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Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados – * de *****

Mencionei ontem no Twitter do Cine-Phylum que não estava nem um pouco afim de ir aos cinemas conferir a pré-estréia deste “Transformers – A Vingança dos Derrotados”. Não, essa minha falta de vontade em assistir ao filme não estava diretamente ligada à qualidade (ou a falta de) do mesmo, mas sim ao fato de a cópia que estava sendo exibida nos cinemas de minha cidade ser dublada. Sinceramente, não creio que seja nem um pouco ética esta minha atitude de criticar um filme dublado. Por quê? Porque não julgo um filme dublado uma obra cinematográfica original. Assistir a uma produção com o som original é extremamente importante para que possamos avaliar a atuação do elenco, já que o tom de voz que os atores emprega para compor os seus respectivos personagens é mais do que importante para o resultado final da obra. Destarte, peço para que o leitor leve em conta que, quando eu mencionar “atuações” na crítica a seguir, estarei me referindo à expressividade e ao carisma dos atores, descartando então o tom de voz dos mesmos.

Ficha Técnica:

Título Original: Transformers: Revenge of the Fallen.

Gênero: Ação.
Tempo de Duração:
147 minutos.

Ano de Lançamento: 2009.

Site Oficial: www.transformersmovie.com

País de Origem: Estados Unidos da América.

Direção: Michael Bay.

Roteiro: Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman.

Elenco: Shia LaBeouf (Sam Witwicky), Megan Fox (Mikaela Banes), Hugo Weaving (Megatron – voz), Josh Duhamel (Capitão Lennox), John Turturro (Agente Simmons / Jetfire – voz), Isabel Lucas (Alice), Tyrese Gibson (Sargento Epps), Matthew Marsden (Graham), Samantha Smith (Sarah Lennox), Glenn Morshower (General Morshower), Ramon Rodriguez (Leo Spitz), Kevin Dunn (Ron Witwicky), Julie White (Judy Witwicky), Michael Papajohn (Cal), John Benjamin Hickey (Theodore Galloway), Rainn Wilson (Professor), Frank Welker (Soundwave – voz), Peter Cullen (Optimus Prime – voz), Mark Ryan (Bumblebee – voz), Darius McCrary (Jazz – voz), Reno Wilson (Frenzy – voz), Robert Foxworth (Ratchet – voz), Jess Harnell (Ironhide / Barricade – voz) e Mike Patton (Mixmaster – voz).

Sinopse: Dois anos após a batalha entre os Autobots e os Decepticons, Sam Witwicky (Shia LaBeouf) enfrenta a ansiedade de entrar na faculdade. Isto significa que ele terá que morar separado de seus pais, Judy (Julie White) e Ron (Kevin Dunn), deixar a namorada Mikaela Banes (Megan Fox) e ainda explicar a situação ao seu amigo e protetor Bumblebee, já que pretende levar uma vida normal de agora em diante. Paralelamente o governo desativa o Setor 7, resultando na demissão do agente Simmons (John Turturro). Em seu lugar é criada a NEST, uma agência comandada pelo capitão Lennox (Josh Duhamel) e o sargento Epps (Tyrese Gibson), que trabalha em conjunto com os Autobots. Porém a NEST enfrenta a resistência de Theodore Galloway (John Benjamin Hickey), o consultor da segurança nacional, que a considera supérflua.

Fonte Sinopse: Adoro Cinema.

Transformers: Revenge of the Fallen – Trailer:

Crítica:

Começarei esta crítica praticamente da mesma forma que comecei a de “Anjos & Demônios”. Nunca assisti ao primeiro filme da franquia “Transformers”, nunca assisti ao desenho que passava na televisão (havia realmente um desenho animado que era exibido na TV? Juro que não me lembro) e nunca brinquei com os bonecos (cuja alcunha atribuída pela criançada na época era: “hóminhos”) dos personagens principais da série. E querem saber o que é pior? Nunca havia nem ao menos ouvido falar nestes tais “Transformers” antes do primeiro episódio da série ter sido lançado nos cinemas do mundo todo no ano de 2.007, e olha que sou da geração de 1.980 (nasci aos 17 de dezembro de 1.983), justamente quando os tais robôs alienígenas estavam no auge.

