuladores, colegas falsos e hipócritas, picuinhas, e superiores que prejudicam os seus subordinados pelo simples fato de nutrirem alguma intriga pessoal para com os mesmos, os recrutas de um batalhão parecem enfrentar as mesmíssimas situações, mas com uma grande diferença: aqui, se por algum motivo você não agradar a um superior, a pena máxima não é uma reles demissão, mas sim a morte da maneira mais direta o possível.


E não bastasse o filme abordar tantas questões primordiais, ele ainda consegue a façanha de ir além. Novamente passamos a tecer analogias em cima das experiências vivenciadas por soldados quando nos vemos diante de um tribunal militar. É fato que alguém deve ser julgado e condenado pelo previsível insucesso de uma missão, mas quem? A pessoa que organizou esta missão? Oras, quantas vezes você já viu o seu chefe ser responsabilizado pelo fracasso em uma tarefa? Pois é, a culpa sempre cai sobre o mais fraco e em “Glória Feita de Sangue” a estória não poderia acontecer de outra maneira.


É justamente quando percebemos que três humildes soldados deverão responder pela pena máxima imposta através de corte marcial, que o filme atinge o seu ápice. A obra, que aparentava não conseguir ser melhor do que já estava sendo durante a sua primeira metade, passa a ganhar um tratamento ainda mais primoroso. Não só o Coronel Dax (magistralmente encarnado por um Kirk Douglas frio e desesperançoso) ganha destaque aqui (conforme vinha acontecendo até então), como também os recrutas Lejeune (Kem Dibbs) e Maurice (Timothy Carey, na melhor atuação do filme) e o Sargento Boulanger (Bert Freed).


Acompanhar de perto a angústia dos três condenados é algo ainda mais fascinante do que assistirmos à explosiva batalha travada no início do longa ou testemunharmos às injustiças pelas quais os recrutas passam. À medida que vemos aqueles três pobres homens pagando por um erro que não cometeram, vários sentimentos passam a nos atormentar: bem como a agonia, a injustiça, a compaixão e a pena pelos mesmos, mas ainda assim, nenhum destes sentimentos martela tanto as nossas mentes quanto a indignação que passamos pela hipocrisia e desonestidade que somos obrigados a tomar parte naquela exata ocasião.


Como deixarmos de partilhar também com os sentimentos de Dax, que utiliza-se de todas as atribuições legais o possível para fazer justiça e impedir que os companheiros percam as suas vidas, mas percebe que, quanto mais rápido passa o tempo, menos chances terá de derrotar o sistema interno criado pelo próprio general, que parece ser extremamente desconexo com as regras gerais adotadas no país? A estória avança, Dax entra em profunda angustia ao notar a sua própria incapacidade, os condenados passam a questionar as suas vidas e a existência de Deus, a agonia aumenta cada vez mais e, enquanto o filme não tem o seu definitivo desfecho, nós, espectadores, roemos as unhas de tensão e, após o término da sessão, a perturbação não diminui nem um pouco, muito pelo contrário, só aumenta.


Mas é claro que, por mais angustiante que o roteiro de “Glória Feita de Sangue” seja, o filme não teria obtido o mesmo êxito não fosse o trabalho de Stanley Kubrick. Mais do que meramente empregar várias técnicas de direção a fim de tornar o filme mais rico (e aqui ele adota o uso de travellings, close in, close out e muitos outros elementos que enriquecem ainda mais a experiência cinematográfica), o cineasta (que é tido como um dos maiores da história da sétima Arte e é, disparado, o meu predileto), mesmo fazendo uso de uma direção demasiadamente fria como de praxe, confere à obra toda a sensibilidade necessária para que a mesma funcione corretamente bem.


Repare na maneira como Kubrick opta por filmar o julgamento dos recrutas, por exemplo. O diretor cria um plano de modo com que a sala aparente ser enorme e silenciosa, aumentando ainda mais a amargura que a cena, por si só, já nos transmitiria. O modo como Stanley retrata as possíveis últimas horas de vida dos recrutas também é fenomenal e extremamente introspectiva. Francamente, creio que nem mesmo Kurosawa em “Rashomon”, Lumet em “12 Homens e Uma Sentença” e Bergman em “O Sétimo Selo” e “Gritos & Sussurros” se mostraram capazes de fazer um estudo tão depressivo da angustia pré-morte (ou da concreta possibilidade desta) quanto Kubrick o fez neste filme.


Glória Feita de Sangue” é, além de um dos melhores dramas de guerra já feitos, uma obra-prima atemporal e introspectiva que certamente figura entre os mais importantes filmes já feitos para o Cinema.


Duas décadas e meia mais tarde, Stanley Kubrick voltaria a flertar com o gênero guerra no clássico “Nascido Para Matar”, mas não restam dúvidas de que o peso dramático inserido naquele filme não chega aos pés desta obra-prima magistral lançada comercialmente em 1.957.


Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.

Amarcord – ***** de *****

maio 23, 2009 2 comentários

Há muito tempo não assistia a Fellini e concluí: devo fazê-lo o quanto antes. Oras, o italiano é, talvez, o meu terceiro cineasta predileto (perdendo apenas para Kubrick, Godard e empatando, talvez, com Bergman), por que então não assisti-lo? Fiquei praticamente um ano e meio sem conferir o trabalho de um dos maiores mestre do Cinema italiano e a situação estava soando insustentável. Não poderia ficar sequer mais um único dia de minha vida tão afastado do lirismo “felliniano”. Não resisti, fui à locadora, encontrei o DVD na prateleira dos filmes de Arte, peguei-o com as duas mãos (mesmo sabendo que ninguém mais iria passar na minha frente para levar o filme para casa, afinal de contas, quem vai a uma locadora com o intento de assistir a Fellini?) e trouxe-o para casa. O resultado desta experiência? Leiam à crítica abaixo e comprovem por si mesmos.

Ficha Técnica:

Título Original: Amarcord.

Gênero: Comédia.

Tempo de Duração: 127 minutos.

Ano de Lançamento (Itália / França): 1973.

Países de Origem: Itália e França.

Direção: Federico Fellini.

Roteiro: Federico Fellini e Tonino Guerra.

Elenco: Armando Brancia (Aurelio Biondi), Pupella Maggio (Miranda Biondi), Bruno Zanin (Titta Biondi), Magali Noël (Gradisca), Ciccio Ingrassia (Teo), Nando Orfei (Pataca), Luigi Rossi (Advogado), Gianfilippo Carcano (Don Baravelli) e Josiane Tanzilli (Volpina).

Sinopse: Através dos olhos de Titta (Bruno Zanin), um garoto impressionável, o diretor dá uma olhada na vida familiar, religião, educação e política dos anos 30, quando o fascismo era a ordem dominante. Entre os personagens estão o pai e a mãe de Titta, que estão constantemente batalhando para viver, além de um padre que escuta confissões só para dar asas à sua imaginação anti-convencional.

