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julho 7, 2009 1 comentário

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Categorias:Uncategorized

A Era do Gelo 3 – *** de *****

Sei que vou chover no molhado, mas não tem como deixar de defender a seguinte tese: Hollywood está, cada vez mais, preocupando-se em produzir filmes animados para crianças de todas as idades. Um exemplo? Basta notar que, durante a sessão deste “A Era do Gelo 3, haviam pessoas de todas as idades na sala de exibição (que, por sinal, estava lotadíssima, e confesso que há muito tempo (desde o mediano “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”, para ser mais exato) não me via dentro de uma sala de projeção tão cheia de espectadores). Não, essas pessoas, definitivamente, não estavam acompanhando os seus filhos, pois estavam, assim como eu, sentadas sozinhas nas poltronas do cinema. Pois é, essa é a prova de que Hollywood, felizmente, vem cada vez mais acabando com esse preconceito imaturo de que animações são exclusivamente destinadas ao público infantil ou, na melhor das hipóteses, ao público infanto-juvenil.



Ficha Técnica:

Título Original: Ice Age: Dawn of the Dinossaurs
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 94 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Site Oficial: www.aeradogelo3.com.br
País de Origem: Estados Unidos da América.

Direção: Carlos Saldanha
Roteiro: Michael Berg, Peter Ackerman, Mike Reiss e Yoni Brenner, baseado
em história de Jason Carter Eaton
Elenco: John Leguizamo (Sid), TadeuMello (Sid – versão brasileira), Denis Leary (Diego), Márcio Garcia (Diego – versão brasileira), Ray Romano (Manny), Diogo Vilela (Manny – versão brasileira), Queen Latifah (Ellie), Cláudia Jimenez (Ellie – versão brasileira), Simon Pegg (Buck), Alexandre Moreno (Buck – versão brasileira), Seann William Scott (Crash), Josh Peck (Eddie), Crhis Wedge (Scrat), Karen Disher (Scratte) e Joey King (Esquilo).


Sinopse: Manny (Ray Romano) e Ellie (Queen Latifah) estão à espera de seu primeiro filho. Sid (John Leguizamo) sequestra alguns ovos de dinossauro, o que faz com que passe a ter sua própria família adotiva. Só que o roubo faz com que se meta em apuros, obrigando Manny, Ellie e Diego (Denis Leary) a entrarem em um mundo subterrâneo para resgatá-lo.


Fonte Ficha Técnica e Sinopse: AdoroCinema.

Ice Age 3 – Trailer:


Crítica:


Quando o assunto em pauta é “A Era do Gelo”, só me encontro na possibilidade de mencionar o primeiro filme, uma vez que não assisti ao segundo episódio desta bem sucedida série cinematográfica.


Um dos grandes atrativos da saga protagonizada pelo trio de amigos Sid (John Leguizamo), Manny (Ray Romano) e Diego (Dennis Leary) não diz respeito necessariamente à parte diegética da animação, mas sim ao fato da mesma não ter sido produzida por nenhum dos dois grandes estúdios de animações da atualidade: a fenomenal Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios e a extremamente irregular DreamWorks Animation / Pacific Data Images. A bola da vez, ao menos durante o lançamento do primeiro longa desta franquia que se passa na era glacial, era dos estúdios Fox Animation Studios / Blue Sky Studios, que chegaram comendo pelas beiradas e, em pouco tempo, passaram a abocanhar uma interessante fatia do mercado (ainda que não conseguissem superar o faturamento de suas duas maiores concorrentes).


Outro ponto interessante no primeiro longa residia na genial idéia do diretor Chris Wedge em adotar as ligeiras aventuras protagonizadas pelo divertido e pé-frio esquilo Scart (magistralmente criado pelo brasileiro Carlos Saldanha, diretor do segundo e, também, deste terceiro episódio) a fim de entrelaçar as peripécias do azarado bichinho com a jornada dos três protagonistas, resultando assim na intercalação entre um curta metragem dinâmico e divertido, com a estória principal.


É justamente nesta estória principal, no entanto, que habitavam os maiores problemas da projeção. Se por um lado o humor empregado era suficientemente divertido para segurar o espectador nas poltronas das salas de cinema por aproximadamente 90 minutos, por outro lado a trama e os personagens que a compunham não contavam com o mínimo de originalidade, sendo que muitos deles tornavam-se previsíveis e insossos, como é o caso do tigre de dentes-de-sabre Diego, que pouco acrescenta à estória, além de sua mudança de “lado” ao longo da projeção ser algo um tanto o quanto fácil de se deduzir.


Original, ou não, previsível, ou não, a jornada dos amigos, que se uniam para salvar um bebê humano da morte certa e restituí-lo ao seu bando, era bastante interessante e repleta de momentos inspirados e divertidos, como a sequência que envolve um grupo de pássaros drontes (mais conhecidos como dodôs) e a inteligentíssima cena (a melhor do filme, sem sombra de dúvidas) em que Sid admira a cadeia evolutiva de um determinado animal enquanto aprecia uma fileira indiana formada por diversos seres que se encontram congelados dentro de uma caverna tomada pelo gelo.


O terceiro episódio da série, por sua vez, nada mais é do que uma releitura do filme original. A trama é diferente em seu contexto, mas o formato é basicamente o mesmo: um grupo de personagens, com características exageradamente incompatíveis entre si, se une para salvar um amigo que, por sinal, também conta com inúmeras características incompatíveis com as demais de seus companheiros e, é claro que, ao longo desta jornada, seremos apresentados a várias lições que nos remetam ao verdadeiro valor da amizade, da família, da união e muito mais.


Contudo, há algo neste terceiro episódio que o difere positivamente do primeiro: o roteiro não bate tanto na tecla da diferença entre um personagem do bando para com os demais. Mas, se isto é bom, pois poupa o espectador de diversas piadinhas que soariam um tanto o quanto repetitivas caso a fórmula do primeiro filme fosse fielmente seguida aqui, também conta com aspectos extremamente negativos, pois ao mesmo tempo em que o roteiro evita realçar com muita insistência os traços das figuras dramáticas que o compõem, acaba esquecendo de os explorar individualmente, fazendo com que os únicos personagens interessantes acabem sendo, de fato, o adorável tagarela Sid e o lunático Buck, que é uma das grandes novidades que este novo episódio trás.


E é claro que o esquilo Scart e a sua “namoradinha” (a maior novidade do filme, talvez) também são extremamente interessantes. O longa, como não poderia deixar de ser, começa com a sua marca registrada: o roedor correndo incansavelmente atrás de sua tão cobiçada noz. Ainda que “A Era do Gelo 3 não insira o azarado esquilinho em situações tão engraçadas como a sequência no primeiro episódio onde ele, involuntariamente, se passava por um pára-raios e era atingido por uma devastadora carga elétrica, o filme se mostra bastante inspirado ao criar novos “desastres” para o pequeno animal que tenta, a todo o custo, proteger o seu fruto.


E se a aparição de uma namorada para o mais famoso personagem da franquia “A Era do Gelo” me fizera torcer o nariz antes mesmo de assistir ao filme, o roteiro, escrito à quatro mãos, se mostrou sagaz o bastante para criar situações que fizessem com que o romance entre ambos jamais se mostra-se cansativo, muito pelo contrário, diria até mesmo que Scart ganhou uma concorrente à altura, uma vez que a sua cara-metade adiciona uma carga de humor bem alta à animação, sendo que, assim como o seu “namorado”, a roedora não precisa dizer uma única palavra sequer para se revelar infinitamente mais cativante e atraente que a grande maioria das figuras que compõem o rol de personagens de “A Era do Gelo 3, onde me vejo no direito de incluir: Diego, Crash, Eddie, Ellie e, acreditem, até mesmo Manny, que se revelava infinitamente mais conveniente no primeiro episódio.