Mas o que seria eu então? Uma criança anormal? De forma alguma. Acontece que durante a minha infância me preocupava muito mais em assistir a desenhos como “Tom & Jerry”, “Faísca & Fumaça”, “Papa-Léguas”, “Tartarugas Ninja” e “Caverna do Dragão” a assistir os “Transformers” da vida. Logo, nem ao menos tomei ciência da existência do desenho animado durante os meus dias de garoto. Talvez seja justamente por este motivo que fui ao cinema local com toda a frieza que me é inerente. Não estava tão entusiasmado como alguns fãs que ali se encontravam estavam (inclusive, havia muitos “quarentões” na sessão, e sem a companhia dos filhos. Será que tratavam-se de nerds fãs incondicionais da série quando tinham vinte anos de idade? Pode apostar que sim), mas também não estava nem um pouco influenciado pelas críticas negativas que havia lido sobre o primeiro filme.

A sessão começa. Vejo-me sentado novamente na poltrona do meio da sala. Uns robôs, sem mais nem menos, aparecem na pré-história e saem matando seres humanos a torta e a direita, sem quaisquer propósitos pré-estabelecidos. E reside justamente aí a minha maior repugnância para com os filmes que envolvem extra-terrestres. Oras, por que um grupo de alienígenas iria almejar arriscar a própria espécie a fim de dominar um planeta como este (que os próprios robôs, durante muitos momentos do filme, afirmam ser um lixo de planeta)? E por que os “grandalhões” malvados não exterminaram a raça humana e não dominaram o mundo, quando era mais fácil para eles o fazer durante a pré-história? Seria pelo fato de os Autobots (os “mocinhos” da vez) terem impedido? Mas por que cargas d’água um grupo de robôs alienígenas se preocuparia em salvar a nossa espécie?

Francamente, não sei dizer se as questões por mim levantadas acima são furos de roteiro ou fruto de minha ignorância no que diz respeito à franquia “Transformers”, mas caso seja a segunda opção (o que, creio eu, é bem provável), não tenho culpa se o filme não explicou isso durante a sua projeção. Ops… pára tudo, pára tudo (lembram-se do imbecil do João Kleber?)… Acabei de confirmar com o meu pai (e vejam bem, o meu pai sabe muito mais da série do que eu) que os Decepticons (os vilões da vez) na verdade fugiram do planeta natal deles e vieram se esconder na Terra e os Autobots vieram os perseguir. Foi isso mesmo o que aconteceu (pergunto a alguém que tenha assistido ao primeiro filme ou aos episódios da série televisiva, uma vez que o meu pai confessou não ter muita certeza do que estava falando)? Enfim, caso esteja completamente errado e vocês estejam rindo de minha cara (e da de meu progenitor também), novamente insisto que não é culpa minha que um filme com duas horas e vinte minutos de projeção pare um segundo sequer para explicar e/ou relembrar isso.

E falando em projeção, que longa extenso este, não? Sejamos honestos, duas horas e vinte minutos de duração para isso! Para uma estórinha mal contada destas, que não tem nem ao menos a dignidade de se valer por si só (sim, pois como havia dito, o fato de não ter assistido ao episódio anterior faz com que eu nada saiba sobre os reias intentos dos Decepticons aqui na Terra) e depende completamente do episódio anterior para funcionar! Eu me pergunto: o que passava pela cabeça de Michael Bay enquanto filmava tantas cenas altamente dispensáveis para o resultado final da obra? Por que não dar pequenas dicas a espectadores desavisados (como era o meu caso) sobre o real motivo do embate entre Autobots e Decepticons? Afinal de contas, “Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados”, apesar de ser uma continuação, é (ao menos era para ser) um episódio extremamente independente do filme que lhe deu origem, ao contrário de “Kill Bill – Volume II”, por exemplo, onde deveríamos assistir ao primeiro longa metragem para entender a sua continuação, já que ambos formam um único filme.

Entretanto, mesmo que recomeçasse esta crítica agora, neste exato momento. Mesmo que soubesse todas as respostas para as perguntas que fiz. Mesmo que fosse o maior entusiasta e conhecedor de “Transformers” da face da Terra, teria achado o filme ruim.