Fonte Sinopse: Adoro Cinema

Amarcord – Trailer:

Crítica:

Como fã incondicional de Fellini e Bergman, não consigo me decidir entre um dos dois. Quem é melhor, o italiano ou o sueco? O bem humorado ou o depressivo? Cada qual tem o seu estilo próprio de abordar as questões existenciais vivenciadas por nós, meros mortais, mas quem realiza melhor o seu trabalho? Difícil dizer. Ambos convencem, e muito, em suas respectivas intenções.

Se Bergman nos faz refletir sobre as nossas existências em “Gritos e Sussurros”, Fellini o faz tão magistralmente quanto (ou talvez, de maneira até melhor) em “8 e ½”. Se Bergman critica a hipocrisia social em “Persona – Quando Duas Mulheres Pecam”, Fellini o faz tão magistralmente quanto (ou talvez, com um pouco menos de intensidade) em “A Doce Vida”.

Mas enfim, por que estou batendo tanto em cima de ambos os diretores? Simples, porque ambos nos remetem aos mesmos questionamentos, só que os dois encontram-se em polaridades estupidamente diferentes.

Se Bergman se mostra em crise existencial constante e nunca/raramente oferece solução/soluções para tal, Fellini já tem um pensamento mais positivo, e boa parte de suas obras são depreendidas com um final feliz (e em momento algum isso pode ser encarado negativamente, já que Fellini sabia, como poucos, criar finais felizes pouco/nada artificiais). Quiçá “Amarcord” seja o filme que melhor diferencie um dos maiores gênios (senão o maior) do Cinema italiano do maior gênio do Cinema sueco, e prove, de fato, que ambos realmente abordam assuntos muito parecidos, mas em polaridades amplamente diferentes.

Revelando-se, talvez, como o trabalho mais positivista dentre os demais exemplares “fellinianos”, ouso mencionar que “Amarcord” muito provavelmente seja uma ode que o cineasta almejou realizar sobre a concreta possibilidade de se encontrar a felicidade plena e absoluta nas coisas mais simples da vida. Não seria inverossímil de minha parte, portanto, mencionar também que, possivelmente, este seja o motivo pelo qual o filme não tenha uma grande trama por trás de si. Afinal de contas, o roteiro trata de pessoas simples, com cotidianos ainda mais simples. Veja o nosso próprio caso. Somos, na grande maioria das vezes, indivíduos que apenas passamos pela vida, sem vivenciar momentos excepcionais e marcantes a ponto de tornaram-se um filme. E isto é necessariamente ruim? Depende, tudo varia de acordo com a forma com a qual encaramos nossas vidas. Para quem sabe admirar a beleza na simplicidade, o cotidiano de uma reles cidadezinha no litoral da Itália pode ser um paraíso.

Mas “Amarcord” é também uma crítica à completa alienação. Uma condenação à hipocrisia social, tomando como base para tal um grupo de pessoas que viviam em meio a um sistema fascista e totalitarista, e que parecia aceitar o mesmo sem problemas. Ao mesmo tempo em que presenciamos um povo simples, humilde e satisfeito com a própria vida, tomamos ciência também de que estamos diante de um aglomerado de seres humanos alienados, conformistas e (por que não dizer?) ufanistas, que sentem orgulho de fazer parte de um sistema econômico e de um regime militar que os usa como meras ferramentas para o triunfo de uma pequena, mas dominante, minoria.

Amarcord” nos propõe então o debate acerca de uma polêmica questão: o que é melhor? Viver humildemente e levar uma vida feliz, mesmo sendo gritantemente manipulado por uma minoria, ou abandonar todos os ideais conformistas que podemos ter e corrermos o risco de sermos repreendidos por esta mesma minoria (assim como um personagem que é torturado pelos fascistas logo após ser tachado de comunista)?

A produção, no entanto, não é somente um debate político-social-existencial. Fellini, por mais que negue com veemência, parece ter utilizado a sua câmera aqui com o intuito de realizar uma espécie de autobiografia (assim como o fez, e assumiu que o fez, em “8 e ½” – o meu ‘Fellini’ predileto e um de meus dez filmes preferidos) e o próprio título desta magnífica obra do Cinema italiano revela-se o grande alcaguete do cineasta, uma vez que “Amarcord” trata-se de uma gíria deveras utilizada na região onde Federico nasceu e significa justamente: “Me recordo”.

E é justamente quando emprega em sua narrativa um fantástico clima de recordação que o longa opta, com sapiência, por focar-se em uma cidadezinha no litoral da Itália, onde podemos nos deparar com os personagens mais peculiares e extravagantes o possível. Começamos com uma ninfomaníaca e vamos até uma mulher absurdamente voluptuosa cujo maior sonho é casar-se com um militar fascista, passando por uma enfermeira anã, um ambulante exageradamente excêntrico, um grupo de pessoas que trabalham durante a vida toda simplesmente para tentar sobreviver, e uma pequena confraria de jovens altamente frívolos que não pensam em outra coisa, se não sexo.

Falando nos jovens, talvez seja neles que Fellini tenha depositado a maior parte da carga autobiográfica do filme, espelhando-se em Titta para nos relatar as suas experiências com a família, a religião, a amizade, a política, o regime militar fascista, e, é claro, o sexo, bem como a aflição pela qual passamos antes, durante e depois da realização do mesmo. Afinal de contas, por mais fútil que possa ser, como podemos negar que o sexo marca, de fato, as nossas vidas?

Mas e quanto ao diretor Fellini? O gênio Fellini? Como ele se sai? Por trás das câmeras, o italiano dá o tom minuciosamente correto à obra. Ele a orquestra como se fosse, de fato, um maestro. Sabe-se-lá como o cineasta consegue tornar possivelmente real um filme com um número considerável de figuras excêntricas. Tanto que, mesmo em meio à excessiva carga fantasiosa da trama (afinal de contas, trata-se de um filme de lembranças, e quem não conta com uma carga fortemente fantásticata com uma carga fortemente fanttaa (afinal de contas, trata-se de um filme de lembranças, e quem nm que is conformistas o embutida em suas recordações?), nos sentimos inexplicavelmente familiarizados com a mesma, tornando-se impossível não nos identificarmos com a maior parte do filme.

O cineasta destaca-se também no que se refere à concepção de cenas clássicas. E digo clássicas, pois são atemporais, sendo que poderiam adquirir tal rótulo a partir do momento em que foram exibidas nos cinemas do mundo todo. Como não reconhecer de imediato que sequências como a dos jovens se masturbando no carro, a dos adolescentes dançando em meio a uma neblina, a da nevasca cobrindo a cidade no final do filme transformando-a em uma das mais belas paisagens já vistas na história do Cinema, o casamento que conclui a obra e, principalmente, o passeio de barcos tradicional que se encerra com a passagem do Transatlântico Rex, entre muitas outras, irão marcar o Cinema durante muitos e muito anos?