Buck, por sua vez, mesmo seguindo o estereótipo do “tiozão-coronel-aposentado-biruta” (não, no filme ele não é coronel, mas segue bem a caricatura de um), revela-se um dos mais divertidos personagens. Longe de ser original, a doninha audaciosa ao menos confere a esta continuação vários de seus momentos mais cômicos e atraentes, bem como os excepcionais diálogos proferidos por ela (“___ Na verdade, descobri que havia ficado louco quando me apaixonei por um abacaxi, e olha que o bicho era feio que dói!”), além, é claro, de protagonizar os grandes momentos de adrenalina oferecidos por esta animação, entre as quais cito a cena onde ele “pilota” um ‘pterodactilo’.


Sid, entretanto, continua sendo a preguiça adoravelmente chata e tagarela de sempre. Sei que muitos irão discordar de mim, mas considero o protagonista desta animação o personagem mais atraente da mesma, superando até o próprio esquilo Scrat. Talvez seja justamente pelo fato de Sid ter essa personalidade paradoxal, já que ele é o chato-legal, o feio-engraçadinho e o inconveniente-pertinente. Pertinente também é a voz de seu dublador brasileiro, Tadeu Mello, que dá o tom ideal ao personagem (independentemente do quão bem Leguizamo tenha se saído dublando a preguiça na versão original) trazendo-o ainda mais próximo de seu público.


A trama, conforme já fora mencionado anteriormente, lembra muito a do primeiro filme, no que diz respeito ao formato desta, e mesmo que traga um Manny bem menos interessante (por que será que todo homem, quando casa, se torna um sujeito patético e desinteressante?) e um Diego tão sem sal quanto no longa anterior, prima por focar-se bastante em Sid em seu primeiro ato, e conferir total importância a Buck, durante o segundo ato de projeção, permitindo com que o seu ato final fique dividido entre ambos. Desta forma, o roteiro faz com que os personagens que realmente são mais interessantes acabem ganhando mais destaques, relegando os demais à condição de coadjuvantes.


A inserção dos tão comentados dinossauros também foi uma jogada bem inteligente do roteiro, pois coloca personagens que, outrora pareciam indestrutíveis, em um patamar de extremo perigo (note, apenas para citar um exemplo, a seqüência em que o poderoso tigre Diego perde uma “disputa” com um dinossauro para ver quem rosna mais aterrorizantemente) proporcionando assim uma carga de aventura maior à animação.


Mas mesmo com tantas qualidades, “A Era do Gelo 3 não consegue superar o episódio original da saga em nenhum quesito, exceto, talvez, no que se refira à direção do mesmo. Carlos Saldanha não só cria tomadas aéreas de modo que possamos acompanhar a ação de maneira bem mais satisfatória do que no filme anterior, como também faz uma conveniente parceria com a boa edição de Harry Hitner e a utiliza a fim de criar cortes fantásticos, que acabam dando muito mais charme à obra. Repare em uma cena, em especial, onde as trincas de um lago congelado, em questão de segundos, se transforma em um pedaço partido de uma casca de ovo.


Ops… esperem um pouco, disse que a direção era, talvez, o único quesito de “A Era do Gelo 3 que acabava superando o filme original, não disse? Pois desconsidere isso. Dedico este parágrafo inteiro para dizer que a parte gráfica desta animação é infinitamente superior à parte gráfica da animação que lhe deu origem. No episódio que deu origem à franquia, tínhamos gráficos extremamente bem desenhados. A água correndo, por exemplo, era fenomenal e tínhamos a clara impressão de que se tratava de água de verdade mesmo. Contudo, por mais que os personagens fossem todos muito bem desenhados, ainda sentíamos uma certa artificialidade na movimentação destes, sobretudo na do mamute Manny. Isso não ocorre neste terceiro capítulo da saga, onde não só os personagens ganham muito mais elasticidade em seus movimentos, como também acabam sendo desenhados de maneira mais cautelosa e minuciosa. Como não se encantar, por exemplo, com o cuidado que os responsáveis pela computação gráfica tiveram ao inserir pêlos praticamente perfeitos em Manny (e quando a câmera se aproxima do mesmo, sentimos como se realmente estivéssemos diante de pêlos de verdade)? E quanto à cena em que Diego persegue uma gazela? Indubitavelmente, os produtores da franquia não deixaram de por a mão no bolso e liberar uma boa verba ao pessoal da computação gráfica que, para a alegria de nós, espectadores, acabaram fazendo um trabalho excepcional.


Em suma, “A Era do Gelo 3 se mostra uma clara releitura do filme que lhe concebeu a origem e que, por sinal, também não era dos mais originais. Entretanto, não há como negar que trata-se de uma experiência instigante e bastante irrepreensível em suas gags (bem divertidas em sua maioria) e em suas cenas de aventura. Ponto positivo para Carlos Saldanha, mais um cineasta brasileiro que vem mostrando cada vez mais competência lá fora.


Obs.: Não tive oportunidade de assistir ao filme com a tecnologia 3D, o que, certamente, teria influenciado mais em minha avaliação final.


Obs. 2: Quando for assistir ao filme, não deixe de reparar na clara referência que ele faz à clássicos como “Godzilla”, “Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros” e à marcante animação da década de 1.980: “Em Busca do Vale Encantado” (este que, quando tinha apenas cinco anos de idade, era o meu filme predileto, ao lado de “Marcelino Pão e Vinho”, tanto que, em uma determinada ocasião, obriguei minha mãe a aluga-lo umas oito vezes seguidas para saciar de vez a minha incontrolável vontade de assisti-lo sem parar durante incontáveis dias).


Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.

Categorias:Uncategorized

A Era do Gelo 3 – *** de *****

Sei que vou chover no molhado, mas não tem como deixar de defender a seguinte tese: Hollywood está, cada vez mais, preocupando-se em produzir filmes animados para crianças de todas as idades. Um exemplo? Basta notar que, durante a sessão deste “A Era do Gelo 3, haviam pessoas de todas as idades na sala de exibição (que, por sinal, estava lotadíssima, e confesso que há muito tempo (desde o mediano “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”, para ser mais exato) não me via dentro de uma sala de projeção tão cheia de espectadores). Não, essas pessoas, definitivamente, não estavam acompanhando os seus filhos, pois estavam, assim como eu, sentadas sozinhas nas poltronas do cinema. Pois é, essa é a prova de que Hollywood, felizmente, vem cada vez mais acabando com esse preconceito imaturo de que animações são exclusivamente destinadas ao público infantil ou, na melhor das hipóteses, ao público infanto-juvenil.



Ficha Técnica:

Título Original: Ice Age: Dawn of the Dinossaurs
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 94 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Site Oficial: www.aeradogelo3.com.br
País de Origem: Estados Unidos da América.

Direção: Carlos Saldanha
Roteiro: Michael Berg, Peter Ackerman, Mike Reiss e Yoni Brenner, baseado
em história de Jason Carter Eaton
Elenco: John Leguizamo (Sid), TadeuMello (Sid – versão brasileira), Denis Leary (Diego), Márcio Garcia (Diego – versão brasileira), Ray Romano (Manny), Diogo Vilela (Manny – versão brasileira), Queen Latifah (Ellie), Cláudia Jimenez (Ellie – versão brasileira), Simon Pegg (Buck), Alexandre Moreno (Buck – versão brasileira), Seann William Scott (Crash), Josh Peck (Eddie), Crhis Wedge (Scrat), Karen Disher (Scratte) e Joey King (Esquilo).


Sinopse: Manny (Ray Romano) e Ellie (Queen Latifah) estão à espera de seu primeiro filho. Sid (John Leguizamo) sequestra alguns ovos de dinossauro, o que faz com que passe a ter sua própria família adotiva. Só que o roubo faz com que se meta em apuros, obrigando Manny, Ellie e Diego (Denis Leary) a entrarem em um mundo subterrâneo para resgatá-lo.


Fonte Ficha Técnica e Sinopse: AdoroCinema.