Sim, “Transformers 2…” é ruim por si só, e sabem quem é o maior responsável por isso? Um doce para quem acertar. Claro, Michael Bay, o alvo favorito (ao lado do tão horrendo quanto Uwe Boll) dos críticos de Cinema do mundo todo. O Ed Wood de nossa geração dá sinais de sua incompetência logo no início do filme quando, ao realizar um rápido travelling ou um singelo afastamento de câmera, treme a mesma como se estivesse segurando uma britadeira ligada com a mão oposta. E o que dizer então das exageradas rotações de câmera de cento e oitenta graus quando filma um momento romântico do casal de protagonistas (ele bem que poderia ter aprendido a fazer decentes rotações com Christopher Nolan em “Batman – O Caveleiro das Trevas”)?

E quanto às demais características que sempre marcam, do modo mais negativo o possível, o trabalho do cineasta (gargalhadas pela palavra “cineasta”)? Da mesma forma que constatamos em muitos outros de seus filmes, em “Transformers 2…” Bay aplica inúmeras tomadas em slow motion enquanto mostra os protagonistas fugindo de uma recente explosão, gira a sua câmera “desenhando” uma esfera completa a fim de filmar porta-aviões estadunidenses e, é claro, faz questão de realizar closes de inúmeros soldados caminhando lentamente com aquele ar blasé, típico dos fracassados militares oriundos da Terra do Tio Sam.

Ah, e é claro que não podemos nos esquecer de mencionar o oportunismo (também característico do diretor) adotado com a finalidade de explorar todos os atributos das atrizes símbolos sexuais que trabalham com ele. Para se ter uma idéia, Megan Fox entra em cena montada em uma moto, inclinada para frente, com um short jeans excessivamente minúsculo e a bunda levantada bem ao alto (Está bem, confesso, meu lado pessoal adorou essa cena). E já que mencionei o (suculento) traseiro da atriz, o leitor tem alguma dúvida de que o diretor explora ao máximo esta parte do corpo dela? Basta dizer que, quando a mesma não é exibida com uma blusa deveras decotada e que mostra boa parte de seus seios, Bay faz questão de colocá-la em cena de um modo que a sua câmera consiga filmar os quadris da moça sendo fortemente apertados por uma calça branca extremamente justa (aliás, ela, assim como todos os outros personagens, passa o filme todo com a mesma roupa. Que figurino mais pobre esse, viu!).

E sei que já me estendi demais nesta crítica, principalmente para falar mal de Michael Bay, mas o leitor teria a bondade de me conceder mais uns minutinhos de seu tempo para criticar ainda mais o diretor (fazer o quê? O cara é um desastre em forma de cineasta)? Não bastassem todas as falhas cometidas pelo diretor, ele ainda tem a pachorra de empregar uma trilha-sonora visivelmente maniqueísta para conferir ao longa a sensibilidade que não tem competência para o fazer.

Mas vamos parar por aqui, a crítica já foi muito além do que deveria ter ido.

Em suma, “Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados” é o típico filme de ação comercial proveniente dos grandes estúdios de Hollywood: divertido, cheio de adrenalina e repleto de efeitos especiais (visuais e sonoros) dignos de fazer cair o queixo, mas que jamais conseguem maquiar as terríveis falhas que são exibidas durante os seus desnecessariamente longos duzentos e vinte minutos de duração, variando desde a trama apenas razoável, passando pelas atuações nada convincentes por parte de todo o elenco, pelos alívios cômicos frustrantes, e pela falta de carisma dos personagens principais, encerrando-se no pavoroso trabalho de direção. Enfim, segue o estereótipo das obras cuja direção é assinada por um dos maiores engodos do Cinema nos últimos anos: Michael Bay.

Obs.: É impressão minha ou o personagem Leo (que nem ao menos diz a que veio no filme), próximo ao desfecho do longa, é adormecido com um choque em uma cena e, logo na outra, aparece acordado e agindo normalmente como se nada houvesse acontecido? É Sr. Bay, parece que o senhor cometeu um dos erros de continuidade mais ridículos da história do Cinema, o que permite com que possamos lhe atribuir o título de Ed Wood dos anos 1.990 e 2.000.

Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.

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