Realizando uma autobiografia não assumida de sua infância, Fellini faz de “Amarcord” um estupendo debate existencial explicitando dois pontos exacerbadamente diferentes: a possibilidade de se encontrar a felicidade nas coisas mais simples da vida e, ao mesmo tempo, a impossibilidade de se viver tranquilamente perante a um ideal extremamente conformista, que acaba permitindo com que sistemas totalitários, bem como o fascismo, se apoderem de nós, sem nem ao menos nos importarmos com isso. O clima de recordação embutido no roteiro nos soa extremamente familiar e nos cativamos imensamente com os jovens pervertidos sexuais que, deixando a hipocrisia de lado, podem ser espelhados em qualquer um de nós.


O longa talvez falhe apenas no senso de humor excessiva e desnecessariamente pastelão inserido em seu início (e juro que pensei estar assistindo a um “Porky’s” politizado durante alguns momentos), mas nada que comprometa este longa que, assim como “O Poderoso Chefão” (alguma vez já disse que este é meu filme predileto?), revela-se muito mais do que um excelente filme; “Amarcord” mostra-se, na verdade, uma junção de várias cenas clássicas que são projetadas na tela ao longo de, aproximadamente, 120 minutos, e o que é melhor, sob a magistral trilha-sonora composta por Nino Rota (assim como acontecera também em “O Poderoso Chefão”), que parece ter vida própria (e não se surpreenda caso você passe um mês inteiro assoviando-a incansavelmente) e casa-se magistralmente com as maravilhosas imagens que perambulam pela tela.

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

Je Vous Salue, Marie – **** de *****

Como todo e qualquer fã incondicional de Jean-Luc Godard, sempre que vejo toda e qualquer obra que esteja direta ou indiretamente ligada ao nome do cineasta e que esteja sendo comercializada, não penso duas vezes: abro a carteira, pego o cartão de crédito e adquiro tal bem material. Definitivamente, não há melhor forma de um cinéfilo pseudo-intelectual (bem como este que vos escreve) gastar o pouco dinheiro que possui com outra coisa que não seja um filme de Jean-Luc Godard. É como um programador especializado na linguagem de programação C++ gastar parte de seu patrimônio para adquirir o livro “Progamando em C++ – A Bíblia” de Kris Klander e Lars Jamsa, ou como uma “patricinha” burra, fútil e inútil (assim como todas elas, sem exceção, o são) torrar parte de seu patrimônio, ou melhor, parte do patrimônio do papai ou da mamãnio do papai, ou dependendo do caso, da mamegar o cart ao nome do cineastame do cineastae, dependendo do caso, com uma calça da Diesel Female. Por este motivo, ao ver o DVD de “Je Vous Salue Marie” sendo vendido pela irrisória quantia de R$ 12,90, não resisti à tentação e o adquiri sem pensar duas vezes. Oras, além de ser um filme de, ninguém mais, ninguém menos que, Jean-Luc Godard, é uma obra polêmica que provocou a ira de muitos cristãos (e o que pode ser mais cativante para um cinéfilo agnóstico, como é o meu caso, do que conferir uma obra cinematográfica que alarmou a Igreja e a mídia da época?). Todavia, ao terminar de assistir ao filme, inferi que o mesmo, assim como “A Última Tentação de Cristo”, era uma ótima obra cinematográfica, mas que não fazia jus a toda a polêmica que causou, conforme podemos conferir mais abaixo.

Ficha Técnica:
Título Original: Je Vous Salue, Marie.
Gênero: Drama.
Tempo de Duração: 75 minutos.
Ano de Lançamento: 1985.
País de Origem: França / Reino Unido / Suiça.
Direção: Jean-Luc Godard.
Roteiro: Jean-Luc Godard.
Elenco: Myriem Roussel (Maria), Thierry Rode (José), Johan Leysen (Professor de Ciências), Anne Gautier (Eva), Philippe Lacoste (Arcanjo Gabriel), Manon Andersen (A Menina), Malachi Jara Kohan (Jesus Cristo), Juliette Binoche (Juliette), Dick (A Criança) e Rapaz na Sala de Espera (Serge Musy).

Sinopse: Godard realiza aqui uma readaptação da concepção da Virgem Maria (Myriem Roussel) moldada nos dias atuais. Ao contrário da Maria bíblica, a protagonista deste filme é uma jovem comum, que joga basquete e trabalha no auto-posto de seu pai. A garota namora José (Thierry Rode), um taxista que, ao saber que a sua parceira está grávida, a acusa de traição, pois eles jamais mantiveram conjunções carnais entre si. O Anjo Gabriel (Philippe Lacoste), no entanto, se esforça para persuadir José de que Maria não o traiu, e que a mesma continua virgem e carrega consigo o filho de Deus. Paralelamente a esta trama, é narrada a estória de um professor (Johan Leysen) que mantém um caso de amor com a sua aluna Eva (Anne Gautier) e passa a discutir com a mesma a origem da vida na Terra.

Je Vous Salue, Marie – Trailer:

Crítica:

Por mais que tente, não consigo idolatrar os ‘Godard’ da década de 1.980. Adoro incondicionalmente os seus filmes produzidos durante a década de 1.970 e, principalmente, os abrolhados durante a década de 1.960 (tanto que “Acossado” figura facilmente entre meus três filmes prediletos), mas dentre as produções mais atuais que dirigiu, nenhuma consegue agradar-me por completo, o que inclui até mesmo este “Je Vous Salue, Marie”. A impressão que fica é a de que o cineasta francês, após ter contribuído imensamente para a solidificação da Nouvelle Vague, decidiu inovar cada vez mais, a ponto de se ver obrigado, a cada filme que realiza, estar sempre inventando moda. É como se Godard se visse forçado a se reinventar a cada novo trabalho, adotando então maneirismos deveras desnecessários para tal.

Assim como na grande maioria de seus filmes oitentistas, em “Je Vous Salue, Marie” Godard explicita uma necessidade exacerbada e desnecessária de querer se auto-afirmar como gênio (seria um complexo de inferioridade característico dos artistas?), algo que ele já provou ser através de seus trabalhos sessentistas. Não que a sua direção aqui seja ruim, muito pelo contrário, é fantástica como sempre, mas não resta dúvidas de que a abundância de maneirismos empregados pelo gênio francês atrapalha consideravelmente no resultado final da obra.