Ice Age 3 – Trailer:


Crítica:


Quando o assunto em pauta é “A Era do Gelo”, só me encontro na possibilidade de mencionar o primeiro filme, uma vez que não assisti ao segundo episódio desta bem sucedida série cinematográfica.


Um dos grandes atrativos da saga protagonizada pelo trio de amigos Sid (John Leguizamo), Manny (Ray Romano) e Diego (Dennis Leary) não diz respeito necessariamente à parte diegética da animação, mas sim ao fato da mesma não ter sido produzida por nenhum dos dois grandes estúdios de animações da atualidade: a fenomenal Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios e a extremamente irregular DreamWorks Animation / Pacific Data Images. A bola da vez, ao menos durante o lançamento do primeiro longa desta franquia que se passa na era glacial, era dos estúdios Fox Animation Studios / Blue Sky Studios, que chegaram comendo pelas beiradas e, em pouco tempo, passaram a abocanhar uma interessante fatia do mercado (ainda que não conseguissem superar o faturamento de suas duas maiores concorrentes).


Outro ponto interessante no primeiro longa residia na genial idéia do diretor Chris Wedge em adotar as ligeiras aventuras protagonizadas pelo divertido e pé-frio esquilo Scart (magistralmente criado pelo brasileiro Carlos Saldanha, diretor do segundo e, também, deste terceiro episódio) a fim de entrelaçar as peripécias do azarado bichinho com a jornada dos três protagonistas, resultando assim na intercalação entre um curta metragem dinâmico e divertido, com a estória principal.


É justamente nesta estória principal, no entanto, que habitavam os maiores problemas da projeção. Se por um lado o humor empregado era suficientemente divertido para segurar o espectador nas poltronas das salas de cinema por aproximadamente 90 minutos, por outro lado a trama e os personagens que a compunham não contavam com o mínimo de originalidade, sendo que muitos deles tornavam-se previsíveis e insossos, como é o caso do tigre de dentes-de-sabre Diego, que pouco acrescenta à estória, além de sua mudança de “lado” ao longo da projeção ser algo um tanto o quanto fácil de se deduzir.


Original, ou não, previsível, ou não, a jornada dos amigos, que se uniam para salvar um bebê humano da morte certa e restituí-lo ao seu bando, era bastante interessante e repleta de momentos inspirados e divertidos, como a sequência que envolve um grupo de pássaros drontes (mais conhecidos como dodôs) e a inteligentíssima cena (a melhor do filme, sem sombra de dúvidas) em que Sid admira a cadeia evolutiva de um determinado animal enquanto aprecia uma fileira indiana formada por diversos seres que se encontram congelados dentro de uma caverna tomada pelo gelo.


O terceiro episódio da série, por sua vez, nada mais é do que uma releitura do filme original. A trama é diferente em seu contexto, mas o formato é basicamente o mesmo: um grupo de personagens, com características exageradamente incompatíveis entre si, se une para salvar um amigo que, por sinal, também conta com inúmeras características incompatíveis com as demais de seus companheiros e, é claro que, ao longo desta jornada, seremos apresentados a várias lições que nos remetam ao verdadeiro valor da amizade, da família, da união e muito mais.


Contudo, há algo neste terceiro episódio que o difere positivamente do primeiro: o roteiro não bate tanto na tecla da diferença entre um personagem do bando para com os demais. Mas, se isto é bom, pois poupa o espectador de diversas piadinhas que soariam um tanto o quanto repetitivas caso a fórmula do primeiro filme fosse fielmente seguida aqui, também conta com aspectos extremamente negativos, pois ao mesmo tempo em que o roteiro evita realçar com muita insistência os traços das figuras dramáticas que o compõem, acaba esquecendo de os explorar individualmente, fazendo com que os únicos personagens interessantes acabem sendo, de fato, o adorável tagarela Sid e o lunático Buck, que é uma das grandes novidades que este novo episódio trás.


E é claro que o esquilo Scart e a sua “namoradinha” (a maior novidade do filme, talvez) também são extremamente interessantes. O longa, como não poderia deixar de ser, começa com a sua marca registrada: o roedor correndo incansavelmente atrás de sua tão cobiçada noz. Ainda que “A Era do Gelo 3 não insira o azarado esquilinho em situações tão engraçadas como a sequência no primeiro episódio onde ele, involuntariamente, se passava por um pára-raios e era atingido por uma devastadora carga elétrica, o filme se mostra bastante inspirado ao criar novos “desastres” para o pequeno animal que tenta, a todo o custo, proteger o seu fruto.


E se a aparição de uma namorada para o mais famoso personagem da franquia “A Era do Gelo” me fizera torcer o nariz antes mesmo de assistir ao filme, o roteiro, escrito à quatro mãos, se mostrou sagaz o bastante para criar situações que fizessem com que o romance entre ambos jamais se mostra-se cansativo, muito pelo contrário, diria até mesmo que Scart ganhou uma concorrente à altura, uma vez que a sua cara-metade adiciona uma carga de humor bem alta à animação, sendo que, assim como o seu “namorado”, a roedora não precisa dizer uma única palavra sequer para se revelar infinitamente mais cativante e atraente que a grande maioria das figuras que compõem o rol de personagens de “A Era do Gelo 3, onde me vejo no direito de incluir: Diego, Crash, Eddie, Ellie e, acreditem, até mesmo Manny, que se revelava infinitamente mais conveniente no primeiro episódio.


Buck, por sua vez, mesmo seguindo o estereótipo do “tiozão-coronel-aposentado-biruta” (não, no filme ele não é coronel, mas segue bem a caricatura de um), revela-se um dos mais divertidos personagens. Longe de ser original, a doninha audaciosa ao menos confere a esta continuação vários de seus momentos mais cômicos e atraentes, bem como os excepcionais diálogos proferidos por ela (“___ Na verdade, descobri que havia ficado louco quando me apaixonei por um abacaxi, e olha que o bicho era feio que dói!”), além, é claro, de protagonizar os grandes momentos de adrenalina oferecidos por esta animação, entre as quais cito a cena onde ele “pilota” um ‘pterodactilo’.


Sid, entretanto, continua sendo a preguiça adoravelmente chata e tagarela de sempre. Sei que muitos irão discordar de mim, mas considero o protagonista desta animação o personagem mais atraente da mesma, superando até o próprio esquilo Scrat. Talvez seja justamente pelo fato de Sid ter essa personalidade paradoxal, já que ele é o chato-legal, o feio-engraçadinho e o inconveniente-pertinente. Pertinente também é a voz de seu dublador brasileiro, Tadeu Mello, que dá o tom ideal ao personagem (independentemente do quão bem Leguizamo tenha se saído dublando a preguiça na versão original) trazendo-o ainda mais próximo de seu público.


A trama, conforme já fora mencionado anteriormente, lembra muito a do primeiro filme, no que diz respeito ao formato desta, e mesmo que traga um Manny bem menos interessante (por que será que todo homem, quando casa, se torna um sujeito patético e desinteressante?) e um Diego tão sem sal quanto no longa anterior, prima por focar-se bastante em Sid em seu primeiro ato, e conferir total importância a Buck, durante o segundo ato de projeção, permitindo com que o seu ato final fique dividido entre ambos. Desta forma, o roteiro faz com que os personagens que realmente são mais interessantes acabem ganhando mais destaques, relegando os demais à condição de coadjuvantes.


A inserção dos tão comentados dinossauros também foi uma jogada bem inteligente do roteiro, pois coloca personagens que, outrora pareciam indestrutíveis, em um patamar de extremo perigo (note, apenas para citar um exemplo, a seqüência em que o poderoso tigre Diego perde uma “disputa” com um dinossauro para ver quem rosna mais aterrorizantemente) proporcionando assim uma carga de aventura maior à animação.