Ao mesmo tempo em que posicionar a câmera apropinquada e fixamente à nuca de uma pessoa, enquanto esta assiste a uma aula de ciências, se mostra uma tática um tanto o quanto inteligente de fazer com que o espectador se sinta sentado exatamente atrás da moça, fazer cortes a todo o instante utilizando telas inteiramente negras com os dizeres: “En Ce Temps Lá” (“Naquela época”, em português) revela-se uma tentativa um tanto o quanto desesperada, desnecessária e carregada de alarde de se reinventar.

Mas e quanto a toda polêmica em volta do filme em questão? Mera neurose propagada pela mídia alarmista, pela Igreja conservadora e pela censura néscia daquela época. Não há nada de controverso na obra em si, salvo as excessivas cenas de nudez exibidas durante a sua projeção, mas nada que acabe justificando, de fato, toda a inquietação feita em cima da produção. Em momento algum notamos uma tentativa de ofender as crenças católicas. Também não podemos presenciar a suposta ode que o grande gênio da cinematografia francesa realizou ao cristianismo aqui (conforme muitos críticos alegam) pelo simples fato dele não ter realizado ode alguma (ou será que as pessoas que defendem tal tese (incluindo o Papa João Paulo II, pessoa a qual respeito muito) esqueceram-se de que Godard tem uma leve inclinação ao ateísmo (não tanto o quanto Federico Fellini, Ingmar Bergman, Marlon Brando e Luís Buñuel tinham, mas enfim…)?).

Pois se “Je Vous Salue, Marie” é um filme que nada tem de polêmico e não tece criticas, nem elogios, ao cristianismo, o que faz dele uma obra digna de ser assistida e venerada? Uma única palavra: versatilidade. Godard transfere para as telonas (e graças ao recente lançamento em DVD: para as telinhas também) uma original readequação do magnum opus da história do cristianismo: o nascimento de seu mártir. Como ele seria se fosse readaptado aos dias atuais? Como seria José? Como seria o Anjo Gabriel? Como seriam os três reis magos? E, acima de tudo, como seria Maria? Como seria a Maria moderna, em uma época onde carregar consigo uma missão divina consiste em um desafio ainda maior do que há dois mil anos atrás, uma vez que, atualmente, manter um perfeito equilíbrio entre corpo e alma torna-se cada vez mais difícil?

Mas não apenas o dogma mor do cristianismo é ilustrado aqui, como também o axioma absoluto adotado pela ciência cética, ou seja, o caminho percorrido através de métodos empíricos e/ou filosóficos que levem os pesquisadores a alcançar resultados cada vez mais concretos que se revelam capazes de derrubar definitivamente as teorias criacionistas. Assim como Godard realiza um complexo estudo sobre o nascimento de Cristo adaptado aos dias atuais, ele o faz de forma ainda mais perfeita quando opta por abordar (magistralmente, diga-se) uma subtrama dotada dos mais bem argumentados diálogos filosóficos e que é protagonizada por um professor de ciências (que crê na hipótese de nós, seres humanos, sermos descendentes de alienígenas) e sua aluna (e o fato do nome desta ser Eva, definitivamente, não se trata de mera coincidência), com a qual mantém um caso de amor secreto.

Em suma, ignore toda a polêmica envolvendo “Je Vous Salue, Marie”, pois trata-se de muitos relâmpagos para pouca tempestade. O filme é, na realidade, uma excelente abordagem contemporânea dos dois mais elevados pontos defendidos pela Igreja e pela Ciência: o nascimento de Cristo, por parte da primeira, e os métodos empíricos, adotados pela segunda, a fim de tornar obsoletas as teorias criacionistas. A fita é ótima e, não fosse por alguns maneirismos adotados por Godard a fim de, desnecessariamente, se auto-afirmar como um verdadeiro gênio da história do Cinema, o resultado final teria sido ainda mais completo do que realmente foi.

Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.

Je Vous Salue, Marie – **** de *****

maio 6, 2009 1 comentário
Como todo e qualquer fã incondicional de Jean-Luc Godard, sempre que vejo toda e qualquer obra que esteja direta ou indiretamente ligada ao nome do cineasta e que esteja sendo comercializada, não penso duas vezes: abro a carteira, pego o cartão de crédito e adquiro tal bem material. Definitivamente, não há melhor forma de um cinéfilo pseudo-intelectual (bem como este que vos escreve) gastar o pouco dinheiro que possui com outra coisa que não seja um filme de Jean-Luc Godard. É como um programador especializado na linguagem de programação C++ gastar parte de seu patrimônio para adquirir o livro “Progamando em C++ – A Bíblia” de Kris Klander e Lars Jamsa, ou como uma “patricinha” burra, fútil e inútil (assim como todas elas, sem exceção, o são) torrar parte de seu patrimônio, ou melhor, parte do patrimônio do papai ou da mamãnio do papai, ou dependendo do caso, da mamegar o cart ao nome do cineastame do cineastae, dependendo do caso, com uma calça da Diesel Female. Por este motivo, ao ver o DVD de “Je Vous Salue Marie” sendo vendido pela irrisória quantia de R$ 12,90, não resisti à tentação e o adquiri sem pensar duas vezes. Oras, além de ser um filme de, ninguém mais, ninguém menos que, Jean-Luc Godard, é uma obra polêmica que provocou a ira de muitos cristãos (e o que pode ser mais cativante para um cinéfilo agnóstico, como é o meu caso, do que conferir uma obra cinematográfica que alarmou a Igreja e a mídia da época?). Todavia, ao terminar de assistir ao filme, inferi que o mesmo, assim como “A Última Tentação de Cristo”, era uma ótima obra cinematográfica, mas que não fazia jus a toda a polêmica que causou, conforme podemos conferir mais abaixo.

Ficha Técnica:
Título Original: Je Vous Salue, Marie.
Gênero: Drama.
Tempo de Duração: 75 minutos.
Ano de Lançamento: 1985.
País de Origem: França / Reino Unido / Suiça.
Direção: Jean-Luc Godard.
Roteiro: Jean-Luc Godard.
Elenco: Myriem Roussel (Maria), Thierry Rode (José), Johan Leysen (Professor de Ciências), Anne Gautier (Eva), Philippe Lacoste (Arcanjo Gabriel), Manon Andersen (A Menina), Malachi Jara Kohan (Jesus Cristo), Juliette Binoche (Juliette), Dick (A Criança) e Rapaz na Sala de Espera (Serge Musy).

Sinopse: Godard realiza aqui uma readaptação da concepção da Virgem Maria (Myriem Roussel) moldada nos dias atuais. Ao contrário da Maria bíblica, a protagonista deste filme é uma jovem comum, que joga basquete e trabalha no auto-posto de seu pai. A garota namora José (Thierry Rode), um taxista que, ao saber que a sua parceira está grávida, a acusa de traição, pois eles jamais mantiveram conjunções carnais entre si. O Anjo Gabriel (Philippe Lacoste), no entanto, se esforça para persuadir José de que Maria não o traiu, e que a mesma continua virgem e carrega consigo o filho de Deus. Paralelamente a esta trama, é narrada a estória de um professor (Johan Leysen) que mantém um caso de amor com a sua aluna Eva (Anne Gautier) e passa a discutir com a mesma a origem da vida na Terra.

Je Vous Salue, Marie – Trailer:

Crítica:

Por mais que tente, não consigo idolatrar os ‘Godard’ da década de 1.980. Adoro incondicionalmente os seus filmes produzidos durante a década de 1.970 e, principalmente, os abrolhados durante a década de 1.960 (tanto que “Acossado” figura facilmente entre meus três filmes prediletos), mas dentre as produções mais atuais que dirigiu, nenhuma consegue agradar-me por completo, o que inclui até mesmo este “Je Vous Salue, Marie”. A impressão que fica é a de que o cineasta francês, após ter contribuído imensamente para a solidificação da Nouvelle Vague, decidiu inovar cada vez mais, a ponto de se ver obrigado, a cada filme que realiza, estar sempre inventando moda. É como se Godard se visse forçado a se reinventar a cada novo trabalho, adotando então maneirismos deveras desnecessários para tal.

Assim como na grande maioria de seus filmes oitentistas, em “Je Vous Salue, Marie” Godard explicita uma necessidade exacerbada e desnecessária de querer se auto-afirmar como gênio (seria um complexo de inferioridade característico dos artistas?), algo que ele já provou ser através de seus trabalhos sessentistas. Não que a sua direção aqui seja ruim, muito pelo contrário, é fantástica como sempre, mas não resta dúvidas de que a abundância de maneirismos empregados pelo gênio francês atrapalha consideravelmente no resultado final da obra.

Ao mesmo tempo em que posicionar a câmera apropinquada e fixamente à nuca de uma pessoa, enquanto esta assiste a uma aula de ciências, se mostra uma tática um tanto o quanto inteligente de fazer com que o espectador se sinta sentado exatamente atrás da moça, fazer cortes a todo o instante utilizando telas inteiramente negras com os dizeres: “En Ce Temps Lá” (“Naquela época”, em português) revela-se uma tentativa um tanto o quanto desesperada, desnecessária e carregada de alarde de se reinventar.

Mas e quanto a toda polêmica em volta do filme em questão? Mera neurose propagada pela mídia alarmista, pela Igreja conservadora e pela censura néscia daquela época. Não há nada de controverso na obra em si, salvo as excessivas cenas de nudez exibidas durante a sua projeção, mas nada que acabe justificando, de fato, toda a inquietação feita em cima da produção. Em momento algum notamos uma tentativa de ofender as crenças católicas. Também não podemos presenciar a suposta ode que o grande gênio da cinematografia francesa realizou ao cristianismo aqui (conforme muitos críticos alegam) pelo simples fato dele não ter realizado ode alguma (ou será que as pessoas que defendem tal tese (incluindo o Papa João Paulo II, pessoa a qual respeito muito) esqueceram-se de que Godard tem uma leve inclinação ao ateísmo (não tanto o quanto Federico Fellini, Ingmar Bergman, Marlon Brando e Luís Buñuel tinham, mas enfim…)?).

Pois se “Je Vous Salue, Marie” é um filme que nada tem de polêmico e não tece criticas, nem elogios, ao cristianismo, o que faz dele uma obra digna de ser assistida e venerada? Uma única palavra: versatilidade. Godard transfere para as telonas (e graças ao recente lançamento em DVD: para as telinhas também) uma original readequação do magnum opus da história do cristianismo: o nascimento de seu mártir. Como ele seria se fosse readaptado aos dias atuais? Como seria José? Como seria o Anjo Gabriel? Como seriam os três reis magos? E, acima de tudo, como seria Maria? Como seria a Maria moderna, em uma época onde carregar consigo uma missão divina consiste em um desafio ainda maior do que há dois mil anos atrás, uma vez que, atualmente, manter um perfeito equilíbrio entre corpo e alma torna-se cada vez mais difícil?

Mas não apenas o dogma mor do cristianismo é ilustrado aqui, como também o axioma absoluto adotado pela ciência cética, ou seja, o caminho percorrido através de métodos empíricos e/ou filosóficos que levem os pesquisadores a alcançar resultados cada vez mais concretos que se revelam capazes de derrubar definitivamente as teorias criacionistas. Assim como Godard realiza um complexo estudo sobre o nascimento de Cristo adaptado aos dias atuais, ele o faz de forma ainda mais perfeita quando opta por abordar (magistralmente, diga-se) uma subtrama dotada dos mais bem argumentados diálogos filosóficos e que é protagonizada por um professor de ciências (que crê na hipótese de nós, seres humanos, sermos descendentes de alienígenas) e sua aluna (e o fato do nome desta ser Eva, definitivamente, não se trata de mera coincidência), com a qual mantém um caso de amor secreto.

Em suma, ignore toda a polêmica envolvendo “Je Vous Salue, Marie”, pois trata-se de muitos relâmpagos para pouca tempestade. O filme é, na realidade, uma excelente abordagem contemporânea dos dois mais elevados pontos defendidos pela Igreja e pela Ciência: o nascimento de Cristo, por parte da primeira, e os métodos empíricos, adotados pela segunda, a fim de tornar obsoletas as teorias criacionistas. A fita é ótima e, não fosse por alguns maneirismos adotados por Godard a fim de, desnecessariamente, se auto-afirmar como um verdadeiro gênio da história do Cinema, o resultado final teria sido ainda mais completo do que realmente foi.

Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.

Sinédoque, Nova York – **** de *****

Passei dias admiráveis conferindo clássicos do Cinema Italiano e do Cinema Francês e percebi que já estava na hora de voltar à realidade. Pensei: “Preciso voltar a criticar os filmes “hollywoodianos”, pois, por mais decadentes que estes sejam, são os que mais abundam nos cinemas do mundo todo”. E sejamos francos, por mais prazerosa que seja a sensação de se criticar uma obra cinematográfica antiga, são as produções mais recentes que atraem uma maior quantia de leitores aos sites e blogs de Cinema. Vi-me então obrigado a voltar a analisar os típicos filmes produzidos por Hollywood e, para a minha surpresa, recomecei com um que está longe de seguir tal estereotipo. Mas também, o que mais poderia se esperar de algo produzido por uma mente tão brilhante e, ao mesmo tempo, tão perturbada quanto a de Charlie Kaufman?