Mas mesmo com tantas qualidades, “A Era do Gelo 3 não consegue superar o episódio original da saga em nenhum quesito, exceto, talvez, no que se refira à direção do mesmo. Carlos Saldanha não só cria tomadas aéreas de modo que possamos acompanhar a ação de maneira bem mais satisfatória do que no filme anterior, como também faz uma conveniente parceria com a boa edição de Harry Hitner e a utiliza a fim de criar cortes fantásticos, que acabam dando muito mais charme à obra. Repare em uma cena, em especial, onde as trincas de um lago congelado, em questão de segundos, se transforma em um pedaço partido de uma casca de ovo.


Ops… esperem um pouco, disse que a direção era, talvez, o único quesito de “A Era do Gelo 3 que acabava superando o filme original, não disse? Pois desconsidere isso. Dedico este parágrafo inteiro para dizer que a parte gráfica desta animação é infinitamente superior à parte gráfica da animação que lhe deu origem. No episódio que deu origem à franquia, tínhamos gráficos extremamente bem desenhados. A água correndo, por exemplo, era fenomenal e tínhamos a clara impressão de que se tratava de água de verdade mesmo. Contudo, por mais que os personagens fossem todos muito bem desenhados, ainda sentíamos uma certa artificialidade na movimentação destes, sobretudo na do mamute Manny. Isso não ocorre neste terceiro capítulo da saga, onde não só os personagens ganham muito mais elasticidade em seus movimentos, como também acabam sendo desenhados de maneira mais cautelosa e minuciosa. Como não se encantar, por exemplo, com o cuidado que os responsáveis pela computação gráfica tiveram ao inserir pêlos praticamente perfeitos em Manny (e quando a câmera se aproxima do mesmo, sentimos como se realmente estivéssemos diante de pêlos de verdade)? E quanto à cena em que Diego persegue uma gazela? Indubitavelmente, os produtores da franquia não deixaram de por a mão no bolso e liberar uma boa verba ao pessoal da computação gráfica que, para a alegria de nós, espectadores, acabaram fazendo um trabalho excepcional.


Em suma, “A Era do Gelo 3 se mostra uma clara releitura do filme que lhe concebeu a origem e que, por sinal, também não era dos mais originais. Entretanto, não há como negar que trata-se de uma experiência instigante e bastante irrepreensível em suas gags (bem divertidas em sua maioria) e em suas cenas de aventura. Ponto positivo para Carlos Saldanha, mais um cineasta brasileiro que vem mostrando cada vez mais competência lá fora.


Obs.: Não tive oportunidade de assistir ao filme com a tecnologia 3D, o que, certamente, teria influenciado mais em minha avaliação final.


Obs. 2: Quando for assistir ao filme, não deixe de reparar na clara referência que ele faz à clássicos como “Godzilla”, “Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros” e à marcante animação da década de 1.980: “Em Busca do Vale Encantado” (este que, quando tinha apenas cinco anos de idade, era o meu filme predileto, ao lado de “Marcelino Pão e Vinho”, tanto que, em uma determinada ocasião, obriguei minha mãe a aluga-lo umas oito vezes seguidas para saciar de vez a minha incontrolável vontade de assisti-lo sem parar durante incontáveis dias).


Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.

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Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados – * de *****

Mencionei ontem no Twitter do Cine-Phylum que não estava nem um pouco afim de ir aos cinemas conferir a pré-estréia deste “Transformers – A Vingança dos Derrotados”. Não, essa minha falta de vontade em assistir ao filme não estava diretamente ligada à qualidade (ou a falta de) do mesmo, mas sim ao fato de a cópia que estava sendo exibida nos cinemas de minha cidade ser dublada. Sinceramente, não creio que seja nem um pouco ética esta minha atitude de criticar um filme dublado. Por quê? Porque não julgo um filme dublado uma obra cinematográfica original. Assistir a uma produção com o som original é extremamente importante para que possamos avaliar a atuação do elenco, já que o tom de voz que os atores emprega para compor os seus respectivos personagens é mais do que importante para o resultado final da obra. Destarte, peço para que o leitor leve em conta que, quando eu mencionar “atuações” na crítica a seguir, estarei me referindo à expressividade e ao carisma dos atores, descartando então o tom de voz dos mesmos.

Ficha Técnica:

Título Original: Transformers: Revenge of the Fallen.

Gênero: Ação.
Tempo de Duração:
147 minutos.

Ano de Lançamento: 2009.

Site Oficial: www.transformersmovie.com

País de Origem: Estados Unidos da América.

Direção: Michael Bay.

Roteiro: Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman.

Elenco: Shia LaBeouf (Sam Witwicky), Megan Fox (Mikaela Banes), Hugo Weaving (Megatron – voz), Josh Duhamel (Capitão Lennox), John Turturro (Agente Simmons / Jetfire – voz), Isabel Lucas (Alice), Tyrese Gibson (Sargento Epps), Matthew Marsden (Graham), Samantha Smith (Sarah Lennox), Glenn Morshower (General Morshower), Ramon Rodriguez (Leo Spitz), Kevin Dunn (Ron Witwicky), Julie White (Judy Witwicky), Michael Papajohn (Cal), John Benjamin Hickey (Theodore Galloway), Rainn Wilson (Professor), Frank Welker (Soundwave – voz), Peter Cullen (Optimus Prime – voz), Mark Ryan (Bumblebee – voz), Darius McCrary (Jazz – voz), Reno Wilson (Frenzy – voz), Robert Foxworth (Ratchet – voz), Jess Harnell (Ironhide / Barricade – voz) e Mike Patton (Mixmaster – voz).

Sinopse: Dois anos após a batalha entre os Autobots e os Decepticons, Sam Witwicky (Shia LaBeouf) enfrenta a ansiedade de entrar na faculdade. Isto significa que ele terá que morar separado de seus pais, Judy (Julie White) e Ron (Kevin Dunn), deixar a namorada Mikaela Banes (Megan Fox) e ainda explicar a situação ao seu amigo e protetor Bumblebee, já que pretende levar uma vida normal de agora em diante. Paralelamente o governo desativa o Setor 7, resultando na demissão do agente Simmons (John Turturro). Em seu lugar é criada a NEST, uma agência comandada pelo capitão Lennox (Josh Duhamel) e o sargento Epps (Tyrese Gibson), que trabalha em conjunto com os Autobots. Porém a NEST enfrenta a resistência de Theodore Galloway (John Benjamin Hickey), o consultor da segurança nacional, que a considera supérflua.

Fonte Sinopse: Adoro Cinema.

Transformers: Revenge of the Fallen – Trailer:

Crítica:

Começarei esta crítica praticamente da mesma forma que comecei a de “Anjos & Demônios”. Nunca assisti ao primeiro filme da franquia “Transformers”, nunca assisti ao desenho que passava na televisão (havia realmente um desenho animado que era exibido na TV? Juro que não me lembro) e nunca brinquei com os bonecos (cuja alcunha atribuída pela criançada na época era: “hóminhos”) dos personagens principais da série. E querem saber o que é pior? Nunca havia nem ao menos ouvido falar nestes tais “Transformers” antes do primeiro episódio da série ter sido lançado nos cinemas do mundo todo no ano de 2.007, e olha que sou da geração de 1.980 (nasci aos 17 de dezembro de 1.983), justamente quando os tais robôs alienígenas estavam no auge.

Mas o que seria eu então? Uma criança anormal? De forma alguma. Acontece que durante a minha infância me preocupava muito mais em assistir a desenhos como “Tom & Jerry”, “Faísca & Fumaça”, “Papa-Léguas”, “Tartarugas Ninja” e “Caverna do Dragão” a assistir os “Transformers” da vida. Logo, nem ao menos tomei ciência da existência do desenho animado durante os meus dias de garoto. Talvez seja justamente por este motivo que fui ao cinema local com toda a frieza que me é inerente. Não estava tão entusiasmado como alguns fãs que ali se encontravam estavam (inclusive, havia muitos “quarentões” na sessão, e sem a companhia dos filhos. Será que tratavam-se de nerds fãs incondicionais da série quando tinham vinte anos de idade? Pode apostar que sim), mas também não estava nem um pouco influenciado pelas críticas negativas que havia lido sobre o primeiro filme.