Ficha Técnica:
Título Original: Synecdoche, New York.
Gênero: Drama.Tempo de Duração: 124 minutos.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: www.sonyclassics.com/synecdocheny
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Charlie Kaufman.
Roteiro: Charlie Kaufman.
Elenco: Philip Seymour Hoffman (Caden Cotard), Catherine Keener (Adele Lack), Sadie Goldstein (Olive – 4 anos), Robin Weigert (Olive – adulta), Tom Noonan (Sammy Barnathan), Josh Pais (Dr. Eisenberg), Daniel London (Tom), Robert Seay (David), Michelle Williams (Claire Keen), Stephen Adly Guirgis (Davis), Samantha Morton (Hazel), Hope Davis (Madeleine Gravis), Frank Girardeau (Plumber), Jennifer Jason Leigh (Maria), Paul Sparks (Derek), Daisy Tahan (Ariel), Timothy Doyle (Michael), Rosemary Murphy (Frances), Emily Watson (Tammy), William Ryall (Jimmy), Dianne Wiest (Ellen Bascomb / Millicent Weems), Joe Lisi (Maurice), Jerry Adler (Pai de Caden), Lynn Cohen (Mãe de Caden), Kat Peters (Ellen – 10 anos), Deirdre O’Connell (Mãe de Ellen) e Peter Friedman (Médico do setor de emergência).

Sinopse: Após ser abandonado pela esposa Adele (Catherine Keener) e pela filha Olive (Sadie Goldstein), o diretor de peças teatrais Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman) passa a enfrentar uma série de conflitos existenciais que parecem não ter fim. Eis que o diretor ganha um relevante prêmio em dinheiro e decide criar uma peça teatral embasada totalmente em sua vida. É aí que o mesmo passa a refletir sobre toda a sua existência.

Synedoche, New York – Trailer:

Crítica:

Não é fácil assistir a “Sinédoque, Nova York”, o mais novo filme do roteirista e, agora diretor, Charlie Kaufman. Contando com uma narrativa extremamente abstrata e que mescla constantemente realidade com fantasia (ou delírio, que seja), o longa revela-se um intrincado quebra-cabeças que exige do espectador um forte esforço intelectual, emocional e lógico (ou seria ilógico?), a começar pelo próprio título da obra.

É comum que algumas pessoas saiam dos cinemas se perguntando: “Mas afinal de contas, por que diabos este filme chama-se “Sinédoque, Nova York”?”. Confesso que eu mesmo já nem me lembrava mais dos mínimos detalhes das aulas ginasiais de português, inclusive no que se refere à figuras de linguagem. Logo, admito que procurei o significado de tal palavra antes de assistir ao filme. Descobri, ou melhor, redescobri que o termo ‘sinédoque’ trata-se na realidade de uma metonímia que substitui um conjunto de objetos, pessoas, animais e etc… Citemos um exemplo: “Assisti a todos os “Godards” que se possa imaginar.” (MENTIRA!!!). Neste caso, a palavra ‘Godards’ refere-se diretamente a toda a filmografia do cineasta francês. Logo, “Sinédoque, Nova York” trata-se de um magistral título (e confesso que desde “O Escafandro e a Borboleta” não via um título ser tão bem adequado a um filme quanto este o é) que ilustra um pequenino pedaço da cidade de Nova York que possui a função de representar uma cidade inteira, ou, quem sabe, a nação inteira, ou até mesmo o mundo inteiro.

E é nesta sinédoque nova-iorquina que o brilhante roteiro de Kaufman desenvolve o seu protagonista: o diretor de teatro Caden Cotart (encarnado com maestria por Philip Seymour Hoffman, em uma das melhores atuações de sua carreira, comprovando definitivamente que é um dos melhores atores estadunidenses em ação). Assumindo a função artística de alter-ego de Kaufman, Cotart é a personificação do pessimismo. Portador de uma doença que causa envelhecimento de pele precoce, o protagonista passa boa parte da vida esperando o pior, imaginando que a morte baterá em sua porta muito antes do conveniente. O diretor então se torna uma pessoa cada vez mais depressiva e desacreditada. As coisas só vem a piorar quando a esposa do personagem principal utiliza uma exposição (ela é uma artista que pinta micro (isso para não dizer “nano”) quadros) em Berlin como tergiversação para abandona-lo definitivamente, e levar a filha embora consigo.

Cotart se torna um sujeito ainda mais propenso a ataques de melancolia e crises existenciais, mas decide curar as mesmas investindo em dois mal-sucedidos romances com Hazel (a bilheteira de seu teatro) e Claire (uma de suas atrizes prediletas). Nada funciona corretamente na vida de Cotart, e talvez seja aí que resida uma das grandes falhas do filme, nesta artificialidade com a qual o roteiro cria algumas situações exageradas a fim de desenvolver o seu principal personagem. O protagonista, além de ser portador das patologias supracitadas, passa por uma maré de azar que torna-se difícil de crermos e levarmos a sério o seu sofrimento durante alguns poucos segundos. Tudo dá errado na vida do diretor teatral, tudo mesmo, e quando algo parece que vai tomar o rumo, acontece um incidente e o protagonista volta ao zero. Ou seja, Cotart é, na verdade, um Benjamin Button às avessas.

Mas, no geral, o filme conta com metáforas bastante satisfatórias e dá uma guinada incrível quando o protagonista recebe uma considerável quantia em dinheiro para que possa realizar uma peça teatral realmente pomposa. O diretor opta então por reproduzir a sua vida passo a passo, detalhe por detalhe, nos palcos de seu teatro. É construída uma magistral réplica de Nova York, vários atores são contratados para encenar os inúmeros incidentes ocorridos na vida de Cotart, e o modo como Kaufman (o diretor) conduz esse entrelaçamento entre realidade e fantasia é não menos do que maravilhoso, tanto que o cineasta consegue perfeitamente o que queria, deixar o espectador confuso.

Confuso, aliás, é uma palavra que descreve perfeitamente o rumo que a trama assume a partir daí. Já não conseguimos mais discernir realidade de fantasia e ficção de delírio. Tudo o que vemos é uma série de metáforas fantásticas (no sentido ambíguo) que realizam uma conveniente abordagem sobre o sofrimento, sobre o amor, sobre o modo como o tempo avassalador castiga os seus soberanos (nós, pobres mortais) e, mormente, sobre a tênue linha que liga a vida à morte. A odisséia de Cotart revela-se então uma espelhação artística de nossas existências, afinal de contas, o que seria a vida, aos olhos de um pessimista tal como Charlie Kaufman, senão um eterno ensaio que não nos leva a lugar algum, que não seja à morte?

E é claro que quando citei a hipótese supra, descrevi apenas a minha interpretação relacionada ao eterno ensaio de Cotart, sendo que há muitas outras análises cinematográficas redigidas sobre o filme em questão que apontam a peça teatral como sendo uma metáfora à forma que um projeto artístico consome o seu realizador de modo gradual, a ponto de sugar todas as forças deste.

Existe também a possibilidade de Kaufman ter feito deste “Sinédoque, Nova York” o que Stanley Kubrick fez com “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, transformando-o em uma obra com o intento de formular apenas questões, e não respostas (apesar de eu defender a tese (e é óbvio que apenas a defendo e não a julgo como sendo a tese definitivamente verdadeira) de que a obra-prima de Kubrick (e meu segundo filme predileto) trata-se de uma alegoria espacial sobre a evolução humana do ponto de vista nieztschiano – pois é, eu tinha que citar Nieztsche neste texto, não é mesmo?).

Independentemente da mensagem que Kaufman almejou nos transmitir com “Sinédoque, Nova York”, o filme em questão trata-se de uma obra imperdível, recheada de características que nos remetem à lembrança de outras obras-primas, tais como “Um Cão Andaluz” (ainda que não seja tão dadaísta quanto o curta-metragem mais revolucionário da história do Cinema) de Luís Buñuel, e “Cidade dos Sonhos” de David Lynch.

Fica a recomendação para que o leitor, quando for assistir ao filme, ao invés de tentar amarrar todas as pontas do longa, apenas embarque na surreal viagem de Charlie Kaufman e lucubre, após o término da sessão, sobre um (ou mais) dos vários questionamentos que a produção em questão nos remete.

Avaliação Final: 8,7 na escala de 10,0.

Jules & Jim – Uma Mulher Para Dois – ***** de *****

Quando escrevi a pré-crítica do ótimo “Rocco e Seus Irmãos”, comentei que o Cinema Italiano era, ao meu ver, o segundo melhor Cinema existente. Contudo, esqueci de dizer qual era o Cinema que, definitivamente, mais me agradava. Pois respondo agora mesmo, o Cinema que mais me agrada é, inquestionavelmente, o Cinema Francês. Se a sétima Arte produzida na França contasse apenas com Jean-Luc Godard, creio que já poderia se declarar o melhor Cinema existente no mundo inteiro, agora, imaginem somar Godard com François Truffaut, Jean Renoir, Robert Bresson, Claude Chabrol, Jean Vigo, Roman Polanski, Eric Rohmer, Michel Gondry, Alain Resnais, François Ozon, Louis Malle, Gaspar Noé e muitos outros? Pois é, não restam dúvidas de que o Cinema Francês é muito rico mesmo, e enriqueceu-se ainda mais durante o clássico período alcunhado de Nouvelle Vague. E falando em Nouvelle Vague, sabiam que nunca havia assistido a este “Jules & Jim”, um dos maiores representantes da mais gloriosa era do Cinema Francês? Pois é, reparado esse terrível erro de minha parte, vamos à crítica da obra-prima de Truffaut.

Ficha Técnica:
Título Original: Jules et Jim.
Gênero: Drama.
Tempo de Duração: 104 minutos.
Ano de Lançamento: 1962.
País de Origem: França.
Direção: François Truffaut.
Roteiro: François Truffaut e Jean Gruault, baseado em livro de Henri-Pierre Roché.
Elenco: Jeanne Moreau (Catherine), Oskar Werner (Jules), Henri Serre (Jim), Vanna Urbino (Gilberte), Boris Bassiak (Albert), Anny Nelsen (Lucie), Sabine Haudepin(Sabine), Marie Dubois (Therese), Christiane Wagner (Helga) e Michel Subor (Narrador).

Sinopse: Jules (Oskar Werner) e Jim (Henri Serre) são dois jovens boêmios e intelectuais que vivem em Paris durante a Belle Époque. A vida de ambos ganha uma injeção de ânimo ainda maior quando Catherine (Jeanne Moreau), uma jovem libertária, revolucionária, contestadora, inconsequente e impetuosa os conhece. Os três formam um grupo inseparável que passa boa parte do tempo indo ao teatro, realizando passeios ciclísticos e frequentando a praia local. Dá-se início à Primeira Guerra Mundial, Jules se vê obrigado a sair da França e defender a sua terra natal, mas casa-se com Catherine antes. Terminada a guerra, Jim vai visitar os dois amigos e vê que ambos formaram uma família bem sucedida. Mas o tempo passa e o francês se dá conta de que os dois não são tão felizes quanto pensava, uma vez que Catherine é uma jovem feminista ferrenha e acredita que o amor é curto. Logo, a garota passa a trair Jules constantemente, achando que trata-se de uma atitude normal. Jules não se importa com isso, contenta-se apenas com a presença da esposa, sem se preocupar com a fidelidade por parte da mesma. As coisas mudam completamente de figura quando Catherine passa a amar Jim, e o sentimento torna-se recíproco, nascendo aí um triângulo amoroso altamente explosivo.

Jules et Jim – Trailer:

Crítica:

É interessante que, antes de assistir a este “Jules & Jim – Uma Mulher Para Dois”, o último filme por mim conferido tenha sido “Acossado” de Jean-Luc Godard (e aconselho que o(a) leitor(a) o faça da mesma forma, assista à obra-prima de Godard e, logo me seguida, assista a obra-prima de Truffaut, e quando tiver acabado, entenderá o porquê de meu conselho), pois ambos tem muito em comum.

Além de serem dois dos maiores representantes da Nouvelle Vague, também contam com o “amor” como grande protagonista da trama. Entretanto, ambas as obras abordam tal sentimento de formas extremamente diferentes, sendo que o longa de Godard estabelecia um panorama sobre o amor entre duas pessoas completamente diferentes, ao contrário do longa de Truffaut, que o faz em cima de vários indivíduos com muitas características em comum.

O filme começa com uma citação que o resume muito bem. Catherine, a protagonista, diz: “Você disse: “eu te amo”, eu disse: “espere”, eu disse: “sou sua” e você disse: vá embora”. Neste curto diálogo podemos prever que o longa trata de pessoas que amam, mas não suportam vivenciarem tal amor de forma completa. É como se o mesmo as enjoasse, as entediasse, e perdesse toda a magia e o charme inicial com o decorrer de um curto período de tempo. X ama Y, Y pede a X um tempo para pensar, Y decide então aceitar o amor de X, e quando X passa a se relacionar afetivamente com Y, ele já não sabe mais se ama o parceiro. Complexo? E como.

É nesta amálgama amorosa que o roteiro assinado por François Truffaut e Jean Gruault, baseados no romance autobiográfico de Henri-Pierre Roché, tece o seu trio de personagens principais. Adotando inicialmente uma narrativa abrupta e efêmera, assim como muitos exemplares da Nouvelle Vague o fizeram, “Jules & Jim – Uma Mulher Para Dois” nos introduz logo de cara, e sem quaisquer delongas, à amizade entre os personagens título. Passamos a saber, logo no início da projeção, que ambos tornaram-se amigos fantasiando-se para um baile, e pronto, isso já basta. Não é necessária uma abordagem mais ampla de como ambos se conheceram, isso seria perda de tempo.