A sessão começa. Vejo-me sentado novamente na poltrona do meio da sala. Uns robôs, sem mais nem menos, aparecem na pré-história e saem matando seres humanos a torta e a direita, sem quaisquer propósitos pré-estabelecidos. E reside justamente aí a minha maior repugnância para com os filmes que envolvem extra-terrestres. Oras, por que um grupo de alienígenas iria almejar arriscar a própria espécie a fim de dominar um planeta como este (que os próprios robôs, durante muitos momentos do filme, afirmam ser um lixo de planeta)? E por que os “grandalhões” malvados não exterminaram a raça humana e não dominaram o mundo, quando era mais fácil para eles o fazer durante a pré-história? Seria pelo fato de os Autobots (os “mocinhos” da vez) terem impedido? Mas por que cargas d’água um grupo de robôs alienígenas se preocuparia em salvar a nossa espécie?

Francamente, não sei dizer se as questões por mim levantadas acima são furos de roteiro ou fruto de minha ignorância no que diz respeito à franquia “Transformers”, mas caso seja a segunda opção (o que, creio eu, é bem provável), não tenho culpa se o filme não explicou isso durante a sua projeção. Ops… pára tudo, pára tudo (lembram-se do imbecil do João Kleber?)… Acabei de confirmar com o meu pai (e vejam bem, o meu pai sabe muito mais da série do que eu) que os Decepticons (os vilões da vez) na verdade fugiram do planeta natal deles e vieram se esconder na Terra e os Autobots vieram os perseguir. Foi isso mesmo o que aconteceu (pergunto a alguém que tenha assistido ao primeiro filme ou aos episódios da série televisiva, uma vez que o meu pai confessou não ter muita certeza do que estava falando)? Enfim, caso esteja completamente errado e vocês estejam rindo de minha cara (e da de meu progenitor também), novamente insisto que não é culpa minha que um filme com duas horas e vinte minutos de projeção pare um segundo sequer para explicar e/ou relembrar isso.

E falando em projeção, que longa extenso este, não? Sejamos honestos, duas horas e vinte minutos de duração para isso! Para uma estórinha mal contada destas, que não tem nem ao menos a dignidade de se valer por si só (sim, pois como havia dito, o fato de não ter assistido ao episódio anterior faz com que eu nada saiba sobre os reias intentos dos Decepticons aqui na Terra) e depende completamente do episódio anterior para funcionar! Eu me pergunto: o que passava pela cabeça de Michael Bay enquanto filmava tantas cenas altamente dispensáveis para o resultado final da obra? Por que não dar pequenas dicas a espectadores desavisados (como era o meu caso) sobre o real motivo do embate entre Autobots e Decepticons? Afinal de contas, “Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados”, apesar de ser uma continuação, é (ao menos era para ser) um episódio extremamente independente do filme que lhe deu origem, ao contrário de “Kill Bill – Volume II”, por exemplo, onde deveríamos assistir ao primeiro longa metragem para entender a sua continuação, já que ambos formam um único filme.

Entretanto, mesmo que recomeçasse esta crítica agora, neste exato momento. Mesmo que soubesse todas as respostas para as perguntas que fiz. Mesmo que fosse o maior entusiasta e conhecedor de “Transformers” da face da Terra, teria achado o filme ruim.

Sim, “Transformers 2…” é ruim por si só, e sabem quem é o maior responsável por isso? Um doce para quem acertar. Claro, Michael Bay, o alvo favorito (ao lado do tão horrendo quanto Uwe Boll) dos críticos de Cinema do mundo todo. O Ed Wood de nossa geração dá sinais de sua incompetência logo no início do filme quando, ao realizar um rápido travelling ou um singelo afastamento de câmera, treme a mesma como se estivesse segurando uma britadeira ligada com a mão oposta. E o que dizer então das exageradas rotações de câmera de cento e oitenta graus quando filma um momento romântico do casal de protagonistas (ele bem que poderia ter aprendido a fazer decentes rotações com Christopher Nolan em “Batman – O Caveleiro das Trevas”)?

E quanto às demais características que sempre marcam, do modo mais negativo o possível, o trabalho do cineasta (gargalhadas pela palavra “cineasta”)? Da mesma forma que constatamos em muitos outros de seus filmes, em “Transformers 2…” Bay aplica inúmeras tomadas em slow motion enquanto mostra os protagonistas fugindo de uma recente explosão, gira a sua câmera “desenhando” uma esfera completa a fim de filmar porta-aviões estadunidenses e, é claro, faz questão de realizar closes de inúmeros soldados caminhando lentamente com aquele ar blasé, típico dos fracassados militares oriundos da Terra do Tio Sam.

Ah, e é claro que não podemos nos esquecer de mencionar o oportunismo (também característico do diretor) adotado com a finalidade de explorar todos os atributos das atrizes símbolos sexuais que trabalham com ele. Para se ter uma idéia, Megan Fox entra em cena montada em uma moto, inclinada para frente, com um short jeans excessivamente minúsculo e a bunda levantada bem ao alto (Está bem, confesso, meu lado pessoal adorou essa cena). E já que mencionei o (suculento) traseiro da atriz, o leitor tem alguma dúvida de que o diretor explora ao máximo esta parte do corpo dela? Basta dizer que, quando a mesma não é exibida com uma blusa deveras decotada e que mostra boa parte de seus seios, Bay faz questão de colocá-la em cena de um modo que a sua câmera consiga filmar os quadris da moça sendo fortemente apertados por uma calça branca extremamente justa (aliás, ela, assim como todos os outros personagens, passa o filme todo com a mesma roupa. Que figurino mais pobre esse, viu!).

E sei que já me estendi demais nesta crítica, principalmente para falar mal de Michael Bay, mas o leitor teria a bondade de me conceder mais uns minutinhos de seu tempo para criticar ainda mais o diretor (fazer o quê? O cara é um desastre em forma de cineasta)? Não bastassem todas as falhas cometidas pelo diretor, ele ainda tem a pachorra de empregar uma trilha-sonora visivelmente maniqueísta para conferir ao longa a sensibilidade que não tem competência para o fazer.

Mas vamos parar por aqui, a crítica já foi muito além do que deveria ter ido.

Em suma, “Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados” é o típico filme de ação comercial proveniente dos grandes estúdios de Hollywood: divertido, cheio de adrenalina e repleto de efeitos especiais (visuais e sonoros) dignos de fazer cair o queixo, mas que jamais conseguem maquiar as terríveis falhas que são exibidas durante os seus desnecessariamente longos duzentos e vinte minutos de duração, variando desde a trama apenas razoável, passando pelas atuações nada convincentes por parte de todo o elenco, pelos alívios cômicos frustrantes, e pela falta de carisma dos personagens principais, encerrando-se no pavoroso trabalho de direção. Enfim, segue o estereótipo das obras cuja direção é assinada por um dos maiores engodos do Cinema nos últimos anos: Michael Bay.

Obs.: É impressão minha ou o personagem Leo (que nem ao menos diz a que veio no filme), próximo ao desfecho do longa, é adormecido com um choque em uma cena e, logo na outra, aparece acordado e agindo normalmente como se nada houvesse acontecido? É Sr. Bay, parece que o senhor cometeu um dos erros de continuidade mais ridículos da história do Cinema, o que permite com que possamos lhe atribuir o título de Ed Wood dos anos 1.990 e 2.000.

Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.