Jules é um austríaco que, ao lado do francês Jim, nutre uma paixão incondicional pela Arte. Ambos passam os seus vinte e poucos anos de idade aproveitando a vida ao máximo, fazendo tudo o que os demais jovens aristocratas poderiam fazer na Paris dos últimos anos da Belle Époque. O desenvolvimento diegético de ambos passa a fazer mais sentido e descobrimos então a verdadeira razão da existência da amizade entre os protagonistas. Os dois estão fortemente ligados aos prazeres da boemia e ao estudo da Arte, e isso já basta para que o apego entre ambos nos cative definitivamente, justificando o início súbito do filme.

A amizade entre eles ganha força máxima com a inclusão de Catherine na trama. Assim como Jules tornou-se amigo de Jim ao acaso, o mesmo ocorre com a personagem magistralmente encarnada pela excelente Jeanne Moreau. A primo, Catherine surge como um amálgama entre os dois amigos. A garota, até então depressiva, completa e, ao mesmo tempo, é completada pela alegria dos personagens-título. Os jovens, que já seguiam um estilo de vida hedonista, e com ligeiras pinceladas epicuristas, ganham características ainda mais joviais quando se encontram ao lado da moça.

Mas tudo o que é belo tem o seu fim. Chega a Primeira Grande Guerra e, com ela, surge uma vírgula que interrompe a amizade de ambos. Jules é desterrado da França para lutar pelo seu país. Notamos então que os sentimentos de ambos são realmente verdadeiros, pois um prefere mil vezes a própria morte a ter de aniquilar o outro em campo de batalha.

A guerra acaba. Jim visita Jules, que encontra-se casado com Catherine e, em uma primeira vista, julga que ambos formaram um casal feliz, construíram uma excelente cabana em uma bela fazenda e tiveram uma filha encantadora. Eles tem tudo para ser uma família afortunada, mas não são. Por quê? Em face do gênio impetuoso e libertário de Catherine.

Jules ama a imagem que criou em cima da moça, mas não nutre por ela um sentimento tão intenso quando esta se encontra a sua frente. Catherine já é uma jovem demasiada feminista e libertária. Ela é a personificação da década de 1.920, uma feminista insanável. É extremamente ‘saidinha’, como diriam os mais velhos. A personagem de Jeanne Moreau é adepta ferrenha do amor livre, do amor anárquico, do amor rotativo. Para ela, o verdadeiro amor existe, de fato, mas tem uma chama muito curta e pode ser facilmente apagado.

Eis que Jim volta à sua vida. O francês passa a amá-la, mas respeita o amigo. Jules, no entanto, desconfia, e pede ao amigo que case-se com a sua esposa, pois apenas desta forma ele poderá vê-la todos os dias, já que o austríaco não consegue disponibilizar a esta todo o amor necessário (se é que realmente existe algum), ele confessa que contenta-se apenas com a presença diária de Catherine. Jules permite então que o amigo francês e a ex-esposa mantenham conjunção carnal em sua própria morada, debaixo de seu próprio nariz.

Seria ele um (com o prévio perdão pela expressão vulgar) “corno manso”? Ou quem sabe um voyeur. Não, nem um, nem outro. Jules, como já fora dito, ama apenas a imagem que criou sobre Catherine, e talvez nem ame a pessoa Catherine, apesar de não conseguir viver afastado da mesma. Para ele não consiste uma traição ver as duas pessoas a que mais ama manterem um relacionamento afetivo dentro de sua própria casa, e com o seu próprio aval. Mas aos poucos Jim também passa a sentir que já não ama Catherine com a mesma magnitude que amava outrora e tal sentimento é recíproco.

E é aí que o vai-e-vem amoroso começa tudo de novo. Os desconexos sentimentos afetivos tomam conta da película mais uma vez (se é que deixaram de tomar conta da mesma durante algum instante) e nos vemos novamente diante de um relacionamento que mais parece ter ocorrido em meio a uma comunidade hippie. E falando em comunidades hippies, não é de se estranhar a coincidência de “Jules & Jim – Uma Mulher Para Dois” ter sido lançado justamente nos anos 1.960, juntamente com o surgimento destes movimentos da contracultura, já que eles também pregavam a mesma forma alternativa de amor.

É através da utilização de uma direção bastante autoral, repleta de travelings curtos e rápidos, cortes dinâmicos, e de enquadramentos que exploram ao máximo a beleza natural de suas locações, bem como de sua fotografia, que Truffaut filma “Jules & Jim – Uma Mulher Para Dois” realizando um complexo estudo de personagens que amam de forma doentia, e deixam de amar de forma ainda mais doentia.

Não é o melhor exemplar que a Nouvelle Vague pode nos oferecer, pois perde de longe para “Acossado”, mas é uma obra-prima incontestável. Um marco na sétima Arte.

Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.

Rocco e Seus Irmãos – ***** de *****

abril 14, 2009 2 comentários
Vendo aqui a resenha de Daniel sobre tal filme,venho atribuir a esse gigante do cinema uma segunda opinião,dessa que,não somente é meu Visconti favorito,como também é um gigante entre os filmes que já vi na vida.

Um pequeno texto que havia escrito em maio/2008,quando vi o filme:

Rocco e Seus Irmãos (1960,de Luchino Visconti)

Visconti agora foi elevado ao nível gênio,terceira obra dele que vejo e uma sempre melhor que as outras, esqueça ‘O Leopardo’ a obra-prima dele é esta:

A jornada de uma família que era feliz e não sabia e ficou infeliz sabendo disso.Visconti crítica a hipócrisia em família,que tenta colocar belos porta-retratos paea tamparem as rachaduras de sua parede,e as rachaduras desse filme aparecem de forma claraOs cinco irmãos que vão aos poucos tomando destinos diferentes,mas a ação de cada um ainda influência na reação do outro e é claro da figura materna que eles tentam proteger.Inveja,saudades,amor…todos os sentimentos que os envolve,eles se amam ou tentam se amar,junto a isso,Visconti ainda traça o perfil indivudaul de cada um e coloca caracteristicas bem particulares para eles.As coisas só se agrava quando Rocco se apaixona por Nádia,a ex-ficante de seu irmão mais velho Simone,era o que precisava para a família se abalar de vezCenas marcantes estão presentes nessa obra-prima,alguymas mostrando a verdadeira felicidade escondida por trás de uma fantasia infeliz,que é logo no início na seqüência que neva e eles proucuram emprego,cenas fortes como o estupro de Nádia,a briga de rua entre Rocco e Simone e o assassinato.
Milão é fria,assim como as relções em família pouco-a-pouco se transformam.

Simone entra para a lista dos personagens mais desprezíveis que o cinema já pôde fazer,e fica lá,bem ao lado de figuras como Johnny Friendy,Charle Foster Kane,Fred C. Dobbs,enfermeira Ratched ou Mr. Potter.