Lançamentos Mensais em DVD – Mês de Junho

Não, esta minha nova idéia não é original, nem um pouco original. Mas quem foi que disse que para uma idéia ser considerada boa ela precisa ser necessariamente original? Enfim, estes dias estive pensando que uma grande parte da população prefere trocar a tecnologia das salas de cinema pelo conforto e privacidade do lar, sendo assim, escolhem alugar um filme em uma vídeolocadora ao invés de assisti-lo nos cinemas. Oras, por que não aproveitar isso e começar a indicar DVDs para que o pessoal os assista no conforto de seu próprio lar? Foi pensando nisso que optei por lançar esta sessão “Lançamentos Mensais em DVD” (sim, eu sei, o título é clichê, bem como a proposta em si). Como base, estou utilizando o site da maior franquia de videolocadoras nacional, a 100% Vídeo, logo, os filmes os quais assisto indico quantas estrelas os mesmos merecem e realizo uma ultra-mini-crítica (isso para não dizer “nano-crítica”) sobre os mesmos. Os filmes os quais ainda não assisti mantenho a sinopse elaborada pelo site da 100% Vídeo. Vamos aos filmes?

Obs. 1: Estou utilizando um tamanho de fonte excessivamente pequeno para o artigo ocupar muito espaço visual no blog.

Obs. 2: As cotações estão sendo identificadas apenas por estrelas (e não em notas, como estou acostumado a fazer). Desta forma: o = filme péssimo, * = filme ruim, ** = filme razoável, *** = filme bom, **** = filme ótimo e ***** = filme excelente.

01/06/2009

Se Eu Fosse Você 2

Alguns anos se passam desde a primeira troca, e o casal volta a ter conflitos corriqueiros. Mas dessa vez, as briguinhas levam a algo mais sério – tão sério que o casal resolve se separar. Para piorar…

03/06/2009

Faça o Que Eu Digo, Não Faça o Que Eu Faço

\”Role Models\” é uma comédia estrelada por Paul Rudd (de “As Patricinhas de Beverly Hills” e “A Razão do meu Afeto”) e Seann William Scott (de “American Pie”). Paul e Seann vivem dois executivos que …

08/06/2009

Arn – O Cavaleiro Templário

Um conto de poder, coragem e traição, este filme, ambientado na Suécia, conta a inesquecível história de amor de Arn Magnussson, jovem culto e exímio esgrimista, e Cecilia, separados pela guerra entre…

09/06/2009

O Curioso Caso de Benjamin Button – *** de *****

O fato de o filme apelar descaradamente para uma trama fantasiosa e tola poderia ser facilmente perdoado caso a mesma tivesse um propósito definido, mas não tem. No final das contas, não notamos vantagem (ou desvantagem) alguma no curioso fato de Benjamin Button ter vivido ao contrário, uma vez que as experiências por ele vivenciadas nada tem em comum com as suas bizarras condições peculiares. Entretanto, o longa, além de ser tecnicamente perfeito, revela-se bastante interessante ao mostrar-nos como pequenas pessoas podem deixam grandes marcas em nossas vidas. Um bom filme, mas com erros deveras infantis.

10/06/2009

Dúvida – **** de *****

A direção de Shanley é o grande ponto fraco deste “Dúvida”, uma vez que o diretor parece se sair muito bem na condução do elenco (que é ótimo, sobretudo Viola Davis que é a melhor em cena e merecia o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), mas não demonstra a mesma competência na movimentação de câmeras. O roteiro, por sua vez, é bastante dinâmico e introspectivo e aborda excelentemente bem o modo como o sentimento-título pode influenciar positiva ou negativamente a vida das pessoas que o carregam consigo.

Lost – 5ª Temporada – Disco 03

Os seis resgatados terão que voltar a ilha? Será que Kate e Hurley vão concordar com isso? Quem vai ajudá-los?\r\n\r\nA 5ª temporada de Lost vai surpreender a cada episódio, com novos e misteriosas pe…

14/06/2009

Passageiros

LANÇAMENTO ADIADO PARA 14/06/2009\r\n\r\nApós um terrível acidente aéreo, Claire Summers (Anne Hathaway), uma jovem terapeuta, é designada por seu mentor (Andre Braugher) para dar orientação psicológi…

16/06/2009

Pagando Bem, Que Mal Tem? – * de *****

Seth Rogen é sempre um ator carismático e com um “tempo da comédia” invejavelmente perfeito, e em “Pagando Bem, Que Mal Tem?” ele demonstra muito bem isso. Contudo, o filme por si só é carregado de um humor notavelmente artificial, asqueroso e infantil, e a subtrama romântica é uma das coisas mais “manjadas”, previsíveis e insossas que Hollywood já nos proporcionou nos últimos anos. Uma comédia romântica que, além de não acrescentar nada ao gênero, realiza uma façanha e piora tudo o que ele já nos trás de pior.

17/06/2009

Operação Valquíria – *** de *****

Indubitavelmente, um ótimo thriller, ainda que aparente ser uma releitura de “Missão Impossível” em alguns momentos. Entretanto é falho do ponto de vista artístico, dramático e histórico e conta com Tom Cruise em mais uma fraca atuação ao longo de toda a sua irregular carreira. A premissa é bastante interessante e, ouso dizer, original, mas está longe de poder ser alcunhado de obra-prima.

Quem Quer Ser um Milionário? – *** de *****

A princípio, uma instigante e sensacional abordagem sobre a verdadeira Índia (aquela que não é exibida por nenhuma novelinha global ridícula e fantasiosa) e as condições sociais de seus habitantes, mas chega o final do filme e, com ele, vem também a estorinha de amor patética, dispensável, piegas e previsível, o que entra em total dissonância com a excelente proposta inicial apresentada pelo roteiro. A estrutura narrativa do filme é magistral (assim como a edição e a direção do mesmo), mas um tanto o quanto artificial. O quê? Ah, é claro, o drama não merecia ter vencido o Oscar de Melhor Filme sob hipótese alguma.

Ele Não Está Tão a Fim de Você – **** de *****

A primeira impressão que fica é que trata-se de uma comédia romântica frívola, como a grande maioria dos exemplares deste gênero, mas em poucos minutos nos surpreendemos com a gama de personagens interessantíssimos e o emaranhado de estórias que se entrelaçam e nos criam uma deliciosa confusão. Muitas tramas (e personagens, diga-se) revelam-se vazias e desnecessárias aqui, mas no geral, “Ele Não Está Tão a Fim de Você” revela-se um interessante estudo sobre as neuroses e frustrações que fazem parte dos relacionamentos amorosos contemporâneos.

Tô de Férias

Em uma pequena ilha dos Mares do Sul, um grupo de animais: um pinguim, um lagarto, um pássaro e um elefante marinho tem suas vidas idílicas interrompidas por Impy, um arteiro e amável bebê dinossauro….

Ele Não Está Tão a Fim de Você (filme de Serviço) – **** de *****

Você realmente gosta deste cara, mas não consegue saber se ele gosta de você. Você inventa desculpas, decide que ele está confuso. Pare de se enganar. Existe uma explicação muito mais simples: ele não…

24/06/2009

O Espião

Baseada na chocante vida real de Martin McGartland, um jovem irlandês, no final dos anos 80. O filme narra a trajetória de Martin (Jim Sturgess), desde que foi recrutado pela polícia britânica para es…

Quarentena

A repórter de televisão Angela Vidal (Jennifer Carpenter, de “O Exercismo de Emily Rose”) e seu cameraman (Steve Harris, de “Minority Report”) são convocados para fazer um plantão noturno com um grupo…

Barry e a Banda das Minhocas

Barry é uma jovem minhoca que está cansada de ficar na base da cadeia alimentar! Todos os outros insetos consideram a minhoca um zero à esquerda. Além de comer terra, minhocas têm terra na cabeça! A ú…

Milk – A Voz da Igualdade – ** de *****

Van Sant realiza uma ótima direção (e olhe que sou um dos mais ferrenhos críticos do cineasta), mas suas tentativas de polemizar a obra são ridículas. Há muitas cenas de relacionamento homo afetivas que são altamente desnecessárias e acabam relegando o lado político-social da obra para um segundo plano, tentando se firmar primeiramente como um filme gay, cujo maior intento é imortalizar-se nas polêmicas que pretende gerar. O audacioso Harvey Milk merecia uma cinebiografia bem mais séria do que esta em questão. Destaque para a fenomenal atuação de Sean Penn (apesar de que Mickey Rourke merecia mais o prêmio, bem como Frank Langella).

Coraline e o Mundo Secreto

Coraline Jones é uma curiosa e aventureira menina de 11 anos. Ela acaba de se mudar do Michigan para o Oregon e, sentindo falta dos amigos e vendo os pais ocupados demais com o trabalho, realmente duv…

25/06/2009

O Retorno de um Herói

O tenente-coronel Michael Strobl é um fuzileiro naval que se ofereceu como voluntário para levar os restos mortais de um garoto de 19 anos, morto na guerra do Iraque, de volta à sua família em uma peq…

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Glória Feita de Sangue – ***** de *****

Já fazia muito tempo, muito tempo mesmo, que eu não escrevia sobre um filme do mestre Stanley Kubrick (o maior ícone da história do Cinema, a meu ver) aqui no Cine-Phylum (a última vez foi quando comentei sobre o excelentíssimo “Barry Lyndon”), logo, decidi que era hora de voltar a faze-lo. Iria optar por escrever sobre “2001 – Uma Odisséia no Espaço” ou “Laranja Mecânica”, mas a verdade é que o meu fanatismo por ambos os filmes é tão gigantesco que conclui ser impossível exprimir a minha opinião em menos de 3.000 palavras de texto. Decidi então que o correto seria escrever sobre uma das poucas obras do diretor a que ainda não havia assistido. Meu dedo apontou para este “Glória Feita de Sangue” que, já de cara, revelou-se o meu terceiro ‘Kubrick’ predileto, conforme poderemos ver na crítica logo mais abaixo.

Ficha Técnica:

Título Original: Paths of Glory.

Gênero: Guerra.
Tempo de Duração: 87 minutos.

Ano de Lançamento: 1957.

País de Origem: Estados Unidos da América.

Direção: Stanley Kubrick.

Roteiro: Stanley Kubrick, Jim Thompson e Calder Willingham, baseado em livro de Humphrey Cobb.

Elenco: Kirk Douglas (Coronel Dax), Ralph Meeker (Phillip Paris), Adolphe Menjou (General George Broulard), George Macready (General Paul Mireau), Bert Freed (Sargento Boulanger), Kem Dibbs (Recruta Lejeune), Timothy Carey (Recruta Maurice Ferol), Wayne Morris (Tenente Roget), Richard Anderson (Major Saint-Auban), Joe Turkel (Recruta Pierre Arnaud), Peter Capell (Juiz da Corte Marcial) e Emile Meyer (Padre Dupree).

Sinopse: Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, Mireau (George Meeker), um general francês, ordena um ataque suicida e como nem todos os seus soldados puderam se lançar ao ataque ele exige que sua artilharia ataque as próprias trincheiras. Mas não é obedecido neste pedido absurdo, então resolve pedir o julgamento e a execução de todo o regimento por se comportar covardemente no campo de batalha e assim justificar o fracasso de sua estratégia militar. Depois concorda que sejam cem soldados e finalmente é decido que três soldados serão escolhidos para servirem de exemplo, mas o coronel Dax (Kirk Douglas) não concorda e decide interceder de todas as formas para tentar suspender esta insana decisão.


Fonte Sinopse: Adoro Cinema.


Paths of Glory – Trailer:


Crítica:


Qual é o real valor da glória? Pode ser tido como palatável o sacrifício de inúmeros homens em nome da glória de um só? Quantas vidas justificam a aquisição de uma estrela condecorativa? Até onde a vaidade de um único homem pode ir para conseguir marcar o seu nome na história de uma nação? É pertinente que, para tal, o mesmo se veja no direito de incumbir um grupo de militares a realizar uma missão que, na melhor das hipóteses, irá resultar na perda de mais da metade do batalhão?


Indagações como as supracitadas cruzam as nossas mentes a todo o instante enquanto assistimos à primeira parte de “Glória Feita de Sangue”, o sexto filme de Stanley Kubrick e o terceiro de sua carreira a ter o respaldo e o prestígio da crítica internacional. Até onde a ganância de um homem pode ir? Quantos patriarcas devem deixar as suas famílias desamparadas a fim de sustentar a vaidade de uma minoria? Qual é o limite da glória (se é que existe algum limite para a mesma)?


Todavia, o mais curioso desta etapa inicial de “Glória Feita de Sangue” reside na maleabilidade do roteiro em tornar compatível a trama diegética com os nossos respectivos cotidianos. Assim como estamos acostumados a presenciar em nossas vidas profissionais, percebemos que em um batalhão militar há também as costumeiras injustiças cometidas por pessoas que não conseguem distinguir o lado pessoal do lado profissional. Da mesma forma que nos empregos convencionais temos de lidar com bajuladores, colegas falsos e hipócritas, picuinhas, e superiores que prejudicam os seus subordinados pelo simples fato de nutrirem alguma intriga pessoal para com os mesmos, os recrutas de um batalhão parecem enfrentar as mesmíssimas situações, mas com uma grande diferença: aqui, se por algum motivo você não agradar a um superior, a pena máxima não é uma reles demissão, mas sim a morte da maneira mais direta o possível.


E não bastasse o filme abordar tantas questões primordiais, ele ainda consegue a façanha de ir além. Novamente passamos a tecer analogias em cima das experiências vivenciadas por soldados quando nos vemos diante de um tribunal militar. É fato que alguém deve ser julgado e condenado pelo previsível insucesso de uma missão, mas quem? A pessoa que organizou esta missão? Oras, quantas vezes você já viu o seu chefe ser responsabilizado pelo fracasso em uma tarefa? Pois é, a culpa sempre cai sobre o mais fraco e em “Glória Feita de Sangue” a estória não poderia acontecer de outra maneira.


É justamente quando percebemos que três humildes soldados deverão responder pela pena máxima imposta através de corte marcial, que o filme atinge o seu ápice. A obra, que aparentava não conseguir ser melhor do que já estava sendo durante a sua primeira metade, passa a ganhar um tratamento ainda mais primoroso. Não só o Coronel Dax (magistralmente encarnado por um Kirk Douglas frio e desesperançoso) ganha destaque aqui (conforme vinha acontecendo até então), como também os recrutas Lejeune (Kem Dibbs) e Maurice (Timothy Carey, na melhor atuação do filme) e o Sargento Boulanger (Bert Freed).


Acompanhar de perto a angústia dos três condenados é algo ainda mais fascinante do que assistirmos à explosiva batalha travada no início do longa ou testemunharmos às injustiças pelas quais os recrutas passam. À medida que vemos aqueles três pobres homens pagando por um erro que não cometeram, vários sentimentos passam a nos atormentar: bem como a agonia, a injustiça, a compaixão e a pena pelos mesmos, mas ainda assim, nenhum destes sentimentos martela tanto as nossas mentes quanto a indignação que passamos pela hipocrisia e desonestidade que somos obrigados a tomar parte naquela exata ocasião.


Como deixarmos de partilhar também com os sentimentos de Dax, que utiliza-se de todas as atribuições legais o possível para fazer justiça e impedir que os companheiros percam as suas vidas, mas percebe que, quanto mais rápido passa o tempo, menos chances terá de derrotar o sistema interno criado pelo próprio general, que parece ser extremamente desconexo com as regras gerais adotadas no país? A estória avança, Dax entra em profunda angustia ao notar a sua própria incapacidade, os condenados passam a questionar as suas vidas e a existência de Deus, a agonia aumenta cada vez mais e, enquanto o filme não tem o seu definitivo desfecho, nós, espectadores, roemos as unhas de tensão e, após o término da sessão, a perturbação não diminui nem um pouco, muito pelo contrário, só aumenta.


Mas é claro que, por mais angustiante que o roteiro de “Glória Feita de Sangue” seja, o filme não teria obtido o mesmo êxito não fosse o trabalho de Stanley Kubrick. Mais do que meramente empregar várias técnicas de direção a fim de tornar o filme mais rico (e aqui ele adota o uso de travellings, close in, close out e muitos outros elementos que enriquecem ainda mais a experiência cinematográfica), o cineasta (que é tido como um dos maiores da história da sétima Arte e é, disparado, o meu predileto), mesmo fazendo uso de uma direção demasiadamente fria como de praxe, confere à obra toda a sensibilidade necessária para que a mesma funcione corretamente bem.


Repare na maneira como Kubrick opta por filmar o julgamento dos recrutas, por exemplo. O diretor cria um plano de modo com que a sala aparente ser enorme e silenciosa, aumentando ainda mais a amargura que a cena, por si só, já nos transmitiria. O modo como Stanley retrata as possíveis últimas horas de vida dos recrutas também é fenomenal e extremamente introspectiva. Francamente, creio que nem mesmo Kurosawa em “Rashomon”, Lumet em “12 Homens e Uma Sentença” e Bergman em “O Sétimo Selo” e “Gritos & Sussurros” se mostraram capazes de fazer um estudo tão depressivo da angustia pré-morte (ou da concreta possibilidade desta) quanto Kubrick o fez neste filme.


Glória Feita de Sangue” é, além de um dos melhores dramas de guerra já feitos, uma obra-prima atemporal e introspectiva que certamente figura entre os mais importantes filmes já feitos para o Cinema.


Duas décadas e meia mais tarde, Stanley Kubrick voltaria a flertar com o gênero guerra no clássico “Nascido Para Matar”, mas não restam dúvidas de que o peso dramático inserido naquele filme não chega aos pés desta obra-prima magistral lançada comercialmente em 1.957.


Avaliação Final: 10,0 na escala de 10,0.

O Falcão Maltês – ***** de *****

Assisti a “O Falcão Maltês” pela primeira vez no ano de 2.000, quando tinha apenas 16 anos, e mesmo não sendo um grande fã de filmes antigos naquela época, havia adorado o filme de John Huston. Não sei se fora necessariamente a trama complexa e bem bolada que me chamou atenção ou o personagem de Humphrey Bogart, com um charme e um carisma de fazer inveja a qualquer James Bond. Passados nove anos decidi assistir a “Acossado” de Jean-Luc Godard e logo nos primeiros minutos de projeção virei fã incondicional do filme francês, onde um dos destaques principais fica com o protagonista Michel, claramente influenciado pelo Sam Spade de Bogart. Fiquei tanto com o filme de Godard quanto com o filme de Huston no cabeça e, nesta semana, pude matar tal ansiedade quando, surpreendentemente, encontrei o DVD de “O Falcão Maltês”. Não pensei duas vezes, loquei o filme e trouxe para casa, onde poderia assisti-lo o quanto antes. O resultado é que continuo adorando a obra-prima mais influente do Cinema Noir.


Ficha Técnica:
Título Original: The Maltese Falcon
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento (EUA):
1941
Direção: John Huston
Roteiro: John Huston, baseado em livro de Dashiell Hammett
Elenco: Humphrey Bogart (Sam Spade), Mary Astor (Brigid O’Shaughnessy), Gladys George (Iva Archer), Peter Lorre (Joel Cairo), Barton MacLane (Detetive Dundy), Lee Patrick (Effie Perine), Sydney Greenstreet (Kasper Gutman), Ward Bond (Detetive Tom Polhaus), Jerome Cowan (Miles Archer) e Elisha Cook Jr. (Wilmer Cook).


Sinopse: Um detetive particular (Humphrey Bogart) é procurado por uma mulher misteriosa (Mary Astor), que alega estar sendo ameaçada. Mas tanto o seu perseguidor quanto o homem encarregado de protegê-la aparecem mortos e tudo gira em torno de uma estátua de falcão de valor incalculável.


The Maltese Falcon – Trailer:


Crítica:

Quando falamos sobre “O Falcão Maltês” (conhecido também como “Relíquia Macabra”, que nada mais é do que um título marqueteiro e inconveniente) logo temos certeza de dois pontos extraordinários: o primeiro é que o filme trata-se de um dos dois mais importantes exemplares da era noir do Cinema (concorre ao posto de “mais importante” diretamente com o perfeito “Crepúsculo dos Deuses” de Billy Wilder) e o segundo é que a obra em questão trata-se de um dos mais admiráveis filmes da história da sétima Arte, falando em um contexto geral.

Tido pela grande maioria dos críticos e cinéfilos do mundo todo como a obra-prima máxima do consagrado cineasta John Huston (alguns ainda afirmam ser “O Tesouro de Sierra Madre”, “Uma Aventura na África”. “Moulin Rouge (1952)” ou “O Homem Que Queria Ser Rei”, mas, ao menos desta vez, concordo com a opinião da maioria), o longa tem como maior atrativo a atuação de Humphrey Bogart, que transforma o seu Sam Spade em um dos personagens mais marcantes e inesquecíveis da história da Sétima Arte, seja pelo tom de voz inigualável empregado pelo ator (que também o fazia excelentemente bem no sensacional “Casablanca”), seja pelos inolvidáveis maneirismos utilizados pelo astro hollywoodiano.

Spade entra em cena através de uma clássica sequência onde, sentado atrás de uma mesa de escritório e vestindo um chapéu que quase lhe cobre os olhos por inteiro, enrola um cigarro e o fuma enquanto atende uma mulher formalmente trajada. A composição de Bogart é praticamente perfeita, seu personagem lhe cai tão bem quanto uma luva, e o ator consegue, com maestria, transformar o protagonista em um sujeito ainda mais cafajeste do que ele já é por si só. Longe de aparentar ser o típico herói de filmes deste gênero, Spade revela-se um sujeito moralmente incorreto e dotado de atitudes imprevisíveis (“___ Você é o homem mais imprevisível que já conheci.” ___ Menciona Brigid O’Shaughnessy em um determinado momento do filme), que não se vê capaz de esconder a sua ganância pelo dinheiro (nisso, o seu Spade lembra um pouco o seu Dobbs, só que em doses de ambição muito mais homeopáticas) e, não bastasse isso, tem um caso de amor com a esposa de seu sócio que, além de desprezar completamente, não demonstra a menor compaixão quando fica sabendo da morte deste.

As demais figuras que compõem o rol de personagens também seguem a linha do protagonista e, assim como na grande maioria das obras que constituem o subgênero film noir, são todos indivíduos de caráter duvidoso, variando desde a mocinha que se passa por garota meiga, mas na verdade é demasiadamente perigosa, ao vilão que se mostra capaz de sacrificar um grande amigo (que é tido como um filho para ele) a fim de conseguir um objeto extremamente ambicionado por si.

A trama também faz jus aos personagens que a integram e, mesmo aparentando ser um tanto o quanto previsível em alguns poucos momentos, é extremamente bem amarrada e suficientemente interessante e complexa para nos prender a atenção do início ao fim do longa, sem jamais se revelar fadigosa e/ou aborrecedora. Os diálogos, por sua vez, são ágeis, secos, ácidos, ríspidos e dinâmicos, e enriquecem ainda mais o roteiro que já se mostra excepcional se o analisarmos individualmente.

Longe de ser apenas um donairoso e excelente exemplar do gênero cinematográfico suspense-policial, “O Falcão Maltês” merece destaque mormente por ser um dos filmes que mais serviram de inspiração para formar, não somente a Hollywood, mas também o Cinema mundial o qual conhecemos hoje. Entre as películas e cineastas os quais podemos citar que foram direta ou indiretamente influenciados pela obra-prima máxima de John Huston (e leve em conta que este foi o primeiro filme por ele dirigido) estão: “Acossado” de Jean-Luc Godard, “Um Corpo Que Cai” de Alfred Hitchcock, “O Terceiro Homem” de Orson Welles e “Pacto de Sangue” de Billy Wilder. Em outras palavras: se é de seu interesse adquirir um estimável conhecimento em Cinema e, acima de tudo, em Cinema Noir, “O Falcão Maltês” torna-se um filme mais do que mister para tal.

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.